
E Bolsonaro, tosco que nem o mais tosco dos brasileiros, percebeu que poderia jogar com a ambição primária dos três juízes de primeira instância, como quem brinca com uma criança ou um animalzinho de estimação.
A cada dia que passa, a história da hipocrisia nacional ganha novos capítulos.
Primeiro, foi a fase dos juízes justiceiros, querendo ganhar lugar na política. Os três mais ostensivos foram Wilson Witzel, que se tornou governador do Rio de Janeiro, Sérgio Moro, que se tornou Ministro da Justiça e Marcelo Bretas, que se tornou halterofilista, mas pronto para o que vier.
Os três, do alto do enorme preparo técnico, intelectual e moral, cosmopolitas do Paraná e dos arredores do Rio, passaram a depender de Jair Bolsonaro para atender aos seus sonhos – os dois últimos, de se tornarem prováveis Ministros do Supremo Tribunal Federal.
E Bolsonaro, tosco que nem o mais tosco dos brasileiros, percebeu que poderia jogar com a ambição primária dos três juízes de primeira instância, como quem brinca com uma criança ou um animalzinho de estimação.
A Witzel estendeu o apoio, que lhe garantiu a eleição para governador. A Moro, o Ministério da Justiça. A Bretas, a inacreditável possibilidade de se tornar Ministro do STF.
Aí, WItzel achou que poderia ter voo próprio e brigou com Bolsonaro. E Bretas achou que poderia cativar Bolsonaro, oferecendo a mais enfática forma de rompimento com o colega Witzel: apagou as fotos com ele do seu Instagram, procedimento adequado, aliás, a todo adolescente que gosta de mostrar os bíceps.
E la nave va, com o novos iluministas, conforme previstos pelo Ministro Luis Roberto Barroso, reagindo ao chicote de Jair, o grande domador.
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LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)
