AS SEMELHANÇAS ENTRE LULA E OTAVIO FRIAS

Trechos do livro do carcereiro de Lula, sobre suas conversas na prisão, me trazem a lembrança do velho Otávio Frias de Oliveira.

Trechos do livro do carcereiro de Lula, sobre suas conversas na prisão, me trazem a lembrança do velho Otávio Frias de Oliveira. A mesma capacidade de analisar caráter de pessoas, a mesma indignação em relação aos puxa sacos, a mesma objetividade nos negócios, privados da parte de Frias, públicos da parte de Lula.

Sobre Carmen Lúcia segundo trechos mencionados por Mônica Bérgamo:

“Em outro trecho, segundo Chastalo (o autor do livro), Lula teria contado a ele que, ao buscar a indicação para a Corte, Cármen teria dito que aprendeu com o pai a “levar no coração a palavra ‘gratidão’”. Se fosse indicada ao STF, jamais esqueceria o gesto.

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“Sorrindo, Lula diz: ‘Agora está aí, insegura, fazendo merda’”, segue o carcereiro em seu relato.

Em um outro momento, Lula teria afirmado a ele: “Fui dormir cedo ontem, com um ódio muito grande da Cármen Lúcia. Ela falava em gratidão e agora deu nisso. Essa miserável”.

Sobre Luiz Edson Fachin:

“Edson Fachin teria sido criticado novamente por Lula, sempre segundo o carcereiro, quando retirou de pauta o julgamento do habeas corpus interposto por seus advogados pedindo a sua libertação.

“Esse Fachin é um filho da puta mesmo, Chastalo. Eu não indiquei ele para o STF no meu mandato porque não confiava nele. Aí a Dilma [Rousseff, que sucedeu Lula na presidência da República] me liga um dia pedindo autorização para indicar. Eu apenas disse: ‘Agora é você quem decide, afinal, é você quem está na Presidência’”.

Sobre Luiz Fux:

“O Fux passou mais de um ano frequentando toda cerimônia quando eu era presidente, com cara de cachorro pidão [então ministro do Superior Tribunal de Justiça, Fux estava em campanha por uma vaga no STF]. Mas nunca confiei nele. Aí veio a Dilma e acabou nomeando esse canalha, por indicação do [então ministro da Fazenda Antonio] Palocci e do [então governador do Rio de Janeiro] Sérgio Cabral“.

O padrão Frias

Por três meses (a contragosto, pois queria mesmo ser colunista) fui Secretário de Redação da Folha, convivendo diariamente com o velho Frias, em reuniões diárias com mais três colegas. Sua frieza, objetividade, chocavam.

Certa vez tentou transformar Miguel de Almeida em um novo Paulo Francis. Deu-lhe uma coluna na Ilustrada, onde o jovem Miguel esbanjava agressividade, sem a senoridade de Francis. Em uma das reuniões, fiz-lhe ver que Miguel acabaria sendo queimado. E ele:

  • Problema dele. É maior de idade.

Pouco tempo depois, Miguel atacou o santo Paulinho da Viola e não resistiu à enxurrada de críticas de fora e de dentro do jornal.

Outra vez, um dos jornalistas que participavam da reunião diária disse que a esposa era médica; que no dia anterior fez uma reunião de colegas médicos em seu apartamento:

  • E aí eu descobri como jornalista ganha bem, seu Frias!

Fiquei vermelho de vergonha alheia. Percebendo minha reação, imediatamente Frias olhou em minha direção. Tempos depois, veio o passaralho. E a cabeça do jornalista rolou.

Outra vez, ele esculhambou um dos Secretários de Redação (éramos em dois). Quando terminou a reunião, fiquei mais um pouco e disse ao Frias:

  • Aquele erro foi culpa minha.

E sua reação:

  • Não se incomode. O outro está acostumado a levar bronca.

Quando houve a greve dos jornalistas, o Sindicato enviou uma comitiva para negociar com a Folha. Frias queria saber o nome de um dos membros da comissão, que se mostrara muito solícito:

  • Quero saber o nome dele e contratá-lo, para poder demiti-lo.

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

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