
O vazamento permite publicar uma matéria por dia, até irrelevâncias e repetições, enquanto a crítica ao método não dura mais de um dia.
Ontem, um manifesto assinado por 27 superintendentes regionais da Polícia Federal saiu em apoio ao diretor-geral Andrei Passos Rodrigues.

A nota veio em meio ao atrito com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator de dois dos três inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva.
Se, por um lado, foi uma demonstração de coesão, por outro mostrou a necessidade de a PF ressaltar que não age por conveniência política. E aí se chega ao busílis da questão. Há vazamentos conduzidos por delegados lava-jatistas, que se valem dos mesmos dutos da Lava Jato: uma determinada repórter de O Globo.
No período da relatoria de Dias Toffoli, saíam notícias diárias, vindas do mesmo duto lava-jatista, mencionando o “mal-estar” de delegados com Toffoli. Agora, há uma intromissão muito mais aguda de Mendonça, a ponto de provocar a manifestação dos superintendentes regionais da PF. Mas o duto de O Globo não traz nenhuma informação sobre “mal-estar” de delegados.
Fica nítido que se defende a autonomia da PF diante das intromissões de Mendonça, mas continua alimentando a mídia com impressões, informações — ou com o desejo de induzir as investigações — sempre para o mesmo lado: Fábio Luí Lula da Silva.
É sabido que corre, na PF, um inquérito contra Flávio Bolsonaro, por envolvimento direto com Daniel Vorcaro, na casa dos R$ 120 milhões. Mas o tema da semana é o empréstimo feito por Roberta Luchsinger ao secretário de Lula, em valor mil vezes menor.
É curioso esse jogo. O Globo fez uma retificação de rumo depois de cair de cabeça na Lava Jato 2. Agora, permite dissidências internas. A colunista Miriam Leitão produziu um artigo crítico a André Mendonça, comparando a diferença de tratamento entre os casos ligados ao bolsonarismo e a Lula. Na outra ponta, os jornalistas que cobrem a Operação Master trazem a informação de que a PF vai requerer o depoimento presencial de Fábio Luís para agilizar o inquérito. É óbvio que a intenção é a exposição pública, as manchetes dos jornais.
O que fica claro é que, mesmo com essas divergências editoriais, ganha quem tem acesso aos vazamentos. O vazamento permite publicar uma matéria por dia, ainda que sobre irrelevâncias e repetições, enquanto a crítica ao método não dura mais de um dia.
A questão é que, mesmo sem a unanimidade dos tempos da Lava Jato, policiais desonestos continuam se comportando como contrabandistas, traficando informações sigilosas sem serem detido.
LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)