
O provável casamento entre a namoradinha do Brasil e o presidente da República na área de Cultura ainda não está definido. Mas já deflagrou uma disputa tormentosa por baixo dos lençóis do governo.
A atriz Regina Duarte foi convidada por Bolsonaro para ocupar, digamos, uma das suítes master dos olavistas no governo: a secretaria de Cultura. Há outras três: os ministérios da Educação, o do Meio Ambiente e o das Relações Exteriores.
É nesses endereços da Esplanada dos Ministérios que o guru do grupo, Olavo de Carvalho, tem defendido que seja centrada a guerra cultural contra aquilo que ele chama de comunismo impregnado nas instituições.
No governo Bolsonaro, o grupo vinha ganhando as batalhas, inclusive contra outra turma que era considerada imbatível no início do governo: os militares.
Os olavistas expulsaram generais e coronéis da Secretaria de Cultura e do Ministério da Educação para entregar o comando, respectivamente, a Roberto Alvim e Abraham Weintraub.
E mantiveram a ferro e fogo os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), com suas políticas pró-Donald Trump e antiambiental. Ou seja, contra o resto do mundo, praticamente.
Mas a queda de Alvim e os desastres causados em suas áreas por Weintraub e Salles enfraqueceram a posição dos olavistas no governo.
Bolsonaro viu-se obrigado a convidar a namoradinha do Brasil Regina Duarte para melhorar sua imagem num setor carimbado como “nazista” devido ao discurso de Alvim parafraseando Joseph Goebbels, o guru de Adolf Hitler.
Alvim atribuiu sua saída a uma “ação satânica”. E Olavo tem postado nas redes sociais que foi coisa de assessores comunistas infiltrados da Secretaria de Cultura.
Para tentar desfazer a encrenca, Bolsonaro já teve que afastar dois dos principais assessores do ex-secretário -a chefe de gabinete e o secretário-adjunto- e oferecer à convidada o direito de nomear os substitutos de outros cargos que queira ocupar.
Na área ambiental, devolveu poder aos militares, sobretudo em relação à Amazônia, entregando ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, o comando de uma força-tarefa para sanar os problemas na floresta causados na gestão de Ricardo Salles.
Agora a ordem unida entre os olavistas, que se consideram o núcleo duro do bolsonarismo, é manter as posições que ainda detêm para depois tentar reconquistar os espaços perdidos.
Na área da Educação todo esforço será feito para manter Abraham Weintraub no cargo. Seu principal defensor é o filho Zero-3 do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (sem partido-SP), discípulo de Olavo e grande amigo do ministro.
São raros os dias em que Eduardo não retuíte ou publique ele próprio nas redes sociais um elogio à gestão de Weintraub.
Reunião em que falamos,dentre outros temas,das escolas cívico-militares 76% dos brasileiros são a favor deste tipo de ensino
Lamentavelmente alguns estados, como SP e RJ,os governadores não aderiram ao programa federal,o que dificulta sua implementação.A quem isso serve?Vaidade? pic.twitter.com/87EWFeZdSD
— Eduardo Bolsonaro (@BolsonaroSP) January 22, 2020
Na área de Cultura, toda a torcida dos olavistas é para que o ator Carlos Vereza aceite integrar a equipe de Regina Duarte. Vereza é um seguidor de Olavo de Carvalho, inclusive nas questões esotéricas.
Vereza se juntaria à atual secretária de Diversidade Cultural, Jane Silva, já indicada como nova secretária-adjunta do órgão para garantir espaços dos olavistas no órgão.
O ator até pode servir de regra três no caso de um rompimento futuro da namoradinha do Brasil com o governo.
O temor é de que esse rompimento não só deixe de ocorrer como Regina Duarte acabe promovendo uma reaproximação entre Bolsonaro e o grupo Globo, de quem nunca a namoradinha do Brasil se separou, desde que começou a trabalhar em novelas.
TALES FARIA ” SITE DA UOL” ( BRASIL)