A VERGONHOSA MATÉRIA DA FOLHA SOBRE OS 10 ANOS DO IMPEACHMENT DE DILMA

Jornal faz revisionismo histórico ao classificar impeachment como tese petista, ocultando a influência de Sergio Moro na queda

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Às vésperas do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff completar 10 anos, o jornal Folha de S. Paulo decidiu publicar uma matéria que beira uma tentativa vergonhosa de fazer revisionismo histórico com o episódio que levou à derrubada da primeira mulher eleita presidente da República neste país. Na reportagem divulgada na noite de quarta (15), Folha tratou o golpe parlamentar como uma “tese petista” e forçou a caneta na teoria das pedaladas fiscais como justificativa plausível para a cassação.

Na história contada pela Folha, Dilma caiu simplesmente porque era uma “mulher dura”, porque tinha pouco apoio no Congresso, porque não soube lidar com os protestos populares nas jornadas de 2013 e porque tomou decisões erradas na economia. Para “mascarar” esses resultados ruins e tentar segurar sua popularidade, ela teria recorrido às pedaladas fiscais. A pauta-bomba implementada no Congresso pelo Centrão e a vendeta de Eduardo Cunha contra o governo da petista ganharam menções rápidas.

Como papel aceita tudo, o jornal preferiu induzir o leitor mais desavisado a acreditar, 10 anos depois, que a ex-presidente caiu quase que por conta própria. Curiosamente, nenhuma linha foi escrita sobre como a Lava Jato — com apoio da própria Folha e outros jornais da grande mídia — foi crucial na formação da tempestade perfeita que resultou no golpe contra Dilma.Play Video

Na história contada pela Folha, Dilma caiu simplesmente porque era uma “mulher dura”, porque tinha pouco apoio no Congresso, porque não soube lidar com os protestos populares nas jornadas de 2013 e porque tomou decisões erradas na economia. Para “mascarar” esses resultados ruins e tentar segurar sua popularidade, ela teria recorrido às pedaladas fiscais. A pauta-bomba implementada no Congresso pelo Centrão e a vendeta de Eduardo Cunha contra o governo da petista ganharam menções rápidas.

Como papel aceita tudo, o jornal preferiu induzir o leitor mais desavisado a acreditar, 10 anos depois, que a ex-presidente caiu quase que por conta própria. Curiosamente, nenhuma linha foi escrita sobre como a Lava Jato — com apoio da própria Folha e outros jornais da grande mídia — foi crucial na formação da tempestade perfeita que resultou no golpe contra Dilma.Play Video

É de se perguntar, ainda, o que aconteceu com a memória dos editores da Folha, que deixaram de lado os diálogos do ex-senador Romero Jucá, obtidos com exclusividade pelo próprio jornal, dizendo que o impeachment de Dilma seria parte de um “pacto” para “estancar a sangria” provocada pela Lava Jato. Era “preciso botar o Michel [Temer], num grande acordo nacional”. “Com o Supremo, com tudo”. As pedaladas eram apenas pretexto, um verniz de legalidade.

Folha também marginalizou pesquisas encomendadas ao Instituto Datafolha. Em todas elas, o principal motivo apontado pelos brasileiros favoráveis à saída da então presidente era a imagem do governo estar associada à corrupção. Questões econômicas ficaram em segundo plano. O Brasil foi contaminado pela ideia de que era preciso tirar o PT do poder a qualquer custo. Essa imagem de governo corrupto foi construída sob a batuta de Sergio Moro, que só fez tudo que fez justamente porque jornais como Folha serviram de correia de transmissão dos interesses da Lava Jato (e dos seus próprios interesses, afinal).

Nada que surpreenda, vindo que um jornal que levou 50 anos para fazer um mea culpa a respeito do apoio à ditadura militar. Ninguém espera mesmo que Folha faça uma autocrítica sobre seu papel na Lava Jato, no golpe contra Dilma e na ascensão da extrema-direita (e todas as consequências disso) em apenas 10 anos.

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

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