A REVOLUÇÃO DOS JOVENS E DOS 70 +

Na Europa, os jovens ocupam às ruas para lutar pelo direito constitucional à habitação e contra custo de vida. Na Sérvia, depois de dois anos de manifestações nas ruas, a juventude sérvia derruba o governo autoritário que estava no poder há 13 anos.

•No Brasil, tudo começou no dia em que a mídia brasileira anunciou o resultado das urnas no primeiro turno, mostrando que Flávio Bolsonaro estava praticamente eleito Presidente da República do Brasil, já  que historicamente nenhum candidato anteriormente havia perdido no segundo turno.

•No entorno do candidato oposicionista, se iniciou a luta pelo poder, com a escolha de futuros nomes ministeriáveis e quem ocuparia ás principais pastas no futuro Governo  Flávio Bolsonaro. Estavam convencidos pela história ,pois nunca em uma eleição o candidato superado no primeiro conseguira virar a a eleição no segundo turno.

Nesse mesmo dia, de maneira espontânea, jovens habitantes da cidade de Niterói tomaram ás ruas da cidade em defesa da democracia. Vale lembrar que Niterói está localizada no outro lado da Baia Guanabara, permitindo que seus moradores tenham acesso a tudo que acontece na antiga Capital da República.

•Ninguém melhor do que eles para saber que Flávio era miliciano de carteirinha, ao invés da imagem de estadista que a mídia corporativa disseminara durante toda a campanha.

•O ato dos jovens fluminenses se espalharam pelo país, cidades médias e de médio porte tiveram suas ruas tomadas por multidões. As grandes cidades e capitais , mesmo sob influência das pesquisas eleitorais que, diariamente apregoavam empate técnico entre Lula e Flavio, com vantagem para Bolsonaro, acordaram. E manifestações gigantescas viraram forma de participação popular antes da votação no segundo turno.

•Ser  contra a influência de Donald Trump nas eleições e a favor da democracia passou a dominar o cenário das ruas das cidades brasileiras.

•Gente que nunca teve participação política despertou. Enquanto isso, os institutos de pesquisas continuavam matraqueando que havia empate técnico entre os dois candidatos, que se preparavam para os debates da Band e da Rede Globo.

•Durante o primeiro debate na Band, Flávio seguiu às orientações de Steve Bannon, a mesma usada por Trump contra Hillary Clinton: circular às costas de Lula debochando das palavras que o candidato do Pt dizia. A estratégia deu errado. Em vez de estadista, comportou-se como moleque, na visão do público eleitor.

•No debate da Rede Globo, orientado pelo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, mudou de roupagem. Apresentou-se como um candidato respeitável, mas não conseguiu esconder seu DNA de cafajeste ao debochar da deficiência de Lula em suas mãos, causado por acidente quando ele era metalúrgico e fazendo questão de mostrar que Lula estava velho, demonstração de evidente de preconceito.

••Enquanto isso – os jovens e os brasileiros 70 + – que não tinham a obrigação de votar por causa da idade, deixaram suas casas, primeiramente para comparecer às manifestações de rua, descobrindo que ainda estavam vivos e capazes de se manifestar – e os institutos de pesquisa continuavam divulgando que as pesquisas davam como certo que Flávio seria eleito novamente.

•Cientistas  eleitorais espalhados por inúmeros  institutos sérios e outros por quem paga, nunca deram muita importância ao item abstenção, como se as pessoas fossem apenas números. Foi deste estrato que os 70 + se movimentaram, saíram de casa escondidos dos filhos, enfrentando pressões familiares contrárias, decidido a influenciar o momento político brasileiro. Com isso fizeram história, deixando Lula à frente com 64 milhões de votos e mostrando ao mundo que o Brasil não é para principiantes, como dizia o mestre Tom Jobim

PATRICIO BENTES ” ALLTV” ( BRASIL)

Patrício Bentes é jornalista e sociólogo

←

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *