MACHADO DE ASSIS E O DIABO DO CAPITAL

Ao secularizar o pecado sob a máscara da gestão empresarial, a literatura machadiana desvela como o capital redefine a natureza humana para torná-la um ativo de consumo

1.

Machado de Assis publicou o conto A igreja do Diabo em 12 de fevereiro de 1883 na Gazeta de Notícias, depois reunido no volume Histórias sem data pela editora Garnier, em agosto do ano seguinte. A peça é resultado de um amadurecimento estético e intelectual anterior, período de transição do escritor: de uma parte pelo aprimoramento da escrita de ficção nos anos 1870, de outra pela compreensão das ocorrências mundiais em curso, registradas nas crônicas do mesmo ciclo. Essas duas coisas – apuro técnico da escrita e apreensão do contemporâneo – se desenvolvem concomitantes e formam unidade, tendo como pano de fundo histórico o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial, o qual universaliza sistemas de produção, ideologias e expressões culturais.

Com esse método de trabalho, Machado de Assis vai constituindo um quadro estruturado da modernização e ainda um discernimento crítico sobre ela, buscando compreender sua lógica de reprodução. Essa lógica, entretanto, não é evidente; ao contrário, é preciso forçar categorias para apreendê-la, ou desconstruir sua materialidade para recriá-la através de estratégias singulares de representação.

Parece-nos que foi esse o artifício usado em A igreja do Diabo, uma estética que permitiu a Machado de Assis problematizar, da maneira mais profunda possível, aquele quadro e a lógica do seu funcionamento, sem necessariamente reportá-lo. Conforme veremos adiante, linguagem alegórica e significação realista se mesclam na fabulação e conferem potência de revelação a ela.

Notemos, para começar, que essa peça difere dos outros contos que compõem o volume Histórias sem data, no qual predominam tipos, curiosidades e imagens típicos da cidade do Rio, situações corriqueiras pertencentes à normalidade da vida na capital do país. A igreja do Diabo, entretanto, entrega configuração diversa, sublimando as contingências locais ou de qualquer outra parte e projetando a ação em tempo e espaço indefinidos, abstratos para a História. É nesse ambiente improvável que a essência do real-social é reconstruída, mas não como referência, e sim enquanto processo. Não é apenas uma fatura estética configurada; é isso e simultaneamente uma reflexão crítica dessa mesma fatura.

O conto inicia assim: “Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.

— Vá, pois, uma igreja do Diabo. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. […] E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo”.[i]

2.

A narrativa opera deslocamentos bruscos, passando muito rapidamente da fábula para o concreto: ela inicia situando uma ação transcendente, com atmosfera e personagens extraordinários, e logo passa para certos parâmetros de ideologia e de lógica econômica. Noves fora os motivos alegados e a linguagem desaforada, o Diabo planeja fundar uma empresa. Ele já controlava o negócio, mas faltava, para otimizar seu desempenho, entrar no jogo pela porta da frente, deixar de estar à margem (“Embora seus lucros fossem contínuos e grandes, […] vivia dos remanescentes, dos descuidos e obséquios”).

A narrativa explica isso usando linguagem comercial, expondo a racionalidade imanente do capitalismo. Trata-se de um sistema social cujo imperativo é uma finalidade em si mesma: a incessante criação de valor novo e valor excedente, ou, em outros termos, acumulação de capital, objetivada no crescimento infinito da riqueza. Não é uma escolha do Diabo, não é decisão subjetiva dele, mas a determinação objetiva desse sistema: o Diabo é apenas o agente dessa engrenagem.

A partir desse ponto ele assume na sua pessoa a natureza da livre-iniciativa, tomando uma série de providências condizentes com a metodologia de gestão que o capital requer. Explicando melhor: devido à complexidade e abrangência de um sistema econômico que ia se tornando cada vez mais intrincado, a lógica capitalista foi exigindo que as empresas fossem administradas por profissionais especializados, estabelecendo uma pragmática racional de produção e administração.

O Diabo, em síntese, coloca em prática os novos métodos de gestão empresarial, algo que começa a se desenvolver de maneira mais ou menos coordenada nas décadas de 1840/1850, primeiramente nos EUA, depois Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica e Japão.[ii] As empresas começam a perder o caráter familiar, ou de sociedades definidas, lançando ações no mercado, fomentando a separação entre propriedade e capital.[iii]

De sua parte, o capital vai se tornando cada vez mais autônomo. Não se trata apenas de o mercado, ou seja, a circulação capitalista, passar a coordenar o financiamento, a produção, a circulação, o comércio e o consumo. Mais que isso, o capital vai criando um tipo de hegemonia funcional que opera sobre o todo social, assumindo o papel de verdadeiro sujeito da sociedade.

3.

Esse sistema começa a penetrar a sociedade brasileira e redefinir o tecido social na segunda metade do XIX e Machado de Assis acompanha seu movimento de perto nas séries História de quinze dias (1876-1878) e nas Notas semanais (1878), comentando com ironia e senso crítico as mudanças que vão acontecendo. Uma nova configuração histórica se consolidava, com os novos hábitos burgueses de sociabilidade – hábitos burgueses numa sociedade não burguesa, um desalinho que o escritor explorou com interesse – pautando a dinâmica do consumo. Tudo se transformava em mercadoria: vestuário, ideologia, religião, normas de etiqueta, cultura, literatura e artes, costumes, valores morais e éticos etc.

Voltando ao conto, o Diabo entende que é preciso reinventar a estratégia de gestão, sair da informalidade, aquela situação “sem organização, sem regras, sem nada. Nada fixo, nada regular”. A empresa de Deus, por outro lado, funcionava segundo “cânones e rituais” estabelecidos, obedecendo predisposições características do sistema. Era necessário, portanto, que o Diabo regulamentasse a empresa para lançá-la efetivamente no mercado, segundo as leis da concorrência (“Escritura contra escritura, breviário contra breviário”).

Para cumprir esse programa, a estratégia é dominar a dinâmica do mercado e a primeira providência é oferecer um produto inexistente na praça, do qual a concorrência não dispunha: “Enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única”. Além disso, um produto com valor de custo atraente, porque a concorrência cobrava “preço alto”. O Diabo, portanto, visava o consumo de massa e para tanto não bastava entregar a mercadoria em quantidade.

Tornava-se indispensável conduzir a procura, forjar o interesse dos potenciais compradores, o que exigia intervir diretamente sobre o espaço subjetivo, assunto nuclear do conto. O conto expressa assim, de maneira ousada, o quanto essas duas instâncias – mercado e subjetividade – se encontram estruturalmente implicadas e como se realimentam de forma mútua.

Podemos dizer que o conto desmistifica um dos dogmas pétreos da economia política (origem do neoliberalismo do século XXI). Segundo seus postulados, a economia é governada por uma “mão invisível”, impermeável a intervenções artificiais, uma força intrínseca de movimento, que a autorregula.[iv] Tudo indica, porém, que, para Machado de Assis não existe tal mão autorreguladora. Ele parece ter clareza de que é a dinâmica agressiva do mercado, forjada pelo imperativo do crescimento infinito da riqueza, que comanda o processo.

Daí que o Diabo recorre a um dos instrumentos mais eficazes quando o objetivo é manipular: a publicidade. Por sinal, a obra machadiana está cheia de referências à publicidade como ferramenta do mercado; basta lembrar o emplastro Brás Cubas (Memórias póstumas, 1881) ou a tabuleta do Custódio (Esaú e Jacó, 1904). Em todos esses casos, a ocupação primeira é com a marca, ou melhor, com o nome da marca, pois a marca é a portadora da mercadoria. Todos irão definir a marca com o próprio nome, mas o Diabo emprega uma estratégia própria para isso, desenvolvendo um discurso espiral e envolvente: “Sim, eu sou o Diabo, repetia ele; o Diabo verdadeiro e único. Vede-me gentil e airoso. Vamos lá: tomai daquele nome inventado para o meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo…”.

4.

Observando com cuidado, nota-se que Machado de Assis analisa esse fenômeno de maneira materialista, tocando o ponto essencial para entender a lógica de consumo daquele tempo… e do nosso: a ideia de que o mercado será capaz de realizar as aspirações e os anseios mais recônditos das pessoas, na medida em que elas possam adquirir coisas. Não é exatamente oferecer um produto qualquer (“tudo, tudo, tudo, tudo, tudo…”), mas disponibilizar o próprio desejo — reparem bem que não é o necessário que norteia o discurso, mas o devaneio da escala excessiva. Em outras palavras, o Diabo promete a realização plena do sujeito enquanto sujeito monetário, ou seja, o indivíduo com capacidade de consumo.

Dando sequência, ele se apresenta, numa referência ao Fausto de Goethe, como “gênio da natureza”, o criador de uma espécie de segunda natureza das coisas e dos seres, assim como atua o próprio capitalismo, que cria uma segunda natureza, tanto física quanto humana. Falando da natureza humana, o capitalismo reelabora praticamente todo aparato interior ou interiorizado, a exemplo do caráter, do sentimento ou da libido; reelabora o próprio fundamento da vida social, o qual se metaboliza, dialeticamente falando, na subjetividade de cada indivíduo.

Na análise arguta de Karl Marx: “O próprio consumo é mediado, enquanto impulso, pelo objeto. A produção, por conseguinte, produz não somente um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto. Logo, a produção produz o consumo na medida em que (i) cria o material para o consumo; (ii) determina o modo do consumo; (iii) gera como necessidade no consumidor os produtos por ela própria postos primeiramente como objetos. Produz, assim, o objeto do consumo, o modo de consumo e o impulso do consumo”.[v]

Compreendido esse nexo de causas entrelaçadas, o Diabo atua no sentido de conformar a segunda natureza de maneira enviesada, criando subterfúgios pelo caminho. A narrativa se apoia na retórica religiosa, se referindo aos pecados capitais, dos quais o Diabo apropria os significados e os subverte. A dessacralização procede duplamente, na apropriação propriamente dita e na inversão que o Diabo comete.

5.

Vejamos: Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada. O mesmo disse da gula, que produziu as melhores páginas de Rabelais.

O discurso e a práxis do Diabo são comparáveis aos de Brás Cubas, o artífice da volubilidade[vi]: ele se serve dos valores morais estabelecidos e os privatiza, quer dizer, ele os ressignifica de acordo com seus interesses particulares. A fraseologia é toda elaborada dentro de uma lógica artificiosa, que faz com que uma coisa represente o seu contrário: a soberba não é soberba, a luxúria não é luxúria, a gula não é gula e assim por diante.

No fundo dessas inversões reside um fundamento econômico meticulosamente elaborado: a calúnia, por exemplo, deveria visar sempre a “retribuição pecuniária ou de outra espécie”; o respeito apenas seria tolerado se satisfizesse algum “interesse” por trás; e o amor, por sua vez, era reputado como “invenção de negociantes insolváveis”. A narrativa comete progressivamente a inversão de repertórios, que vão do domínio religioso aos fundamentos da economia moderna.

A avareza, por exemplo, é a “mãe da economia”, mas a economia ela mesma é uma “esgalgada” enquanto a avareza é “robusta”: na língua do Diabo, a verdade está na robustez da acumulação, da riqueza sem fim, enquanto a língua da virtude e da ciência econômica burguesa proclama a frugalidade e o princípio da escassez. Fazendo a mediação desses polos, a narrativa penetra de maneira mais eficaz a lógica de funcionamento do fenômeno. Dessa forma o Diabo valida a fraude, a especulação, o roubo e o peculato.

Igualmente justifica a venalidade, classificando-a como algo natural do comportamento humano, uma maneira insidiosa que ele usou para caucionar o comércio como mecanismo universal: “Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma questão jurídica e legal, mas que em todo caso estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo?”.

Vê-se num crescendo que os princípios operadores do capitalismo atingem o âmago do humano, transformando-o também em dispositivo de valor. Coisas que não são produto do trabalho não deveriam, segundo a economia política, portar valor, mas eis que portam, sob a forma de preço. O Diabo transforma qualquer tipo de transação financeira ou monetária de natureza infralegal em valores morais autênticos, digamos, próprios da normalidade social da vida.

Contudo, mais do que valores morais, trata-se aqui de práticas usuais de ordenamento do capital, uma vez que, embora condenados do ponto de vista ético e criminalizados pelos princípios jurídicos, esses princípios são empregados sistematicamente como método de acumulação. É isso que o Diabo quer legitimar no final das contas: as “vantagens pecuniárias” que se conquistam ao sobrepujar as barreiras ético-morais antepostas à interminável acumulação e ao crescimento infinito da riqueza.

6.

Esse ensinamento não difere substancialmente dos princípios do liberalismo econômico, segundo os quais deve o indivíduo “superar uma centena de obstáculos impertinentes com os quais a insensatez das leis humanas sobrecarrega as operações” do capital.[vii] O Diabo endossa o essencial desse pensamento liberal, dizendo que, “à vista do preconceito social, convinha dissimular o exercício de um direito tão legítimo”.

Falando da composição, A igreja do Diabo realiza ajuste mimético entre a fatura estética e sua matéria, a qual, de nosso ponto de vista, é constituída pela natureza do capital. Como vimos, o Diabo converte a essência do humano – sentimento, ética, visão de mundo – em mercadorias, Seu veneno está, pois, em sugerir que são as mercadorias as portadoras dessa essência. A figuração tem profundidade, explorando arrojadamente a forma definitiva que expressa a era moderna.

A mercadoria, enquanto forma social, desempenha papel central no mundo do capital, operando metamorfoses sobre metamorfoses: sendo historicamente determinada, se apresenta como natural, como coisa que sempre existiu, algo externo aos indivíduos, apreensível pelos sentidos; tendo sido produzida pelas relações sociais modernas, parece característica imanente da individualidade humana, algo intrínseco a ela.

Assim como a mercadoria, os valores subjetivos preconizados pelo Diabo (ira, soberba, egoísmo) e ainda os pertencentes à esfera econômica (cobiça, fraude, venalidade) não são individuais, mas sociais, só existindo no circuito de trocas efetivas da experiência de vida. Em suma, os valores que o Diabo oferta no mercado são a negação de si mesmos, porque, esvaziados de significado social, são reduzidos – o Diabo afirma que são sua verdadeira natureza – a uma espécie de interioridade vazia.

O objetivo do Diabo não é colonizar uma célula do mercado, mas abarcar o mercado como um todo. O substrato da inversão que ele promove não se reduz ao destino de um indivíduo único ou de um indivíduo genérico, mas ao destino de toda a sociedade, criando um “mundo encantado”, como se referiu Marx às peripécias do capital[viii]. Para arrematar, o Diabo se serve de uma linguagem ajustada ao problema que levanta, dotada com a performance de reproduzi-lo, uma fatura capaz de desrealizar a realidade e apresentá-la como negatividade, isto é, apresentá-la em potência. A narrativa desenrola uma estrutura complexa de figuração na qual camadas assimétricas de significação se sobrepõem e se deslocam reciprocamente, indo e vindo entre o místico e o concreto. Assim, ela atinge um ponto crítico agudo, mostrando a ilusão da fábula como ilusão objetiva.

A igreja do Diabo é uma pequena obra-prima, que supera, em sentido dialético, as condições nacionais, quer dizer, ela incorpora as contradições do nacional para encontrar sua própria raiz, o universal. A crítica literária hegemônica atribui esse último predicado ao fato de Machado de Assis aprofundar a intertextualidade lúdica e provocadora com os grandes mestres da literatura mundial – neste conto em particular, as referências incluem Goethe, Milton e a Bíblia.

De nosso ponto de vista, a universalidade de Machado de Assis se deve principalmente à sua capacidade de compreender e formalizar a totalidade material do mundo, dado inesperado na outra chave de leitura, e que apresenta uma instigante questão teórica: na trilha aberta por Roberto Schwarz, é aqui, na periferia do sistema do capital, que as regras do jogo (as quais sobrevivem, pelo menos na aparência, nos centros mais adiantados) revelam sua essência embusteira e onde a transformação dos pecados em virtudes pode ser feita sem grande constrangimento. Aqui o Diabo não utiliza subterfúgios, nem precisa deles.

ROGÉRIO CORDEIRO & LEDA PAULANI ” BLOG A TERRA É REDONDA” ( BRASIL)

*Rogério Cordeiro é professor titular de literatura brasileira na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Autor, entre outros livros, de Quincas Borba: romance da modernização tardia (Fino Traço).

*Leda Paulani é professora titular sênior do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP). Autora, entre outros livros, de Modernidade e discurso econômico (Boitempo).

Notas


[i] As passagens do conto citadas no corpo do texto foram retiradas da edição: ASSIS, Machado de. Obra completa em quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008, vol. 2, p. 347-352.

[ii] McCRAW, Thomas. Creating modern capitalism: how entrepreneurs, companies and countries triumphed in three industrial revolutions. Cambridge: Harvard u.p., 1999.

[iii] Dez anos depois, em janeiro de 1893, no auge da crise do Encilhamento, Machado de Assis volta a esse mesmo tema (a engenharia do mercado de ações) e à sua forma de figuração (o Diabo como agente econômico): “O Diabo pretende organizar uma sociedade anônima, dividindo a propriedade em infinitas ações e prazo eterno. As ações, que ele dirá nos anúncios serem excelentes, mas que não podem deixar de ser execráveis, conta vendê-las com grande ágio” (ASSIS, Machado de. A Semana. In: Obras completas em quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008, vol. 4, p. 947-949).

[iv] SMITH, Adam. A riqueza das nações. Trad. de Alexandre A. Rodrigues e Eunice Ostrensky. São Paulo: Martins Fontes, 2016, vol. 1, p. 566-569.

[v] MARX, Karl. Grundrisse: Manuscritos econômicos de 1857-1858; Esboços da crítica da economia política. Trad. de Mário Duayer e Nélio Schneider. São Paulo: Boitempo, 2011, p. 47.

[vi] SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis. 4 ed. São Paulo: Duas Cidades, Ed. 34, 2000.

[vii] SMITH, Adam. A riqueza das nações.  Tradução de Alexandre A. Rodrigues e Eunice Ostrensky. São Paulo: Martins Fontes, 2016, vol. 2, p. 682.

[viii] MARX, Karl. O capital: crítica da economia política: Livro III: o processo global da produção capitalista. Trad. de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2017, p. 892).

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