
“Nesta eleição, tem uma aparente e anormal taxa de indecisão elevadíssima. O jornalismo está fingindo que isso não existe”
A última pesquisa Quaest para a presidência da República mostrou que Flávio Bolsonaro está driblando a crise do Master e se aproximando de Lula. Em um dos cenário de segundo turno, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula, com 42% a 40%, embora empatados dentro da margem de erro. Ocorre que, na visão do especialista em pesquisas eleitorais, Marcos Coimbra, a imprensa está fazendo uma leitura parcial da pesquisa. O dado mais significante a essa altura do campeonato, na visão dele, é que quase metade dos eleitores que responderam à Quaest disseram, na pesquisa espontânea, que ainda não sabem quem vão escolher para presidente no dia 4 de outubro.

Em entrevista ao jornalista Luís Nassif, no canal TV GGN, Coimbra explicou que, nesta mesma época em 2022, as pesquisas espontâneas mostraram apenas 10% do eleitorado ainda indeciso quanto ao candidato a presidente. “Este ano, segundo dados da última pesquisa Quaest, encomendada pela Globo, tem quase 45% de pessoas não sabem em quem votar ou que pretendem votar branco ou nulo. Considerando a margem de erro, aproximadamente metade do eleitorado não tem uma decisão ainda”, frisou Coimbra.
“Então o problema não é uma pesquisa ou as divergências entre elas. A questão é o tratamento jornalístico dos resultados. Falta raciocinar que, nesta eleição, tem uma aparente e anormal taxa de indecisão elevadíssima. O jornalismo está fingindo que isso não existe e fica com essas conversas de [o candidato] flutuou para cima ou flutuou para baixo.”Play Video
O QUE LEVA À INDECISÃO
Segundo Coimbra, a alta taxa de indecisão faltando poucas semanas para o primeiro turno tem relação com a oferta de candidatos. “Na direita, Flávio tem apenas 21% de votos espontâneos, o que é um bom teste do tamanho real dele. Ele cresce na hora em que você obriga o cidadão a dizer em quem ele votaria se a eleição fosse hoje, apresentando uma lista, quando cerca de metade dos entrevistados já responderam, antes, que não sabe em quem vai votar.”
Coimbra também comentou sobre a situação de Lula, que aparece estagnado nas pesquisas e amarga uma rejeição ao seu modo de governar na casa dos 50%. “O Lula de hoje não é o mesmo de eleições passadas. Nos últimos anos, ele passou um período preso, tratado como a escória do sistema política. Parte da imprensa tratava ele como sujo.” Isso ainda está na memória de setores do eleitorado, somados aos desafios que a campanha de Lula enfrenta.
Assista a entrevista com Marcos Coimbra no programa TV GGN 20 Horas, usando o link abaixo. Na primeira parte do programa, o apresentador Luís Nassif tratou do julgamento da petição 16662 no Supremo Tribunal Federal. O caso envolve o levantamento de suspeitas contra o ministro Alexandre de Moraes, encaminhadas ao plenário por André Mendonça.
CINTIA ALVES ” JORNAL GGN” ( BRASIL)