50 ANOS DO GOLPE MILITAR NA ARGENTINA: LIVROS QUE RESGATAM A MEMÓRIA E ANALISAM A DITADURA

O aniversário do golpe de Estado motivou diversos lançamentos importantes: pesquisas, depoimentos e obras de ficção que revisitam o passado para garantir que não nos esqueçamos do que nos aconteceu.

Os estudos históricos exigem distanciamento para uma melhor compreensão dos fenômenos políticos e sociais. É por isso que, nos últimos anos, foram publicados excelentes livros analíticos sobre o período de 1976 a 1983 , que traçam um panorama mais completo da época, com base na riqueza de testemunhos produzidos desde o fim da ditadura e no surgimento de pesquisas que fornecem novos dados.

Por outro lado, continuam a ser produzidos volumes valiosos nos campos do testemunho e da ficção , prova de como a ditadura se tornou indelével na memória dos argentinos.ANÚNCIO

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Segue uma lista dos lançamentos mais recentes . A maioria são primeiras edições. Não incluímos os excelentes livros publicados nos últimos anos. Esta lista tem como objetivo apenas adicionar material novo aos clássicos já existentes sobre o assunto.

Corrupção e ditadura

 

Estudos acadêmicos e pesquisa

Corrupção e ditadura. Acusar, perseguir, disciplinar: a construção do inimigo interno.

Martín Astarita. (FCE)

A campanha anticorrupção do governo militar foi uma estratégia para acusar e prender membros do movimento peronista em declínio. Neste livro, Martín Astarita analisa como essa campanha foi orquestrada para criar um inimigo interno que atendesse aos interesses da ditadura.

Como a ditadura governava

Como a ditadura governava. Facções, instituições e políticas no Processo de Reorganização Nacional (1976-1983).

Alejandro Bonvecchi e Emilia Simison. (Edhasa)

Uma investigação sobre a Comissão Consultiva Legislativa (CAL), órgão que funcionava à semelhança do Poder Legislativo para dar apoio jurídico às Forças Armadas.

Confissões do Estado

Confissões de Estado. A estratégia da ditadura em relação à Igreja argentina, 1976-1983.

Luis O. Liberti e Federico Tavelli. (Edhasa)

Um excelente estudo de documentos que detalham a relação entre as juntas militares e a hierarquia da Igreja. Os autores analisam a estratégia pela qual a ditadura conseguiu contornar as demandas do episcopado e atrasar sua resolução.

Laura

Laura. Vida, ativismo e a busca na família Carlotto

Maria Eugenia Ludueña. (Maria)

Este livro conta a história de Laura, filha de Estela de Carlotto, e a longa jornada que Estela empreendeu desde o início de sua busca até se tornar o símbolo de resistência e coragem que representa para os argentinos hoje. Esta nova edição completa o ciclo com a história de seu reencontro com o neto.

O olho do furacão

O olho do furacão. Víctor Basterra, o fotógrafo que expôs os perpetradores do genocídio.

Pablo Corso (Marea)

A história do fotógrafo que vazou fotos do interior da ESMA durante seu cativeiro. O material recuperado foi crucial para processar os repressores e descobrir o paradeiro das vítimas sequestradas.

História da última ditadura

História da última ditadura militar

Gabriela Águila (século 21)

É um dos livros mais completos já escritos sobre a ditadura, abordando todos os aspectos do governo militar, da repressão e da economia ao cotidiano e aos eventos que levaram ao seu fim. Esta é a terceira edição desta pesquisa.

Olimpo

Testemunhos e ficção

Olimpo

Blás Matamoro. (Blatt & Rios)

Foi o primeiro livro proibido pela ditadura e destruído por ordem do Exército. Seus ensaios exploram os cenários da década de 1970 com ironia e espírito crítico. De Robledo Puch a Guillermo Vilas, as principais figuras da época aparecem em suas páginas. Matamoro vive em Madri desde seu exílio em 1976.

Dissemos: Nunca mais.

Dissemos: Nunca mais.

Vários autores. (Maré)

Um grupo diversificado de intelectuais, políticos e artistas foi reunido por Constanza Brunet e Debret Viana para testemunhar o seu “nunca mais”. O prólogo é de Taty Almeida e Adolfo Pérez Esquivel. Liliana Heker, Daniel Santoro, Alejandro Horowicz, Mempo Giardinelli, Gustavo Sylvestre e muitos outros participaram do projeto.

Raquel Robles

Organização vence o tempo.

Raquel Robles. (FCE)

Um romance estruturado em seis histórias, escritas na prisão, pelas vozes daqueles que foram encarcerados durante a ditadura militar. Robles é fundador da HIJOS e ativista de direitos humanos.

Assunto da memória

Questões de memória. 13 histórias inéditas 50 anos após o golpe.

Victoria Torres (Compiladora). (Emecé)

Um grupo de escritores cujas vidas foram marcadas pelo desaparecimento dos pais ou pelo exílio escreveu histórias comoventes inspiradas em objetos que simbolizavam ausência e distância. Félix Bruzzone, Marta Dillon, Mauro Libertella, Mariana Eva Pérez e Ángela Urondo Raboy, entre outros, estão incluídos no volume, que conta com um prólogo de Claudia Piñeiro.

Era uma vez um pátio

Era uma vez um pátio

Ana Julia Bonetto e Martín Bonetto (Planeta)

Os irmãos Ana Julia e Martín Bonetto reconstroem a vida de seus pais, assassinados pela ditadura, numa arqueologia da memória, seguindo os vestígios que eles deixaram em sua memória.

ADRIANA LORUSSO ” NOTÍCIAS” ( ARGENTINA)

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