A BAGEGEM DE FLÁVIO

Derrotado nas eleições e agora foragido nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro carrega uma carga pesada de suspeitas de crimes de naturezas variadas, como mostram reportagens da piauí 

Superado por Lula com uma distância de mais de 4 milhões de votos nas eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro protagonizou uma fuga cinematográfica ao lado da mulher e das duas filhas. Despistou aliados e boa parte da imprensa no trajeto até Foz do Iguaçu, no Paraná, e depois a Puerto Iguazú, no lado argentino da fronteira. O senador permaneceu irrastreável até a noite de ontem, quando embarcou rumo aos Estados Unidos em um jato particular. O desembarque em Miami na manhã de hoje adia, não se sabe até quando, o acerto de contas entre Flávio e a justiça brasileira. O senador é investigado em dois inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal: um diz respeito aos repasses milionários de Daniel Vorcaro a pretexto de financiar o filme Dark Horse, outro trata da suspeita de lavagem de dinheiro com o advogado Willer Tomaz. 

Caso tivesse vencido a eleição, Flávio estaria a salvo, ao menos temporariamente, já que presidentes não podem ser investigados por fatos anteriores ao exercício do cargo. Mas ele não venceu – e, pela primeira vez em 24 anos, ficará sem mandato a partir de fevereiro — e também sem o foro privilegiado, podendo ser processado na Justiça comum. 

Enquanto a própria direita titubeia em comprar sua narrativa de perseguido político, reportagens da piauí mostram que Flávio tinha outras preocupações ao fugir do país. Ele é dono de um longo currículo de investigações criminais, movimentações financeiras suspeitas e conexões duvidosas. Alguns casos ficaram no passado, arquivados pela Justiça, embora nunca tenham sido esclarecidos. Outros são recentes e poderiam complicá-lo. Todas as suspeitas couberam na bagagem para os Estados Unidos.




O escândalo Master


A reportagem Em cartaz, a caixa preta, publicada em setembro pela piauí, contou como Flávio Bolsonaro se enredou no maior escândalo bancário do país, pedindo a Daniel Vorcaro 24 milhões de dólares a pretexto de financiar um filme sobre seu pai. A apuração do repórter Breno Pires mostra as contradições da versão contada por Flávio – entre elas, o fato de que o banqueiro fez mais repasses do que o senador havia admitido até então.




Os lobistas da vacina


Em julho de 2020, enquanto o país agonizava com mil mortes diárias por Covid, Flávio Bolsonaro embarcou num passeio de lancha patrocinado por lobistas interessados em vender ao governo a vacina Covaxin. O maior atrativo naquele dia não era o churrasco, mas três garotas de programa levadas para agradar o senador. O episódio, revelado esta semana pela piauí, pode ser lido em detalhes na reportagem Uma tarde no lago.




A bet com Willer Tomaz


Uma reportagem da piauí revelou que Flávio é investigado pela Polícia Federal sob a suspeita de ser sócio oculto da Best Bet, casa de apostas criada pelo advogado Willer Tomaz. Os dois se dizem amigos, mas as evidências mostram que a relação extrapola simples laços de amizade. Um exemplo disso é o fato de que os dois dividiam uma conta bancária em nome de uma empresa de Tomaz, que é investigado sob a suspeita de lavar dinheiro do esquema de desvios bilionários de pensões e aposentadorias do INSS.




Emenda para um miliciano


Os vínculos de Flávio com milícias do Rio de Janeiro não são novos. Quando era deputado estadual, ele homenageou o matador Adriano da Nóbrega com uma moção de louvor e empregou sua mãe e sua mulher em seu gabinete. Mais recentemente, no entanto, a piauí revelou que Flávio foi além disso: em 2023, já como senador, enviou uma emenda parlamentar de 200 mil reais para um projeto em área de milícia. O dinheiro atendeu a um pedido de Peixe, um dos homens presos por envolvimento no assassinato de Marielle Franco e que se referia a Flávio como “nosso senador”. Leia aqui a história completa.




Os milhões da rachadinha


O escândalo dos funcionários fantasma de Flávio Bolsonaro resultou, em 2020, numa denúncia que o apontou como chefe de uma “organização criminosa” que desviou 6,1 milhões de reais de dinheiro público. A investigação, no entanto, morreu na praia: foi invalidada em 2021 por decisões do STF e do STJ que anularam provas. Como não foi aberta uma nova apuração desde então, Flávio escapou de dar explicações sobre suas estranhas movimentações financeiras. São perguntas que até hoje continuam no ar. Naquele ano, a piauí publicou uma reportagem que explica ponto a ponto as acusações contra o senador – uma trama repleta de saques em dinheiro vivo, chocolates da Kopenhagen e imóveis comprados a preços inexplicavelmente baixos. Leia aqui.

REPORTAGEM DA ” REVISTA PIAUÍ” ( BRASIL)

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