LARANJA MADURA, COM MARIMBONDO NO PÉ, JÁ ESTÁ PODRE E FEDE

A revista Época, esta semana, em reportagem de Juliana Dal Piva, assinala a passagem, hoje, dos 150 dias do aparecimento público do “Caso Queiroz”, com as movimentações milionárias na conta do “faz-tudo” Fabrício Queiroz, inclusive os cheques depositados na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Tempo que, segundo a Folha, eleva-se para quase 500 dias da data em que o relatório sobre o giro de uma dinheirama na Assembléia Legislativa, onde o gajo era assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro, o Filho o1 do presidente.

Tempo mais que suficiente para atestar a desídia com que se trata a questão. Só agora, como anuncia a coluna de Lauro Jardim, em O Globo, o Ministério Público pedirá a quebra do sigilo brancário de Queiroz e de seu chefe na Alerj, Flávio.

Mas tempo insuficiente para outras providências, como a de ouvir pessoalmente o ex-PM, que até agora só mandou seus advogados responderem vagamente a um questionário dos promotores. Tão vagamente que diz que a “bufunfa” se destinava a pagar funcionários “informais” do gabinete, que sequer enumera e muito menos identifica.

Quase tão distante é o passado em que Flávio Bolsonaro prometeu a tal “história plausível” que Queiroz contaria sobre o dinheiro, antes de ir ao Supremo pedir que se descesse uma cortina de silêncio sobre o caso.

Depois da entrevista amestrada, onde disse que “fazia rolos” com compra e venda de veículos, o trambiqueiro desapareceu. O que, depois de tantos dias, quer dizer apenas que não o procuram.

Juliana traz uma informação nova: a de que ele esteve metido no caso de uma extorsão a um ex-presidiário, ao qual teria exigido R$ 20 mil para não fazer uma prisão por tráfico de drogas, forjada. O acusado não só teve sua absolvição pedida pelo Ministério Público como Queiroz e seu parceiro na empreitada, Jorge Marcelo da Paixão (hoje, morto) foram mandados ser investigados pela Justiça Militar.

Estamos, como se sabe, no país da Lava Jato, do combate implacável à corrupção e da “nova política”. Aquele onde “a lei é para todos”, onde o superministro da Justiça é de fazer inveja a Elliot Ness.

Essa laranja não está madura, já está podre. Mas todos tem pavor do marimbondo que está no pé.

FERNANDO BRITO ” BLOG TIJOLAÇO” ( BRASIL)

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