SABESP E COMGÁS EXPLODEM 36 CASAS NO JAGUARÉ E TARCÍSIO NÃO É COBRADO

A “obra” do momento da Sabesp é a explosão do Jaguaré. Tarcísio segue emplacando a imagem de gestor, ao menos para a Folha e o Estadão

Às 9h30 da terça-feira 12 de maio, este jornalista buscava nas páginas principais dos sites da Folha de S. Paulo e de O Estado de S. Paulo as informações atualizadas sobre a explosão ocorrida na véspera no bairro paulistano do Jaguaré, de grandes proporções, que deixou um morto, atingiu 36 imóveis e desalojou 160 pessoas. Encontra descrições sobre o alcance da fatalidade e alguns questionamentos técnicos sobre suas razões. Não encontra uma linha sequer cobrando o governador Tarcísio de Freitas sobre a absoluta incompetência das empresas responsáveis pela tragédia – Sabesp e Comgás.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9

Fosse Fernando Haddad, por exemplo, governador de São Paulo, como os atabloidados jornalões dirigir-se-iam a ele? Certamente, a pontapés. Com o privatista Tarcísio, bolsonarista incompetente disfarçado de gestor, essa imprensa cínica opta por uma espécie de rigor protocolar. O argumento de que invocar o tema da privatização ideologiza um acidente de natureza técnico-gerencial nada mais é do que fugir ao aprofundamento do problema.

O mestre Cláudio Abramo, maior jornalista que este país já viu, dizia que o repórter pode descrever um buraco de rua como consequência da erosão do solo e da precária manutenção do encanamento subterrâneo – e estará dizendo a verdade. Mas pode acrescentar, para sorte dos seus leitores, que a manutenção do encanamento subterrâneo era precária porque a empresa responsável pagava altos dividendos aos seus acionistas e não investia na troca das tubulações antigas.

A Comgás foi privatizada pelo governador tucano Mário Covas no fim dos anos 1990. Hoje, pertence ao grupo brasileiro Compass, ligado à Cosan. Executa serviço de natureza pública mediante regulação e fiscalização estatal, por meio da Arsesp, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo.  Os índices de satisfação da população paulistana com os serviços da Comgás são positivos. Já a Sabesp é uma aberração tarcisiana.

Tarcísio de Freitas pouco teve de responder pela privatização da estatal paulista de águas e esgoto, questionada por 50 ações judiciais. À época, estarreceu a forma como foi assimilada a nomeação de Karla Bertocco Trindade para presidir o Conselho de Administração da empresa privatizada, já que ela integrava o Conselho da Equatorial, empresa que arrematou a estatal – aliás, sem concorrentes. O preço de venda por ação foi cerca de R$ 67,00, enquanto o valor justo estimado seria R$ 103,90.

O fato até seria justificável, com muito boa vontade, se os serviços oferecidos à população dessem um salto de qualidade. Mas o salto foi em profundidade, para dentro de um poço de incompetência.

Alguns feitos da nova Sabesp são inesquecíveis, como a cratera aberta na Marginal Tietê por causa de uma fissura em um poço de inspeção de esgoto a 18 metros de profundidade, agravada por sobrecarga nos sistemas de drenagem durante chuvas intensas. O motivo foi mesmo falta de manutenção. A empresa chegou a culpar os moradores por uso inadequado do sistema de esgoto.

A Freguesia do Ó também ganhou, em 2025, uma cratera para chamar de sua, como já escrevemos neste espaço, devido a vazamento na rede de abastecimento de água. A Sabesp desculpou-se e interrompeu o fornecimento de água para obras de reparo.

Paralelamente, foram reportadas contaminações acima dos padrões em reservatórios, como na represa do Guarapiranga, expondo à saúde pública a riscos graves. A Sabesp foi multada por despejar esgoto na represa. Como resposta, oportunisticamente, lançou um tal programa “Nossa Guarapiranga”, orçado em R$ 2,57 bilhões e com conclusão prevista para 2029.

A “obra” do momento da Sabesp é a explosão do Jaguaré. Tarcísio segue emplacando a imagem de gestor, ao menos para a Folha e o Estadão. Aguardam-se editoriais inspirados.

PAULO ARANTES ” BLOG BRASIL 247″ ( BRASIL)

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