CHINA É GRANDE VENCEDORA DA GUERRA COM IRÃ

Alta do petróleo e risco geopolítico levam países a acelerar transição energética e investimentos em renováveis

A tentativa de Donald Trump de frear a transição energética global pode até atrasar os Estados Unidos — mas dificilmente conseguirá parar o resto do mundo. Ao contrário: a combinação entre crise geopolítica e fundamentos econômicos sólidos está acelerando a corrida por energias renováveis, e há um vencedor claro nesse cenário: a China.

Em artigo, o economista norte-americano Paul Krugman afirma que a guerra envolvendo o Irã e a escalada no Estreito de Ormuz voltaram a mostrar a vulnerabilidade estrutural das economias dependentes de combustíveis fósseis. A disparada dos preços de petróleo e gás, somada ao risco de desabastecimento, reforçou a urgência de diversificação energética.

Na Europa, os efeitos foram desiguais. Países com maior participação de fontes não fósseis, como França e Espanha, conseguiram amortecer parte do choque. Já economias mais dependentes do gás, como a Itália, sofreram com maior intensidade.Play Video

Ao mesmo tempo, a resposta dos Estados Unidos — incluindo ações que ampliam a instabilidade no fluxo energético global — levanta dúvidas sobre a confiabilidade do país como fornecedor. A percepção de risco geopolítico passou a pesar tanto quanto o custo.

O resultado é um movimento global acelerado de investimentos em energia solar, eólica e sistemas de armazenamento. E quase toda essa infraestrutura passa, inevitavelmente, pela China, que responde por mais de 80% da produção global de muitos itens da chamada indústria “eletrotech”.

Ao contrário do que sugerem críticos da transição energética, a China não apenas fabrica equipamentos — ela também lidera sua adoção. O crescimento da geração solar e eólica no país supera o do resto do mundo combinado, criando escala, aprendizado e redução de custos. Quanto mais a China produz, mais eficiente se torna — e mais amplia sua presença nos mercados globais.

Nos Estados Unidos, o cenário segue na direção oposta. Após avanços durante o governo de Joe Biden, a atual gestão tem desmontado políticas de incentivo e dificultado novos investimentos privados em energia limpa.

O risco é claro: ao se afastar da transição energética, o país pode perder não apenas competitividade industrial, mas também relevância geopolítica. Enquanto isso, a crise climática avança. Recordes de temperatura continuam sendo registrados, reforçando a urgência da mudança.

Nesse contexto, a origem dos equipamentos pode ser uma questão secundária diante da necessidade de acelerar a descarbonização.

Ainda assim, há um custo estratégico evidente. Ao abrir mão da liderança na indústria do futuro, os Estados Unidos não apenas perdem espaço econômico — mas também influência em um mundo que caminha, de forma cada vez mais rápida, para uma nova matriz energética.

TATIANE CORREIA ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *