EUGÊNIA GONZAGA: ” A DITADURA MATOU JK”

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu oficialmente que o ex-presidente Juscelino Kubitschek não morreu em decorrência de um acidente de trânsito em 1976, mas sim de uma ação planejada pelo Estado ditatorial. Em entrevista exclusiva à TV GGN, a procuradora Eugênia Gonzaga, presidente do colegiado, detalhou como uma robusta investigação de mais de 4.000 páginas invalidou os laudos oficiais da época, revelando que o cenário do desastre rodoviário foi forjado para eliminar uma das maiores lideranças civis do país no momento em que ele recuperaria seus direitos políticos. Durante a entrevista, Eugênia revelou os bastidores da produção de provas mentirosas pelo regime militar, que incluíram o espancamento deliberado da traseira do veículo de JK na delegacia para simular uma colisão. A farsa histórica custou também a reputação de Josias Nunes de Oliveira, o motorista do ônibus Cometa injustamente responsabilizado pela tragédia ao longo de décadas. O caso, ignorado em relatórios anteriores como o da Comissão Nacional da Verdade devido ao uso de peritos ligados ao próprio aparato de repressão, agora ganha contornos definitivos de conspiração e assassinato político. Além do caso JK, a procuradora fez um balanço contundente das recentes diligências da comissão pelo Nordeste brasileiro, onde a entrega de certidões de óbito retificadas expõe a face mais brutal e invisibilizada da ditadura no interior do país. Para Eugênia Gonzaga, o resgate sistemático dessas memórias e a abertura de arquivos ainda ocultos são passos fundamentais para que o Brasil encare sua justiça de transição e interrompa uma histórica “verdade a conta-gotas”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *