O FEITIÇO MUSICAL DA OBRA DE ALDIR BRANCO

Hoje trataremos do álbum Salve, Aldir! (Biscoito Fino), com o qual o grupo Equale celebra a obra de Aldir Blanc, que completaria 80 anos em 12 de setembro de 2026. Para o tributo, os vocalistas buscaram as parcerias clássicas de Aldir com João Bosco e Guinga. Com eles, o compositor trouxe à tona a sua verve inigualável de cronista que observa como poucos as situações cotidianas, sacadas a partir da Tijuca, o seu reduto de fé.

Mas não foram apenas essas as parcerias incluídas, já que o Equale igualmente selecionou músicas dele com Djavan, Cristovão Bastos, Sueli Costa, Moacyr Luz e Maurício Tapajós. Aldir Blanc criou para elas versos com temas surpreendentes que sempre fugiram da mesmice, surpreendendo pelo desprendimento no uso de palavras que embutem o frescor do imaginário popular.


Capa do trabalho Foto: reprodução

Com produção, direção musical e regência do maestro André Protásio, em parceria com Flavio Mendes e Tom Andrade, o álbum de doze faixas conta com participações de Guinga, Ilessi, Marcos Sacramento e Cristóvão Bastos, músicos que entendem Aldir.

E o grupo vocal Equale, hein? Que orgulho perceber que o canto vocalizado está tão bem representado pelas vozes feiticeiras daqueles que adotam a música como se ela fosse uma parte de seus corpos! Ainda mais que as tais músicas vêm com versos inconfundíveis do poeta popular, musicados por ótimos compositores. O Equale canta o infinito que vem das entranhas do que seja o vocal: um infinito libertário, como o amor e a vida.

Aldir e seus parceiros tiveram grandes interpretes. Só que hoje, se vivo fosse (ora essa, e Aldir não está vivo, não?), ele proporia brindes de louvor ao Equale.

E não está ele aqui a louvá-lo? Pois sim! Gente, ouvir o Equale cantando João Bosco e Aldir, “Comissão de Frente” e na sequência “Ronco da Cuíca”, é coisa de doido. Os tambores soam possantes. Vozes sobrepostas dão uma onda que engrandece os sentidos. E o troço vai num crescendo que não deixa duvida de que irá longe.

Já ouvi dizer que o canto em coral é o maior exemplo de democracia que existe. Sim, claro! Um coro que canta Aldir Blanc e vocaliza o ineludível pode, também, cantar o desejo de um povo de proteger outros bens: a democracia e a soberania, por exemplo.

Ficha técnica: Equale: sopranos: Alice Sales, Ana Calvente, Katarina Assef;
mezzos: Letícia Dias, Maria Laura Berrêdo, Taiana Machado; Contraltos: Débora Braga, Mariana Serra e Muiza Adnet; tenores: André Protásio, Dalton Coelho, Flavio Mendes, Tom Andrade; barítonos: Leandro Vasques, Murilo Sierra, Pedro Sabino, Will Hester. Direção musical e regência: André Protásio; produção musical: André Protásio, Flavio Mendes e Tom Andrade; arranjos: André Protásio, Dalton Coelho, Flavio Mendes, Katarina Assef e Taiana Machado; produção executiva: Letícia Dias e Tom Andrade; gravação: André Protásio e Lucas Ariel; mixagem e masterização: Lucas Ariel.

Ouça o álbum


AQUILES REIS ” JORNAL DO BRASIL” ( BRASIL)

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