
Morreu de um ataque cardíaco fulminante enquanto corria atrás de um assaltante que havia roubado o celular de outra pessoa.
O jornalista Márcio Chaer, que morreu tragicamente hoje, era um cultivador de amigos. Nossa amizade começou em um episódio que revelou também sua generosidade profissional.

Eu havia denunciado as manobras do consultor-geral da República, Saulo Ramos. Ele encaminhou um pedido de denúncia ao procurador-geral da República, Sepúlveda Pertence. O caso foi submetido a um procurador, que opinou pelo arquivamento. Sepúlveda, então, encaminhou a denúncia a outro procurador.
Na época, Márcio cobria a Justiça pela Folha. Foi ele quem me passou a informação que me levou a Brasília, onde confrontei Sepúlveda durante um intervalo da sessão do Supremo Tribunal Federal.Play Video
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A partir daí, tornamo-nos amigos para a vida inteira. Ao vasculhar minhas fotos antigas, encontro Márcio em várias rodas de música, em diferentes bares, muitas vezes ao lado do nosso inesquecível José Roberto Alencar, o Zé Grandão. São registros de uma convivência que ia muito além do jornalismo.
Anos depois, criei uma carta jurídica semanal, que teve vida curta. Na sequência, Márcio lançou o Consultor Jurídico. Em pouco tempo, fez dele a principal referência do setor. Seus anuários também se tornaram referências sobre o Poder Judiciário, com lançamentos no Supremo Tribunal Federal.
Márcio tornou-se amigo de ministros e um assessor influente. Mas a proximidade com o poder não o afastou dos amigos nem do jornalismo. Continuou solidário, colocando as páginas do Consultor Jurídico à disposição das grandes causas.
Morreu de um ataque cardíaco fulminante enquanto corria atrás de um assaltante que havia roubado o celular de outra pessoa.
Ficam a obra que construiu e as lembranças do amigo que nunca deixou de ser.
LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)