
Atriz de personagens marcantes, ela ganhou um Oscar e mora na Califórnia cuidando de suas filhas.
Primeiro foram amigos, depois amantes e, contra todas as expectativas, tornaram-se um dos casais mais duradouros de Hollywood. Joanne Woodward (96) e Paul Newman se conheceram em 1953. Como costuma acontecer em comédias românticas, foi um encontro casual. Era um dia muito quente e ela buscou refúgio no escritório de seu agente. Lá, conheceu um homem com enormes e encantadores olhos azuis. Ele usava um terno risca de giz, o cabelo estava impecavelmente penteado e a pele era perfeita. “À primeira vista, achei-o um tanto estranho; ele brilhava como um comercial de refrigerante gelado, sem uma gota de suor no rosto…”, contou Woodward, divertida, em uma entrevista concedida ao programa Today muitos anos atrás. Em vez de se encantar, aquela perfeição a irritou. Para ela, naquela época, Paul era apenas um rosto bonito. No entanto, ele estava apaixonado. Mas, é claro, Paul era casado com a atriz Jacqueline Witte e tinha dois filhos pequenos… e o relacionamento deles não poderia dar certo.


UMA GAROTA DO SUDESTE
Joanne Woodward nasceu em 27 de fevereiro de 1930, em Thomasville, Geórgia. Desde jovem, sabia que queria ser atriz. Sua mãe era uma grande cinéfila (aos nove anos, levou-a ao Alabama para assistir à estreia de “E o Vento Levou”) e lhe deu o nome em homenagem a Joan Crawford. Depois de se mudar para Greenville, Woodward começou a atuar no teatro local, o Greenville Little Theatre, onde recebeu boas críticas. Ela se formou no ensino médio em 1947 e, embora um professor de teatro a incentivasse a se mudar para Nova York para seguir a carreira de atriz, seu pai insistiu que ela fosse para a faculdade. Ela estudou na Universidade Estadual da Louisiana em Baton Rouge, com especialização em teatro. Quando seu pai a viu atuar em “A Menagerie de Vidro”, de Tennessee Williams, convenceu-se de seu verdadeiro talento; então, permitiu que ela buscasse a carreira de atriz em Manhattan. Lá, ela se formou no Actors Studio e na Neighborhood Playhouse School. Em 1953, ela foi escalada para a peça Picnic, de William Inge, e o jovem de impressionantes olhos azuis que ela conhecera por acaso no escritório de seu agente também fazia parte do elenco. Uma admiração e uma conexão floresceram entre eles, que se estenderam para além do palco. Joanne recordou anos mais tarde: “Paul e eu éramos bons amigos antes de sermos amantes. Gostávamos muito um do outro. Podíamos dizer qualquer coisa um ao outro sem medo de ridículo ou rejeição. Havia confiança.” Mas enquanto o amor deles crescia, Paul e sua esposa, Jacqueline, esperavam seu terceiro filho.


Joanne seguiu seu caminho e escolheu papéis de personagem. Nunnally Johnson, roteirista de As Vinhas da Ira, a escalou para contar a história real de uma mulher com transtorno dissociativo de identidade. O filme foi um sucesso e sua atuação lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Foi nessa época que ela fez o primeiro dos treze filmes em que trabalharia com Newman, O Longo e Ardente Verão. Mais uma vez, o trabalho os uniu. A tensão sexual entre eles era palpável tanto para seus colegas de elenco quanto para o público. O galã de Hollywood deixou sua esposa e foi morar com Joanne, mesmo com a recusa de Jacqueline em conceder-lhe o divórcio. Mas ele não estava tendo um caso; ele havia encontrado o amor de sua vida e, quando se soube que Joanne estava grávida, Jackie cedeu e assinou os papéis do divórcio.

UM AMOR DE CINEMA
Paul e Joanne casaram-se em Las Vegas em 29 de março de 1958 e tornaram-se o casal sensação. Sua primeira filha, Elinor Teresa, nasceu em 1959, seguida dois anos depois por Melissa Stewart e, em 1965, por Claire Olivi. A atriz também se tornou uma madrasta muito presente para os três filhos que Newman teve de seu casamento anterior. Após alguns anos dedicados à maternidade, seu retorno à atuação não foi fácil. Uma série de fracassos a levou a reconsiderar sua carreira. Foi o primeiro trabalho de Newman como diretor que a trouxe de volta aos holofotes. *Rachel, Rachel*, um drama psicológico em preto e branco que conta a história de uma professora solteira com uma mãe dominadora, lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar. Mas apenas alguns meses depois de dar a Joanne um de seus melhores papéis, sua infidelidade com a jornalista Nancy Bacon abalou o casamento. “Ser esposa de Paul Newman tem seus altos e baixos, e se ainda estamos juntos, é razoável pensar que há mais coisas boas do que ruins”, disse Woodward à revista Good Housekeeping. Alguns anos depois, veio sua terceira indicação ao Oscar por “Summer Wishes, Winter Dreams” e uma quarta na década de 90 por “Mr. & Mrs. Bridge”, dirigido por James Ivory, no qual ela mais uma vez atuou ao lado de Paul. No final da década de 70, Woodward retornou à televisão, onde recebeu quatro indicações ao Globo de Ouro e nove indicações ao Emmy.

Além de compartilharem a profissão e o estrelato, Paul e Joanne também participaram e lideraram atividades filantrópicas. Em 1988, fundaram o Hole in the Wall Gang Camp, um acampamento para crianças com doenças graves. Também criaram a empresa alimentícia Newman’s Own, cujos lucros ainda são totalmente destinados a causas beneficentes.



ANNUS HORRIBILIS
Em 2007, ambos receberam notícias devastadoras: Paul foi diagnosticado com câncer de pulmão terminal e Joanne com Alzheimer. Um ano depois, em 28 de setembro, o inesquecível ator faleceu aos 83 anos em sua fazenda perto de Westport, Connecticut, cercado por sua família e amigos próximos. Joanne foi levada para a Califórnia para ficar perto de suas filhas. Desde então, a estrela do filme de sucesso *As Três Faces de Eva* — pelo qual ganhou um Oscar — a última das divas da era de ouro de Hollywood, viveu longe dos holofotes, da mídia e das memórias que marcaram sua vida.



KARINA BIANCO ” LA NACION” ( ( ARGENTINA)