A JOGADA MASTER DE KÁSSIO NUNES MARQUES

Encurralado por investigações, ministro do STF aposta na eleição de Flávio Bolsonaro e no impeachment de Moraes

Por suposto, Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) nomeado por Jair Bolsonaro e, no momento, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), só enxerga um caminho para salvar a própria pele depois de descobertas suas ligações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, o protagonista do maior escândalo financeiro da história do Brasil: ajudar Flávio Bolsonaro a derrotar Lula no dia 25.

Daí ter vetado, em junho, a divulgação de pesquisa que apontava queda nas intenções de voto em Flávio. Daí, no último domingo (11), a pedido da campanha de Flávio, ter determinado a suspensão do canal de WhatsApp “Exército de Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), acusado de disseminar notícias falsas. O pedido, segundo a área técnica do tribunal, carecia de provas.

Caso alcance seu objetivo, o ministro não parará por aí. O passo seguinte será julgar a ação que pede a soltura de Bolsonaro pai por meio de uma decisão liminar. Se lhe faltar ousadia para tal, levará a ação para julgamento no plenário do TSE, onde espera contar com a maioria dos votos a seu favor. Com Flávio eleito e o pai dele em liberdade, a obra de Nunes Marques estará completa – ou quase.

De camarote, assistirá à abertura, pelo novo Senado, do processo de impeachment do seu colega Alexandre de Moraes, considerado o algoz da primeira família presidencial brasileira, devolvida ao poder pela segunda vez. Se a cabeça de Moraes rolar, levando-se em conta o que manda o regimento do STF, Nunes Marques assumirá a presidência do tribunal em setembro de 2027. Obra concluída.Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

O STF adota uma tradição histórica em que o plenário elege como presidente o ministro mais antigo que ainda não tenha exercido o cargo. Na atual linha de sucessão, o ministro Edson Fachin é o presidente (com mandato até setembro de 2027) e Alexandre de Moraes é o atual vice-presidente, sendo, portanto, o próximo natural da fila para assumir o comando da Corte.

Se o Senado aprovar o impeachment de Moraes, ocorre a vacância definitiva de sua vaga e a consequente perda de seus direitos políticos e de suas funções. Sem Moraes na composição da Corte, ele é removido da linha de sucessão. Como os ministros que entrou antes de Nunes Marques já presidiram o STF no passado, ele passa a ser o próximo magistrado mais antigo que ainda não ocupou a presidência.

As ligações entre Nunes Marques e Vorcaro, hoje preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, surgiram a partir de relatórios e mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro. A investigação aponta para uma rede de influência que envolveria decisões judiciais milionárias favoráveis a Vorcaro e vantagens pessoais obtidas em troca pelo ministro. Nesse aspecto, há de tudo.

Entre os episódios citados estão mensagens que mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil associados ao filho do ministro, Kevin de Carvalho Marques; uma hospedagem em uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025; e uma viagem de avião particular de Brasília a Maceió, em novembro daquele ano, custeada por uma advogada que atuava para o Banco Master.

Quem mexerá com Nunes Marques se Flávio suceder a Lula? É bom lembrar que foi Flávio quem apresentou Nunes Marques ao pai. Se as ligações com Vorcaro depõem contra o ministro, por que não depõem da mesma maneira contra um candidato a presidente investigado pelo STF pelos crimes de evasão de divisas, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa?

“Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”, como disse nos anos 1960 o jornalista, escritor e humorista carioca Sérgio Porto, sob o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta.

RICARDO NOBLAT “METRÓPOLIS” ( BRASIL)

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