DIPLOMACIA DE ARMAS

A dependência estrutural em tecnologia e equipamentos de defesa condiciona as posições diplomáticas do país e limita o alcance de suas decisões externas

A decisão controversa do governo brasileiro de suspender a aquisição de equipamentos militares de uma empresa israelense em agosto de 2024 ocorreu, provavelmente, devido à postura diplomática que o país adotou em relação ao genocídio em Gaza. Desde então, as relações diplomáticas Brasil-Israel tornaram-se particularmente tensas, principalmente por causa das declarações contundentes do presidente Lula, que chegou a comparar a crise humanitária em Gaza ao Holocausto. O governo brasileiro também apoiou o processo iniciado pela África do Sul perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), que acusou Israel de cometer genocídio.

Estes episódios podem ser interpretados à luz da avaliação predominante na literatura, segundo a qual as relações entre Brasil e Israel foram marcadas por tensões contínuas durante os governos de Lula e Dilma (2003–2016). Esta interpretação é baseada nas condenações do governo brasileiro ao “uso excessivo da força” por parte de Israel e à contínua expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

A avaliação dessa postura diplomática é que o compromisso histórico do Brasil com o “princípio da equidistância” em relação ao conflito deixa de existir em certos momentos, ao adotar uma posição mais simpática em relação às reivindicações palestinas e simultaneamente provocar tensões com Israel.

Nesse sentido, ao adotar uma postura explicitamente pró-Israel, o governo de Jair Bolsonaro estaria em clara contradição com os fundamentos que governaram a diplomacia brasileira desde pelo menos o período pós-ditadura. Por sua vez, as crises diplomáticas com Israel durante o terceiro mandato de Lula (2023–2026) seriam interpretadas como uma tentativa de estabelecer um contraponto ao alinhamento anunciado por Jair Bolsonaro, dado o simbolismo ideológico de pertencer à extrema direita.

Embora Jair Bolsonaro tenha adotado posições divergentes em relação os governos de Lula e Dilma Rousseff em fóruns multilaterais, avaliamos que não ocorreram mudanças substanciais na política econômica externa do Brasil ou nos padrões de cooperação em segurança estabelecidos. Discursos, gestos diplomáticos e comportamento de votação em organizações internacionais, quando analisados isoladamente, geram uma falsa percepção sobre a orientação da Política Externa, já que as bases para fortalecer laços materiais e institucionais com Israel foram mantidas com Jair Bolsonaro.

Ademais, argumentamos que Lula e Jair Bolsonaro buscaram aprofundar os laços com Israel por razões distintas. Enquanto Lula visava projetar o Brasil como um ator global ao se envolver em iniciativas de mediação de conflitos no Oriente Médio, Bolsonaro abordou Israel como parte de uma estratégia de alinhamento com a extrema direita global.

Partimos da premissa de que a estratégia da “diplomacia de armas” de Israel busca converter a expansão do comércio e da cooperação em segurança em uma alavanca política. Desde os anos 1960, o comércio de armas e a cooperação em segurança têm constituído elementos centrais da política externa israelense, permitindo a construção de fortes vínculos políticos (Halper, 2015). Assim, propomos analisar as relações Brasil-Israel por meio da economia política internacional da segurança, em vez de olhar apenas para os fóruns diplomáticos tradicionais.

Interpretações das relações Brasil-Israel

Ao examinar a bibliografia especializada, identificamos quatro grandes interpretações recorrentes que avaliamos como analiticamente equivocadas ou ideologicamente tendenciosas. Elas estão frequentemente fundamentadas em suposições normativas específicas, incluindo o paradigma da “equidistância diplomática”, o destaque para o discurso diplomático, referências genéricas aos “árabes” e a subestimação das estratégias israelenses.

A primeira interpretação refere-se aos apoiadores da solução de “dois Estados para dois povos” como adeptos de uma suposta posição “equidistante”, livre de imperativos ideológicos. Porém, é preciso ressaltar que essa visão se alinha à ordem internacional que historicamente favoreceu Israel e outras potências colonizadoras e deslegitimou as demandas palestinas. A Resolução 181 da ONU, em 1947, aprovada sem representantes árabes, ignorou completamente as reivindicações palestinas.

Uma outra abordagem é tomar declarações dos diplomatas e chefes de Estado de ambos os países como se fossem atos de política externa. Isso permite que se reafirme a tese da equidistância brasileira. Com base nessa abordagem, seria possível inferir que a eleição de Bolsonaro mudou significativamente a relação do Brasil com Israel em comparação com seus predecessores.

Uma terceira leitura refere-se à concepção do “Mundo Árabe” ou “Oriente Médio”, em que se presume que os Estados Árabes demonstram solidariedade com os palestinos devido a uma identidade étnica comum. No entanto, desde 1979, os países árabes têm normalizado relações com Israel, especialmente após a Guerra do Golfo nos anos 1990.

Apesar de manifestações populares a favor da Palestina e declarações árabes de condenação, nenhum país cortou relações com Israel durante o genocídio em Gaza. Assim, considerar a relação do Brasil com Israel em função de suas interações com os países árabes como um jogo de soma zero reflete uma ideologia que posiciona Israel como um inimigo persistente dos Estados Árabes.

Finalmente, a quarta interpretação ignora completamente as estratégias internacionais de Israel. Desde os anos 1960, a aliança de Israel com os EUA e seu complexo militar-industrial se tornaram centrais para sua competitividade global. Entre 2003 e 2022, o Brasil foi o 10º. maior comprador de armas israelenses. Contribuir para esta literatura requer uma ênfase maior no complexo industrial-militar de segurança nas relações econômicas Brasil-Israel, expandindo seu escopo para destacar a permanência entre as administrações Lula e Jair Bolsonaro.

Diplomacia das armas

A diplomacia tradicional não revela adequadamente como Israel consegue aumentar sua influência internacional. Isso requer explorar um tipo de diplomacia menos visível, que Klieman (1985) denomina “diplomacia de armas”. A “diplomacia de armas” constitui o componente central das relações exteriores, de defesa e comércio exterior de Israel, o que garante ganhos políticos e econômicos com a exportação de armas sofisticadas, tecnologias militares e sistemas de vigilância.

Após o 11/09, a colaboração entre os complexos de segurança de Israel e dos EUA se intensificou, sendo considerada uma entidade transnacional na fabricação de armamentos e tecnologias de segurança. Israel se destaca no uso de tecnologias para controle de fronteiras, vigilância, defesa de perímetros e identificação biométrica, especialmente em relação a ameaças “terroristas”. Isso proporciona a Israel prestígio e poder de dissuasão, manifestando-se em uma forma de “diplomacia cibernética”, em que vende tecnologias de vigilância, obtendo lucros e apoio político para sua ocupação da Palestina. (Loewenstein, 2023).

Israel é o oitavo maior exportador de armas, com 2,3% do mercado global, sendo que seu setor de segurança alcançou vendas recordes de 3,1 bilhões em 2023. O comércio de armas dobrou de 2019 a 2023, impulsionado pelo conflito ucraniano e pactos diplomáticos com países árabes. Israel exporta 70-80% de sua produção total, evidenciando a grande dependência do comércio internacional.

As exportações de armas de Israel na década de 2010 se diversificaram do Norte Global para o Sul, com foco em países como Azerbaijão, Brasil e Colômbia. Países como a Índia e o Brasil tornaram-se prioridades para Israel, que utiliza tecnologias de segurança semelhantes às empregadas nas terras ocupadas. Essas tecnologias visam controlar e monitorar populações civis, sendo fundamentais para criar uma ordem de mercado estável por meio de medidas de “segurança excepcional” em conflitos contra o terrorismo e em megaeventos internacionais.

O reatamento entre Brasil e Israel nos governos de Lula e Dilma Rousseff

Os governos do PT (2003–2016) apresentaram uma discrepância entre discurso e conduta em relação a Israel e Palestina, que levou à percepção de que o Brasil adotou uma posição de aproximação dos palestinos e distanciamento de Israel. A visita de Lula a Israel e Palestina em 2010 exemplifica essa contradição; apesar das pressões políticas para favorecer Israel, Lula defendeu a criação de um estado palestino e criticou a expansão de assentamentos durante seu discurso no Knesset. Simultaneamente, a viagem da delegação brasileira foi crucial para reforçar relações comerciais, facilitando a entrada de empresas israelenses de segurança no Brasil.

Durante os mandatos de Lula (2003–2010), o Brasil tentou se estabelecer como um mediador confiável entre palestinos e israelenses, buscando transformar relações econômicas com Israel em confiança política. Mas, esse estreitamento com Israel acabou por favorecer a “diplomacia de armas” israelense. A agenda de Lula incluía elevar o Brasil a uma potência global, o que envolvia incrementar capacidades coercitivas e influência em segurança, considerando Israel um parceiro militar relevante.

Esses esforços neodesenvolvimentistas e de projeção de poder estavam relacionados a projetos para pacificar populações nacionalmente, como foi o caso das UPPs no Rio de Janeiro, e internacionalmente à Missão de Paz da ONU no Haiti. Essas agendas levaram o Brasil a adquirir tecnologia de segurança israelense de “qualidade comprovada”. Como resultado, atores dentro e fora do estado, como o Exército, corporações policiais e a indústria de segurança privada, tornaram-se importantes parceiros comerciais de Israel.

A conciliação com Israel permitiu que, discursivamente, o Brasil pudesse reafirmar sua suposta “equidistância” em relação aos palestinos. Um marco fundamental foi a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel em 2007, como contraparte à reaproximação entre as nações sul-americanas e árabes. As relações comerciais entre o Brasil e Israel na segunda administração Lula (2007–10) aumentaram em cerca de 267% (Comex Stat, 2024). Em 2010, o Brasil foi o quinto maior importador de armas de Israel (Sipri, 2024).

As Forças Armadas do Brasil (FAB) tornaram-se um dos principais canais para produtos de segurança de Israel, tendo aberto um escritório em Israel em 2003 para facilitar os negócios. Em 2014, o Ministério da Defesa assinou contratos com empresas israelenses, em torno de R$ 1 bilhão, sendo que a maior parte foi para a Elbit Systems, focada em câmeras e sensores para monitoramento de fronteiras, em parceria com a Embraer.

Em 2014, ocorreu uma crise diplomática entre o Brasil e Israel. Após o Brasil criticar as mais de 2.251 mortes em Gaza por Israel, um diplomata israelense rotulou o Brasil de “anão diplomático”. Mas, o país continuou priorizando relações comerciais. Rousseff rejeitou a nomeação de Danny Dayan como embaixador, e o Ministro da Defesa, Celso Amorim, propôs reduzir a dependência da tecnologia israelense e promover a autonomia política nas relações.

Apesar das tensões diplomáticas, a balança comercial entre Brasil e Israel diminuiu apenas 5% durante o governo Rousseff, contrastando com uma queda significativa de 37% na balança comercial geral do Brasil devido à recessão de 2015-2016. Setores da direita brasileira começaram a usar Israel como uma referência simbólica e ideológica, invocando valores conservadores e identificação com os EUA, momento da crise política que culminou no impeachment de Rousseff em 2016.

Governo de Jair Bolsonaro: uma “nova era” nas relações Brasil-Israel?

Em sua campanha de 2018, Jair Bolsonaro conquistou apoio conservador ao enfatizar as relações com Israel, que culminaram na visita de Benjamin Netanyahu ao Brasil. Em março de 2019, Jair Bolsonaro se tornou o primeiro presidente brasileiro a visitar o Muro das Lamentações, reconhecendo a soberania de Israel sobre Jerusalém Oriental. Os países assinaram seis acordos bilaterais voltados à cooperação militar e ao combate ao crime organizado.

Os primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro foram marcados por atos simbólicos de apoio a Israel, como a promessa de transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, feita a seus aliados evangélicos, foi interrompida devido à pressão do agronegócio, que temia repercussões negativas nas exportações árabes. Entre 2019-20, o Brasil votou contra resoluções da ONU que condenavam a violação dos direitos humanos por Israel e deixou de publicar críticas à colonização israelense.

A “diplomacia das armas” de Israel buscou liderança durante o governo Bolsonaro, destacando a nomeação de um general para Embaixador em Tel Aviv em 2020. As FAB e a Elbit colaboraram na venda de tanques Guarani para as Filipinas, e a empresa tornou-se fornecedora de equipamentos para a Força Aérea Brasileira. A Rafael vendeu mísseis à FAB, e, de 2019 a 2022, o Brasil importou US$ 47 milhões em armas israelenses, tornando-se o 10º maior destino dessas armas. O acordo de cooperação militar foi aprovado pelo Congresso Brasileiro em dezembro de 2021.

O governo de Jair Bolsonaro facilitou um relacionamento mais próximo com o setor cibernético de Israel, que incluiu tentativas clandestinas de contratação do software espião Pegasus, lideradas por Carlos Bolsonaro, em colaboração com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça, visando criar uma nova estrutura de inteligência paralela à ABIN.

O período Bolsonaro viu um avanço nas relações bilaterais com Israel, marcado por um alinhamento ideológico com a extrema-direita global, apoio de grupos evangélicos e um relacionamento bastante estreito com os militares, que se tornaram o grupo político mais influente. A balança comercial entre Brasil e Israel alcançou um recorde de US$ 4 bilhões em 2022, impulsionada por um aumento de 250% nas exportações de petróleo bruto.

Lula III – o sucesso parcial da “diplomacia das armas” de Israel

O terceiro mandato de Lula enfrentou uma crise diplomática significativa nas relações Brasil-Israel, marcada pela condenação do genocídio em Gaza. Durante a presidência do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, foram feitas tentativas diplomáticas para aprovar um cessar-fogo, mas os EUA bloquearam uma resolução brasileira de “pausa humanitária”. Lula rotulou a agressão israelense como “genocídio” e referiu-se aos eventos de 7/10 como um ataque “terrorista”. Em janeiro de 2024, o Brasil apoiou a acusação de genocídio sul-africana no CIJ.

Não obstante a crise política, a Força Aérea Brasileira concedeu um contrato à Israel Aerospace Industries em março de 2024 para fornecer serviços de manutenção para aeronaves, no custo de R$ 86 milhões, sem um processo de licitação competitivo. Após isso, legisladores de quatro partidos aliados à liderança do PT pediram ao Ministério da Defesa que rompesse seus contratos com empresas israelenses. Lula suspendeu a aquisição pelo Exército de 36 veículos blindados israelenses no valor de 1 bilhão de reais, possivelmente motivada por uma pressão pública significativa que exigia um embargo militar e a interrupção das relações diplomáticas com Israel.

Os militares brasileiros expressaram preocupação com a interrupção da cooperação militar e tecnológica com Israel durante a crise diplomática. Buscando adquirir veículos e fabricar blindados da Elbit no Brasil, rejeitaram propostas da empresa tcheca por considerarem a qualidade dos veículos israelenses superior. Em outubro de 2024, o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, criticou a decisão “ideológica” de Lula, que prejudicou as Forças Armadas. Políticos e empresários, especialmente de setores da comunidade judaica brasileira, opuseram-se à suspensão de laços com Israel.

Em 2025, o Brasil adotou, pela primeira vez, medidas que timidamente foram além do âmbito simbólico. O país deixou de ser um estado observador da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto devido à crescente pressão para que seu governo adotasse a definição de antissemitismo da Aliança, que poderia ter sido usada para enquadrar as críticas de Lula.

O Brasil não impôs formalmente um embargo militar ou energético a Israel, como foi feito contra o regime de apartheid da África do Sul em 1985. A suspensão da aquisição de veículos militares em 2024 parece uma decisão política com impacto material limitado por parte do governo. Ela visava apaziguar sua base social, que apoia os direitos palestinos, sem se comprometer com um embargo significativo ao equipamento militar. Isso teria gerado novos conflitos com as forças armadas, forças policiais e empresas transnacionais alinhadas com a extrema direita.

Conclusão

Ao contrário das análises usuais sobre a política externa brasileira, que focam principalmente nos discursos e no posicionamento da diplomacia tradicional; as conexões entre tecnologia, economia e segurança são essenciais para entender as relações Brasil-Israel. A partir de uma abordagem crítica da economia política internacional, concluímos que as relações bilaterais são moldadas por elementos materiais, como comércio, dependência tecnológica e cooperação em segurança, que impõem restrições à agência política. O uso do comércio de armas por Israel como ferramenta diplomática ilustra essa estratégia, que vai muito além da diplomacia convencional.

De 2003 a 2024, antes da intervenção de Lula em relação aos obuses, o Brasil seguiu uma trajetória sem rupturas e em expansão de aquisição de armas e tecnologias militares israelenses. Da mesma forma, após a entrada em vigor do Acordo Mercosul-Israel em 2010, o comércio bilateral triplicou até 2022, apesar de grandes perturbações políticas e econômicas, como a recessão brasileira de 2015-2016 e as fricções diplomáticas em torno da rejeição da nomeação do embaixador de Israel em 2015.

Enquanto Jair Bolsonaro buscava, por meio de discursos e gestos simbólicos, reformular a política externa do Brasil como explicitamente pró-Israel e alterava o comportamento de votação do Brasil em fóruns multilaterais, o núcleo dessa relação bilateral permanecia fundamentado na expansão do comércio e da cooperação em segurança que havia sido estabelecida durante as primeiras administrações de Lula. Jair Bolsonaro não inaugurou uma “nova era”, mas intensificou dinâmicas preexistentes ao alinhar a ideologia com interesses econômicos e de segurança consolidados.

Assim, os governos do PT marcaram a transformação decisiva no engajamento material do Brasil com Israel, encerrando efetivamente um período anterior de relativa indiferença e incorporando o país mais profundamente na estratégia de projeção internacional do Brasil.

Embora os discursos e iniciativas diplomáticas de Lula tenham sinalizado uma disposição sem precedentes para confrontar Israel, a persistência da cooperação em segurança revelou o poder limitador das dependências materiais e dos interesses institucionalizados. A diplomacia armamentista de Israel provou ser eficaz ao gerar fraturas internas tanto no estado brasileiro quanto na coalizão governante. Isso contrasta com o período de Jair Bolsonaro, no qual o alinhamento ideológico reduziu a contestação no interior do governo sobre as relações com Israel.

Por fim, a crise diplomática em torno do genocídio em Gaza criou uma rara oportunidade para o Brasil alinhar seu discurso e prática mais de perto com o direito internacional. A decisão de Lula de suspender a compra de veículos blindados israelenses representou um desvio significativo, embora limitado, do padrão de cooperação material de longa data, ecoando as demandas da sociedade civil por sanções e embargos militares.

A forte oposição de setores econômicos e políticos da sociedade brasileira, incluindo membros do próprio governo, indica claramente a capacidade da diplomacia de armas de Israel em frear as ações do governo Lula, revelando os limites estruturais da política externa sob o capitalismo de segurança globalizado.

BRUNO HUBERMAN, ISABELA DOS SANTOS & REGINALDO NASSER ” REVISTA LUA NOVA / BLOG A TERRA É REDONDA” ( BRASIL)

*Bruno Huberman é professor de Relações Internacionais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Autor de A colonização neoliberal de Jerusalém (Educ). [https://amzn.to/3KtWcUp]

*Isabela Agostinelli dos Santos é professora de Relações Internacionais na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

*Reginaldo Nasser é professor de Relações Internacionais da PUC-SP. Autor, entre outros livros, de A luta contra o terrorismo: os Estados Unidos e os amigos talibãs (Editora Contracorrente). [https://amzn.to/46J5chm]

Versão reduzida do artigo publicado na Revista Lua Nova. Para acessar o artigo na íntegra clique aqui

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