
O bloqueio do Estreito de Ormuz transcende a crise do petróleo e ameaça a produção mundial de fertilizantes, armando uma bomba-relógio para a fome de centenas de milhões de pessoas
A bomba que a maioria dos meios de comunicação evita mencionar
Escrevo esse texto em julho de 2026, e faço uma advertência com base em provas concretas. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, e os meios de comunicação tradicionais estão tratando isto como uma questão geopolítica sobre os preços do petróleo e demonstrações de força naval. Estão ignorando a verdadeira história: a fome que se aproxima. Tal como alertei em abril, “até o final de 2027, se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por muitos meses mais, devido às condições de guerra, milhões de pessoas morrerão de fome”.[1]
Seguem os cálculos que comprovam isso. De acordo com a Oxford Economics, conforme relato do Instituto Ron Paul no final de março, os preços da amônia e da ureia – os dois principais ingredientes dos fertilizantes – subiram 20% e 50%, respectivamente, devido a perturbações no Golfo Pérsico.[2] Esses picos de preços são apenas os primeiros sinais. O fechamento do Estreito de Ormuz corta cerca de 25% do abastecimento mundial de gás natural, e o gás natural é a matéria-prima da síntese Haber-Bosch, que produz fertilizantes nitrogenados.
Sem esses fertilizantes, metade do abastecimento alimentar mundial entra em colapso. As vítimas não estarão em Teerã ou em Telaviv; estarão em Bangladesh, Somália, Egito e em outras nações não beligerantes. Como eu detalhei em minha transmissão de maio de 2026, Bangladesh depende da ureia importada para sua principal temporada de colheita de arroz; sem ela, as perdas nas colheitas são garantidas.[3]
A agricultura global depende dos fertilizantes nitrogenados sintéticos, e cerca de 10% do abastecimento mundial provém do Golfo Pérsico, através do gás natural e da síntese Haber-Bosch. Esses 10% mantêm vivos cerca de 400 milhões de pessoas. Trata-se de um gasoduto que vai do Golfo até os pratos de toda Ásia e África. Tal como Willow Tohi relatou em “The Hunger Chokepoint”, o bloqueio “perturbou gravemente o abastecimento global de fertilizantes nitrogenados, que são essenciais para a agricultura moderna”.[4]
A síntese Haber-Bosch não é uma obscura nota de rodapé industrial – é a reação química mais importante de todas para a sobrevivência humana, transformando o nitrogênio atmosférico em amônia, que nutre as plantações. Em minha análise em vídeo de março de 2026, expliquei que “fertilizantes como a ureia são derivados do gás natural através da síntese Haber-Bosch” e que “o rendimento das lavouras cai drasticamente quando esses insumos desaparecem”.[5] Se a guerra interromper essas exportações, a cadeia de abastecimento alimentar entrará em colapso em poucos meses, não em anos. Não existe um Plano B. O sistema alimentar global é um castelo de cartas, e Donald Trump e Benjamin Netanyahu acabaram de derrubar seus alicerces.
A bomba-relógio adiada – por que 2027-2028 serão catastróficos
A mentalidade dominante pensa em manchetes: picos dos preços de petróleo hoje, preços dos alimentos amanhã. Mas a verdadeira fome opera num ritmo mais lento. A interrupção no abastecimento de fertilizantes demora algum tempo para repercutir nas temporadas de colheita e nas reservas de alimentos. A verdadeira fome chega de 12 a 24 meses depois do corte.
É por isso que tenho alertado que 2027 e 2028 serão catastróficos. Em meu artigo de 9 de maio de 2026, escrevi: “Se o Estreito de Ormuz permanecer fechado devido à guerra provocada pela administração de Donald Trump e por seus aliados israelenses, milhões de pessoas morrerão de fome”.[6]
Até mesmo um fechamento de 45 dias cria uma “bolha de ar” que poderá, eventualmente, empurrar 400 milhões de pessoas para uma escassez alimentar extrema por um certo período. Os números não são teóricos. Como Willow Tohi documentou em “War with Iran Threatens Global Food Crisis”, quase um terço do comércio global de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz (apesar do Golfo Pérsico representar apenas 10% do abastecimento global total de fertilizantes).[7] Assim que esses carregamentos forem interrompidos, um grande número de agricultores não poderá plantar. Mesmo que o estreito reabra amanhã, os danos já estão incorporados nos próximos dois ciclos de cultivo. O tempo está passando, e a maioria das pessoas não faz ideia de que ele já está contando.
Esta não é simplesmente uma guerra contra o Irã – é uma guerra contra as populações mais vulneráveis do mundo, que nada têm a ver com este conflito. O número potencial de mortos por fome poderá fazer com que o Holocausto pareça insignificante. Estamos falando de múltiplos de seis milhões – uma catástrofe moral que os países dominantes ignoram porque implica seus próprios líderes. Como escrevi em março de 2026, “O presidente Donald Trump, que tomou posse no ano anterior, provoca deliberadamente uma guerra que ameaça levar à fome milhões de pessoas em todo o mundo”.[8]
Acumulam-se as provas de que se trata de uma manobra deliberada. O colunista Douglas MacGregor, um veterano de combate condecorado, alertou que “está em curso a criação deliberada de uma fome global que tornará insignificante qualquer catástrofe natural da história humana”.[9] Livros como The coming famine: engineered starvation and the price of empire expõem o plano. Mass starvation, de Alex de Waal, explica que “a fome é uma forma mutável” impulsionada por forças políticas.[10]
A questão não é se esta fome acontecerá – é se vamos permitir que aconteça. As ações de Donald Trump correm o risco de matar mais inocentes do que qualquer conflito desde a Segunda Guerra Mundial, simplesmente porque os números não mentem. Por cada dia que o Estreito permanece fechado, mais um milhão de pessoas deslocam-se para a fome.
De onde virá a comida?
Desafio qualquer pessoa a mostrar-me uma alternativa viável às exportações de fertilizantes do Golfo. A produção interna nos Estados Unidos ou na Europa não consegue preencher essa lacuna a tempo. Estamos falando da construção de novos terminais de GNL, fábricas de amônia e cadeias de abastecimento que levam entre cinco a dez anos para concretizar-se. Como escrevi em meu artigo de 15 de julho de 2026, “a população global de mais de 8 bilhões de pessoas depende de uma frágil rede de gás natural, petróleo e produtos químicos derivados cuja construção levou mais de 60 anos. Se perdermos 25% destes insumos críticos, o sistema entra em colapso”.[11]
A única forma de evitar esta fome é acabar com a guerra e reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz. Nada mais funcionará. Como afirmei em “The Strait of Hormuz Standoff”, a guerra já está perdida estrategicamente; continuá-la apenas multiplica o número de mortos.[12] O verdadeiro inimigo não é o Irã – é a própria guerra.
Divulgue esta análise, faça sua própria investigação e pergunte aos meios de comunicação por que se mantêm em silêncio sobre a fome que se aproxima. O sangue de milhões de pessoas estará nas mãos daqueles que escolheram a guerra em vez da paz.
Estamos num ponto de inflexão que ecoará ao longo de várias gerações. O presidente Donald Trump detém as chaves de dois caminhos divergentes: um conduz a uma guerra catastrófica e à fome global; o outro conduz a um reinício que restaura os fluxos de energia e salva vidas.[13]
A decisão que ele tomar nos próximos 90 dias determinará se a humanidade terá um futuro ou se sofrerá um colapso cujas repercussões se farão sentir em todo o planeta durante décadas. Tenho alertado para as ambições sionistas que impulsionam esta guerra desde março de 2026, quando escrevi que “o verdadeiro motor da guerra” não é a força iraniana, mas a agenda daqueles que buscam o “Grande Israel” a qualquer custo.[14] Donald Trump sacrificará milhões de americanos para apaziguar os controladores sionistas sedentos de sangue?
Há coisas que você pode fazer agora mesmo: preparar sua própria produção alimentar, descentralizar sua vida e apoiar fontes de informação sem censura, como o NaturalNews.com e o BrightAnswers.ai. Mas, acima de tudo, faça ouvir sua voz. Exija que seus representantes ponham fim a esta loucura. A matemática é inegável – por cada dia que esta guerra continua, milhões a mais de pessoas enfrentam a fome. A história não perdoará o silêncio.
MIKE ADAMS “NATURAL NEWS” ( REINO UNIDO”/ ” BLOG A TERRA É REDONDA” ( BRASIL)
*Mike Adams é jornalista.