O BRASIL SE DESPEDE DO PAI DO CINEMA NOVO:LUIZ CARLOS BARREO

Parte Luiz Carlos Barreto, 98 anos, deixando atrás de si o cinema brasileiro em sentimento de orfandade

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Era visto como o pai do Cinema Novo, pois ao produzir, com direção de Roberto Farias, “Assalto ao trem pagador”, já introduzia elementos da realidade social brasileira com toda a sua crueza, suas debilidades. A câmera seguia esses personagens no seu duro cotidiano, no Brasil de verdade, que depois ressurgiria pelas mãos de Glauber Rocha. Ao vir para o Rio de Janeiro ampliar horizontes, hospedou-se na casa do casal Lucy e Luiz Carlos Barreto até ganhar fôlego. Ali era o abrigo da família, mas era também a produtora, centro de discussões sobre a Cultura Brasileira que fervilhava, e lugar de acolhimento.Play Video

Cearense, habilidoso, emocionado e desabrido na medida em que pode ser um homem do seu traquejo e elegância, Barretão, como o chamávamos, atravessou o oceano para não perder a sua Lucy, uma virtuose do piano que acabara de ganhar uma bolsa de estudos no conservatório de Paris. Pressentindo que ela podia lhe escapar, rumou para Paris, onde também se matriculou num curso de produção cinematográfica. Mas como era um homem dos fazeres, não aguentou muito tanta teoria e foi em busca da prática, enquanto trabalhava como fotógrafo para importantes veículos brasileiros.

Cobriu futebol, os bastidores do cinema, e voltou com Lucy para o Brasil, onde fundaram a LC Barreto. Colocou o cinema brasileiro no mundo, com títulos como: “A Dama do Lotação”, é a sétima maior bilheteria da história do cinema brasileiro.

Luiz Carlos Barreto viveu a censura que solapava a sua atividade, na época dos ditadores. Não se fazia de rogado. Em vez de protestos, pegava a sua pasta e ia para Brasília dialogar com os censores, e até com os próprios ditadores, como Geisel, com quem conseguiu se avistar algumas vezes e dizia: “era um sujeito tratável, com quem eu conseguia conversar”.

Seus filhos, que respiraram cinema desde a infância, seguiram seus passos. Fábio se foi, mas em vida conseguiu ter seu filme “O Quatrilho”, indicado a quatro Oscar. Bruno tem intensa produção e reconhecimento, tendo produzido “Bye Bye Brasil”, “O que é isso Companheiro”, e outros tantos. Paula mantém a produtora a pleno vapor, se dedicando aos documentários e séries.

A grande luta de Barretão foi a de transformar o cinema em uma grande indústria, e não apenas entretenimento. Foi ao que se dedicou nos últimos anos de vida. Parte sem ver o seu sonho totalmente realizado, mas teve o gosto de ver o setor revitalizado, pujante, celebrado pelo mundo. Uma vida bem vivida, que nos deixa um legado de extrema importância.

DENISE REIS ” BLOG BRASIL 247″ ( BRASIL)

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