OS DESAFIOS DO GOVERNO LULA 4:O

Por governabilidade, será essencial mobilizar permanentemente o chamado Exército de Lula — ou qualquer que seja o nome dado a essa rede.

O fator Janones traz um desafio muito interessante para o governo Lula 4.0.

Primeiro: a grande lição é que a disputa agora se dá na frente digital. Isso não significa, em hipótese alguma, abandonar a organização social, mas utilizar os instrumentos digitais como alavanca.

Segundo: para garantir a governabilidade, será essencial mobilizar permanentemente o chamado Exército de Lula — ou qualquer que seja o nome dado a essa rede.Play Video

Terceiro: para manter a mobilização, o governo precisa ter bandeiras claras e objetivos definidos, tanto no plano parlamentar quanto na criação de novas estruturas. A eleição de Lula foi fruto da defesa da democracia, da solidariedade e da inclusão.

Quarto: não basta ter metas claras; é preciso saber comunicá-las. A comunicação não pode ficar restrita a uma única pessoa — Lula —, como propõe a receita esdrúxula do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Todos os ministros precisam participar: não apenas levantando bandeiras mobilizadoras, mas também dominando a linguagem dos Reels e dos vídeos. Essa comunicação deverá ter como eixo lives periódicas com Lula nos canais do YouTube.

Quinto: a comunicação não pode ser de mão única. Lula deveria seguir o exemplo de Barack Obama, que criou uma rede para acolher sugestões dos cidadãos e se comprometia a analisar e responder àquelas que ultrapassassem determinado número de assinaturas.

Sexto: se quiser avançar ainda mais, Lula deveria retomar as experiências de orçamento participativo de Porto Alegre e Belo Horizonte e consultar técnicos do Ministério do Planejamento. No início do primeiro governo Dilma, foi desenvolvido um projeto para definir uma metodologia de acolhimento da opinião dos cidadãos. Dilma não o levou adiante, mas o registro do projeto foi preservado.

Sétimo: é preciso defender o precariado: prestadores de serviços por meio de plataformas digitais e pequenos fornecedores de produtos. Trata-se de um público carente de direitos, que precisa ser conquistado para a excelência do trabalho cooperado. Um grupo exclusivo de acolhimento dos trabalhadores de plataformas poderia oferecer ótimas sugestões de políticas públicas e ser um instrumento poderoso de conscientização.

Oitavo: os estudantes. A partir de agora, são os principais atores sociais, depois do milagre do ativismo nas últimas eleições. Há diretórios acadêmicos de Direito, a União Nacional dos Estudantes, diretórios universitários e muitas outras organizações prontas para serem articuladas em fóruns mais amplos, nos quais suas demandas possam ser acolhidas.

Nono: atrair congregações evangélicas de todas as correntes. Elas desenvolveram formas exemplares de acolhimento, e muitas estão se libertando de pastores malandros e compreendendo melhor sua função social.

Décimo: retomar as Conferências Nacionais, consideradas pelo prestigioso Instituto Roosevelt o maior momento da democracia ocidental no século XXI.

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

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