AS DÚVIDAS QUE PERMANECEM NA LAVA JATO 2

A ofensiva da PF obedeceu a um receituário manjado: encontrou dólares e espalhou pelo cenário para aumentar a sensação de quantidade.

No artigo “O 2o Tempo da Lava Jato: o caso Jaques Wagner” procurei expor, didaticamente, a estratégia da Polícia Federal lava-jatista nessa tentativa de transformar o caso Master na Lava Jato 2.

Passo 1 – derrubar Dias Tofolli da relatoria do caso, garantindo um pacto com o sucessor.

Passo 2 –  o pacto com André Mendonça ficou nítido no primeiro dia, com a autorização para a quebra do sigilo bancário de Fábio Luiz Lula da Silva.Play Video

Passo 3 –  simultaneamente uma guerra contra o Supremo Tribunal Federal, para cortar-lhe as asas. Durante o primeiro mês, parecia que a Lava Jato era um caso de Fábio Luiz e dos dois Ministros do STF – Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Essa estratégia produziu excrescências, como ignorar políticos claramente identificados com o Master e tentar livrar o Conselho de Administração do BRB – atribuindo a compra da carteira do Master a uma suposta pressão do diretor de fiscalização do Banco Central, que nunca ocorreu.

Estratégia foi interrompida pelo vazamento do áudio da conversa de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro – que não saiu pelo Globo nem por nenhum dos canais de vazamento da PF lavajatista.

Passo 4 – uma investida contra os caciques do Centrão envolvidos com o caso Master, mas sem chegar perto de nenhuma pessoa diretamente ligado a Bolsonaro.

Passo 5 – recuperada a credibilidade perante a mídia – e é mais fácil a mídia se “render” aos apelos da fonte do que uma donzela resistir aos encantos de Tom Cruise -, avançar sobre o núcleo do PT.

A ofensiva da PF

A ofensiva da PF obedeceu a um receituário manjado. Encontrou dólares no apartamento de Jaques Wagner – segundo ele, proveniente das viagens que fez – e espalhou pelo cenário para aumentar a sensação de quantidade.

Caso Wagner

Foi a mesma encenação do Caso Lunus, pelo qual a PF ligada ao Ministro da Saúde José Serra derrubou a candidatura de Roseana Sarney.

Caso Lunus

Ou do chamado “caso dos aloprados”.

Os aloprados

Ou ainda o caso do sequestro de Abilio Diniz

sequestro de Abilio Diniz

As dúvidas que permanecem

A dúvida que fica é sobre a origem do vazamento do diálogo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

As imagens foram levantados pela perícia da PF. No entanto, o vazamento não se deu pelos canais normais – especialmente Globo e Veja. Em vez disso foi pelo The Intercept.

Há algumas hipóteses e uma certeza em relação a esse episódio:

A certeza – o Ministro André Mendonça, que autorizou todos os vazamentos da operação, não autorizou o vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro.

Hipótese 1 – um membro da operação, contrário ao silenciamento, tomou a iniciativa de vazar por outro canal.

Hipótese 2 – o comando informal da operação decidiu driblar André Mendonça, providenciando um vazamento a um veículo não-lavajatista.

As certezas que permanecem

A única certeza desse jogo é a enorme ingenuidade do chamado jornalismo independente em relação a essas pautas morais da direita – mais velhas do que o suicídio de Vargas e que a Sé de Braga.

Ainda mais nesses tempos em que o julgamento de cada veículo é instantâneo, vamos salvar nossas peles e engrossar o coro do punitivismo.

Espera-se que o grosso da imprensa passe a exigir o óbvio: os mesmos procedimentos que atingiram Jaques Wagner e outros senadores, chegue até Flávio Bolsonaro, o único sobre o qual existem provas factuais de pedidos de dinheiro a Vorcaro.

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

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