TRÊS CENÁRIOS PARA A PRESIDÊNCIA ARGENTINA

a última página do PROFILE, no final da semana passada, a manchete “Aconteceu alguma coisa”, após a derrota simbólica da candidatura de Lei da Terra, só serviu para confirmar isso nos dias seguintes. Com a velocidade de um raio, Javier Milei passou à reeleição no primeiro turno, há algumas semanas, e não havia garantia de que sua candidatura estaria entre as duas que avançariam para o segundo turno, independentemente do cenário.

Esses projetos extremos refletem a natureza bipolar da relação entre presidentes e suas sociedades, que caracteriza nosso país. Uma abordagem mais razoável seria considerar três cenários macroeconômicos, partindo de duas combinações alternativas que emergem.

Cenário um. Que o plano econômico do governo consiga atingir seu objetivo eleitoral com algum benefício concreto na vida da maioria dos eleitores e que, ao mesmo tempo, o candidato peronista não consiga se distanciar, ou sequer se distanciar suficientemente, da imagem negativa gerada por Cristina Kirchner como símbolo do kirchnerismo, e Milei seja reeleito no segundo turno.As autoridades não são dissociativas.A prática do jornalismo profissional e crítico é um pilar fundamental da democracia. Portanto, incomoda aqueles que acreditam possuir a verdade.Hoje, mais do que nunca.

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Cenário dos. Que o plano econômico do governo chegue às eleições sem bênçãos concretas na vida da maioria dos eleitores e que a atual agitação social continue, mas sem chegar a um colapso econômico, e que surja com a oportunidade de fornecer uma candidatura que mantenha o rumo econômico com correções, oferecendo como melhoria um presidente sem os defeitos pessoais de Milei, seja da coligação que formou o Cambiemos/Together for Change ou de uma aliança similar de centro com peso específico não interno.

Cenário três. Que o plano econômico do governo piore a qualidade de vida dos eleitores, caso em que a crescente agitação social leve a maioria dos eleitores a preferir não um líder moderado do mesmo modelo econômico, mas um modelo econômico diferente, e o anti-Kirchnerismo de 2023 se transforme em anti-Mileísmo de 2027, e um candidato peronista vença o segundo turno.

Três por três. Esses três cenários são amplificados e combinados por: 1) a existência ou não de eleições primárias, 2) a união ou não do peronismo e do antiperonismo e 3) a realização ou não de eleições separadas por todas as províncias e a cidade de Buenos Aires, que não são obrigadas a fazê-lo por sua própria constituição – antecipadas.

Caso as primárias nacionais fossem mantidas, o calendário eleitoral seria antecipado em dois meses, com outubro passando para agosto. Além disso, se as eleições locais fossem realizadas separadamente — ou seja, antecipadas — nas províncias que também realizam primárias locais, o calendário seria antecipado em mais dois meses.

Ao mesmo tempo, se o peronismo estivesse unido, como pareceu indicar o encontro de quarta-feira à noite entre Kicillof, Massa, Máximo Kirchner e outros governadores e líderes de blocos parlamentares, seria mais difícil para o PRO liderar a construção de um Juntos por el Cambio 2.0, pois se aplicaria o axioma sociológico de que os grupos se unem diante de ameaças externas. Um cenário de polarização contra um peronismo que aspirasse a alcançar 40% dos votos levaria imediatamente os setores de centro-direita a unirem forças com o LLA.

A importância de forças extremistas, como o nacionalismo de Victoria Villarruel e o anticapitalismo de Myriam Bregman, não deve ser subestimada; juntas, elas poderiam alcançar dois dígitos em apoio. Ambas estão sendo tentadas a aderir à polarização, e no caso de Bregman, essa tentação já foi oficialmente oferecida por José Mayans, chefe dos senadores peronistas, que, após participar da reunião peronista da última quarta-feira, ofereceu publicamente à líder do Partido Socialista Operário a oportunidade de se filiar e concorrer nas primárias.

Por fim, há o fator do candidato de fora: o concorrente mais consistente, Jorge Brito, tem muito a perder, visto que dirige um dos principais bancos e empresas de energia do país, além de empreendimentos imobiliários e agrícolas. E há também o já mencionado Daniel Hadad e aquele que começou com grande ímpeto no ano passado, mas agora está praticamente ausente, o pregador neopentecostal Dante Guebel.

Vale ressaltar que, no período que antecedeu as eleições, em agosto do ano anterior à votação, personalidades da mídia figuravam como potenciais candidatos que, ainda não confirmados, não se candidataram. Em agosto de 2018, o candidato escolhido foi Marcelo Tinelli, que conseguiu 17% dos votos nas apurações. Mais atrás, quando Néstor Kirchner foi eleito com apenas 22% dos votos, a celebridade da época era Nito Artaza, que anos depois se tornou senador pela província de Corrientes.

Retomando os três cenários, o que mudará será a lógica por trás da votação. Se a economia do governo melhorar, o argumento será para apoiar Milei e rejeitar o Kirchnerismo. Se a economia do governo não melhorar, o argumento será para manter o rumo atual com um líder mais civilizado. Se a economia do governo melhorar, o argumento será para uma mudança de direção.

A economia será sempre o fator decisivo; no segundo século, a estética sintetizada nos fracassos cívicos e republicanos de Milei pode ser usada como desculpa.

Aconteceu algo na semana passada que antecedeu o ano eleitoral, que em circunstâncias normais teria começado em dezembro. Da mesma forma, algo acontecerá em dezembro; a confirmação ocorrerá quando o calendário e o método eleitoral forem finalizados.Aproveite nossa newsletterReceba todas as notícias, reportagens e análises diretamente no seu e-mail, enviadas por nossos jornalistas e editores especializados.

JORGE FONTEVECCHIA ” PERFIL” ( ARGENTINA)

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