MOBILIZAÇÃO TOTAL NA BUSCA DO VOTO, A VITÓRIA DE LULA AINDA NÃO ESTÁ DEFINIDA

Análise fria das pesquisas e disputa acirrada voto a voto exigem o fim do “já ganhou” na reta final

Basta uma análise fria das pesquisas para ver que o cenário é de empate. O Datafolha divulgado ontem, a três dias do segundo turno, mostra Lula e Flávio com 50% cada nos votos válidos. Nos votos totais, Flávio tem 47% e Lula, 46%.

A Vox Brasil, divulgada hoje, dá 50,6% dos votos válidos a Lula e 49,4% a Flávio, diferença dentro da margem de erro de 2,15 pontos. Não há, a rigor, vantagem. Há empate. Na pesquisa.
Haverá vantagem entre os eleitores, na urna? Não há como ter certeza, e nenhuma pesquisa assegura a vitória de antemão.

Isso exige concentrar todo o esforço em conquistar mais apoios para Lula (como se viu ontem na histórica entrevista de Joice Hasselmann a Leonardo Attuch na TV 247).

Sair da bolha, largar o ufanismo escapista, o “já ganhou” e o oba-oba entre iguais.

A sensação de ânimo vinda do crescimento de Lula nas pesquisas é relevante e necessária, mas pode enganar. Entre uma Vox e outra, Lula oscilou de 51% para 50,6%. Isso não é arrancada, é estabilidade.

Os números por região mostram onde mora o risco. Na Vox, Flávio está numericamente à frente no Sul, com 55,7%, no Centro-Oeste, com 53,3%, e no Sudeste, com 49,3%.

Lula lidera no Nordeste, com 56,8%, e no Norte, com 60%. Pelo Datafolha, Lula pode chegar a 70% dos votos no Nordeste. A eleição se decide em todas as regiões, voto a voto, casa a casa.

E o campo adversário não está parado. Outros institutos, como Real Time Big Data, Veritá e Gerp, apontam Flávio à frente nos votos válidos.

O inimigo obviamente redobra a pressão e monta barricadas ao avanço de Lula. Essas linhas de contrapressão aparecem na resiliência dos índices de Flávio, que não cedem de forma a dar a impressão de que a batalha está vencida. Longe disso.

A vantagem de Flávio no primeiro turno não se desfaz num passe de mágica. Ele terminou há quase três semanas com cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula. Só uma luta infatigável apaga essa distância.

O tempo acabou de verdade. A eleição é domingo, dia 25. Na Vox, 93,5% dos entrevistados já consideravam definitiva a escolha de voto.

Resta uma fatia relativamente pequena de indecisos e a abstenção, e é lá que o voto precisa ser buscado, um a um. Isso se faz na conversa de porta em porta, no grupo da família, no transporte e no cafezinho. Cada abstenção evitada vale mais do que qualquer análise de conjuntura.

O adversário, candidato miliciano do clã de um condenado por tentativa de golpe violento contra o Estado democrático, conta com uma máquina de manipulação já testada. Quem a subestima por conforto perde a eleição.

O autoengano é inimigo quando ameniza o empenho ao desviar o foco da luta mais intensa pelo que importa: o voto. A festa vem depois, quando houver o resultado dessa conjunção total de energias e recursos.

Se Lula vencer, o milagre político vai se materializar diante de todos. Nesse momento, quem quiser poderá se prostrar diante do portento. Antes, não.

Cair na autoglorificação masturbatória agora equivale a traição.

MARIO VITOR SANTOS ” BLOG BRASIL)

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