ATENÇÃO, PRES. LULA: ” SEGURANÇA PÚBLICA NÃO É SÓ POLICIAL !

Para reduzir a violência, o crime, é preciso atuar também nas causas. Só assim as polícias deixam de enxugar gelo!

Em tempos de criação do Ministério da Segurança Pública, uma importante observação: tudo que as polícias fazem são ações de segurança pública. Mas nem tudo que a segurança pública faz é ação policial. E não adianta forçar a barra pondo tudo na conta das polícias!

Por mais e melhor que as polícias possam fazer, elas sozinhas não têm como produzir segurança pública que ultrapassa a cobertura, intensidade, exclusividade e qualidade repressiva da ação policial.

Quando se equivale segurança pública = polícia, produz-se escassez da própria capacidade policial coercitiva, encurtam-se os efeitos repressivos da ação policial no tempo e no espaço, comprometendo a cobertura ostensiva, a pronta resposta na emergência, a rotina investigativa e de inteligência. Exaurem-se, de partida, os recursos policiais por dentro.

O erro político na definição dos fins, colocando as polícias sozinhas para produzir segurança pública, esgota os meios logísticos disponíveis e, com isso, compromete o repertório policial de modos táticos de atuação diante da urgência do cidadão!

As polícias, um meio de força comedida, um dispositivo coercitivo de controle social, só tem como atuar na superfície onde os problemas surgem e não nas suas causas profundas, subterrâneas.

Polícias não mudam consciência e nem vontade de praticar violência e crime. Elas alteram, adiam e frustram as oportunidades com que crimes e violências ocorrem em tempo real. E isso já é muita coisa, é metade do caminho andado. Mas é só a metade.

Para reduzir a violência, o crime, a desordem e a incivilidade e o medo que estas práticas estimulam é preciso atuar também nas causas do crime e da violência e não só, de forma reativa, na sua ocorrência. Só assim as ações policiais vão surtir efeito para além de seu resultado imediato e vão durar mais no tempo. Só assim se impede as polícias de serem penalizadas pelos resultados que produzem. Só assim as polícias deixam de enxugar gelo!

As polícias não podem pagar a conta da segurança sozinhas. A fatura tem que ser dividida com outros agentes institucionais que as polícias precisam para fazerem bem o seu trabalho.

Do contrário, será se exaurir de tanto nadar sozinho e sem suporte para morrer na praia como dizem os próprios policiais!

Se “missão dada é missão cumprida”, se “quem dá a missão define os meios”, então é preciso ter clareza do tipo de missão que se pretende dar!

JAQUELINE MUNIZ ” BLOG BRASIL 247″ ( BRASIL)

Antropóloga e cientista política. Professora do bacharelado de Segurança Pública da UFF. Gestora de Segurança Pública

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