A BET DOS JORNALÕES: QUEM VAI DERRUBAR ALEXANDRE DE MORAES

“O colunismo justiceiro viciado em lavajatismo acha que, se ajudou a golpear Dilma e a encarcerar Lula, pode acabar com o ministro do STF”, escreve Moisés Mendes

A mais previsível das apostas, porque se repete desde  o golpe contra Dilma e da tentativa de golpe contra Lula, indica que a extrema direita fará nova afronta ao Supremo. Pode ser amanhã e em qualquer circunstância que permita ao bolsonarismo desafiar as autoridades. Play Video

Eles testarão os que cuidam ou deveriam cuidar dos bons modos eleitorais e também das restrições aos movimentos do chefe golpista condenado e transformado em caseiro da própria família.

Aconteceram três afrontas recentes, com a carta aos brasileiros, em que Bolsonaro pede apoio ao filho ungido, o vídeo com o avatar apresentado na convenção do PL em São Paulo e mais o vídeo com discurso em áudio de Bolsonaro, sábado na convenção estadual do partido em Santa Catarina.  

Bolsonaro parece ser uma figura passiva dessas ações que mantêm o ambiente da política sempre tensionado. Ele estaria apenas sendo usado para que as afrontas ao STF e ao TSE ganhem forma. Todos do seu entorno familiar – Michele e os filhos dele – produzem discursos e fatos políticos, enquanto o chefe fica em casa envolvido com a solidão do que lhe resta da condição de mito.

Mas há outra aposta, derivada dessa da próxima afronta, que envolve o principal afrontado. Há na grande imprensa a intensificação das abordagens sobre a hipótese de impeachment de Moraes.

Setores do colunismo lavajatista, mais do que da reportagem dos jornalões, competem para saber quem irá empurrar o ministro para a ponta da peixeira do fascismo. Há uma certa excitação entre os que se dedicam a produzir indícios de que Moraes será derrubado.

É a bet da grande imprensa, que já viciou colunistas de grande porte do mundo do palpite, da cartomancia e da intriga nos jornalões. Eles vêm anunciando: feitas as contas sobre a maioria de direita e extrema direita no Senado, a ser alcançada na eleição de outubro, é só esperar pelo cerco ao ministro que o bolsonarismo pretende tirar do STF.

Não é uma hipótese, é a certeza de quem joga todas as fichas em outra bet, a bet do Valdemar, encarregado pela direita de ir contabilizando votos possíveis e projetando os eleitos para o Senado. 

Pelas contas de Valdemar, publicadas na coluna de Thaís Oyama no Globo, o PL poderá eleger  20 novos senadores. Como já tem oito, terá uma bancada de 28. Conseguindo apenas 13 votos do resto da direita, teriam os 41 votos para controlar o Senado com segurança. A partir daí, dariam um jeito de chegar aos dois terços que levariam ao impeachment de ministros do Supremo.   

Valdemar, o homem do dinheiro vivo e das emendas, deve dizer, é claro, que apenas faz as contas. É apenas o ábaco dos parceiros do centrão e do extremão, porque não quer problemas com o STF. E se suas projeções não derem tão certo?

A matemática do Valdemar alimenta as probabilidades e as bets dos jornalões. A primeira bet apenas indica o que deve acontecer com a composição do Senado sob controle absoluto da direita anti-Lula. E a segunda bet é a que acolhe apostas sobre quem derruba Moraes no Globo, na Folha e no Estadão.

O jornalista que oferecer contribuição decisiva para a derrubada de Moraes ficará na história da grande imprensa como aquele que venceu o ministro invencível. E considerando ainda que em 2027 ele assume a presidência da Corte. 

É o lavajatismo que se recicla e se renova, porque ficou difícil se livrar do vício justiceiro que ainda é cheirado nas grandes redações. Derrubar Moraes parece ser um troféu de barro para o jornalismo, mas vem sendo bastante disputado. Só falta a bet contra Moraes ter a organização de Gianni Infantino, dentro do modelo mafioso da Fifa.

MOISÉS MENDES ” BLOG BRASIL 247″ (BRASIL)

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *