
Jornalista aponta problemas crônicos na cobertura política e desvenda cenários da votação; assista
Luís Nassif, em sua análise sobre a votação de Jorge Messias, destacou que a cobertura política em Brasília sofre de dois problemas crônicos diante de rotações ambíguas. Segundo ele, a imprensa não compreende o jogo por ser muito confuso e, por não ter todos os atores do jogo definidos, parte para um raciocínio dedutivo às avessas. Nassif explicou que, nesse processo, as consequências são definidas primeiro, depois quem se beneficia, e a partir daí a confusão se instala.

O jornalista detalhou a votação do caso Jorge Messias, dividindo cada cenário entre agentes, beneficiados e alvos. No primeiro cenário, a votação bloqueou a CPI do Master, o que, de acordo com Nassif, fez parte de um acordo. Os agentes diretos beneficiados seriam os deputados do Centrão, que teriam interesse em evitar investigações no sistema financeiro. Como beneficiados colaterais, ele citou Alexandre de Moraes e Toffoli, cujas disposições no ecossistema do Master ficariam fora do alcance parlamentar. Nassif ressaltou que, embora não tenham articulado o bloqueio, eles agradeceriam o resultado.
O segundo cenário, conforme a análise de Nassif, envolveu o avanço na redução de penas dos condenados de 8 de janeiro. Os agentes seriam Flávio Bolsonaro e o núcleo familiar e central, e os alvos seriam Alexandre de Moraes e o Supremo, cuja autoridade sobre as condenações seria diretamente contestada.Play Video
Em um terceiro cenário, Nassif apontou a abertura para o impeachment de ministros do Supremo. Ele afirmou que essa votação empoderou o Congresso, dando-lhe força para ousar o impeachment de ministros do Supremo. Os principais alvos seriam Gilmar, Moraes e Toffoli, e por tabela o governo Lula, que dependeria do Tribunal.
O quarto cenário, segundo Nassif, seria a escalada do impeachment como instrumento político. Os agentes seriam Flávio Bolsonaro e o Centrão, que teriam transformado o impeachment em moeda de negociação permanente, sem necessariamente querer executá-lo. Os alvos seriam o governo Lula e os ministros mais expostos do Supremo Tribunal Federal.
Por fim, Nassif descreveu um quinto cenário de desequilíbrio no Supremo, com o grupo majoritário liderado por Gilmar, Flávio Dino e Alexandre supostamente perdendo a maioria. Os agentes seriam André Mendonça e o Centrão, e os alvos seriam Moraes, Gilmar e Flávio. Nassif questionou essa versão, lembrando que Gilmar e Flávio Dino apoiaram publicamente a indicação de Jorge Messias.
O jornalista também refutou a versão de que Alexandre de Moraes teria pretendido retaliar o governo Lula pelo não apoio quando a Lava Jato começou. Ele argumentou que essa teoria não explica o fato de que o fortalecimento do Centrão ameaça diretamente o cargo de Moraes como ministro, nem o fato de que a derrubada do veto da dosimetria é uma investida contra ele próprio, principal responsável pelas sentenças aos amotinados de 8 de janeiro. Nassif concluiu que, para quem quiser desentender o momento, basta ler as análises sobre o episódio.
Assista:
LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” (BRASIL)