QUANDO LUIS BRANDONI ESTAVA ENSINANDO ROBERT DE NIRO SOBRE PRATOS TÍPICOS AMERICANOS

Uma cena cômica da série Nada, de Gastón Duprat e Mariano Cohn, estrelada pelo falecido ator, viralizou nas redes sociais.

A morte de Luis Brandoni, ocorrida em 20 de abril aos 86 anos, foi relacionada a complicações neurológicas decorrentes de um acidente doméstico sofrido dias antes. Segundo familiares e amigos, o ator caiu em seu quarto em 11 de abril, um golpe que causou um hematoma subdural — acúmulo de sangue entre o cérebro e sua membrana externa — que comprometeu progressivamente suas funções neurológicas.

Após o acidente, o astro do filme  “La Patagonia rebelde”  foi internado no Sanatório Güemes, onde permaneceu em estado crítico por aproximadamente nove dias. Inicialmente, sua evolução foi moderadamente promissora, mas nas últimas 48 horas, seu quadro clínico deteriorou-se irreversivelmente devido ao aumento da pressão intracraniana, típico desse tipo de lesão em pacientes idosos. A causa final da morte, segundo laudos médicos, foi a deterioração neurológica associada ao hematoma subdural resultante da queda. ANÚNCIO

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Brandoni

A despedida pública ocorreu na Assembleia Legislativa da Cidade de Buenos Aires, onde a capela funerária foi montada para o velório, em meio a uma profunda manifestação cultural. Figuras das esferas artística, política e teatral prestaram suas homenagens, refletindo a amplitude de sua influência. Seus restos mortais foram posteriormente sepultados no Cemitério de Chacarita em uma cerimônia solene marcada pelo reconhecimento institucional. 

A carreira de Brandoni abrangeu mais de seis décadas e englobou cinema, teatro e televisão. Ele estreou nos palcos em 1962 e rapidamente consolidou uma carreira que o tornaria uma das figuras centrais do entretenimento argentino. No cinema, sua presença foi fundamental em títulos icônicos como La Patagonia Rebelde, La Tregua, Esperando la Carroza e La Odyssey de los Giles, onde demonstrou uma versatilidade que oscilava entre a comédia popular e o drama político.

Na televisão, alcançou enorme popularidade com a série ” Mi cuñado” (Meu Cunhado) , ao lado de Ricardo Darín , além de inúmeros papéis em outras produções que consolidaram seu status como um rosto familiar ao público argentino. Sua carreira também foi marcada por um forte engajamento político: atuou como deputado nacional pela União Cívica Radical e foi uma voz ativa em debates culturais e sociais, mesmo durante os anos da ditadura, período em que sofreu perseguição e exílio. 

Brandoni - De Niro

Na série Nada , dirigida por Mariano Cohn e Gastón Duprat , o ator interpretou Manuel Tamayo Prats , um sofisticado crítico gastronômico de Buenos Aires que enfrenta uma crise existencial após a morte de sua governanta de longa data. O personagem, acostumado a uma vida de privilégios e dependência, é forçado a reconstruir sua rotina diária, o que o confronta com sua própria vulnerabilidade e um profundo reexame de sua identidade. 

O conflito central de Manuel reside em sua incapacidade de se adaptar à vida cotidiana sem ajuda, o que serve como metáfora para uma elite cultural desconectada da praticidade. A série combina elementos de comédia e drama para explorar essa transformação, tendo Buenos Aires como pano de fundo ativo para essa introspecção. 

Nesse contexto , Robert De Niro aparece interpretando Vincent Parisi, um velho amigo do protagonista que viaja de Nova York. Seu personagem funciona como narrador e contraponto emocional, oferecendo uma perspectiva externa que enriquece o desenvolvimento de Manuel. A participação de De Niro, que marcou sua estreia internacional na televisão nesse formato, foi breve — ele filmou por aproximadamente uma semana na Argentina —, mas extremamente crucial para a dinâmica narrativa. Guillermo Francella

Após a morte de Brandoni, uma cena cômica da série viralizou nas redes sociais. Em um trecho, o personagem de Manuel explica ao seu amigo americano como são os doces argentinos clássicos, como medialunas, bolas de fraile e cañoncitos com doce de leite. O personagem de Parisi experimenta as guloseimas com certo espanto, dando sua opinião a cada mordida, antes de finalizar com um gole de mate amargo.  

 O projeto ganhou uma dimensão única devido ao vínculo pessoal e de amizade entre os dois atores, forjado ao longo de décadas e retratado na tela como uma amizade madura e complexa entre homens mais velhos. Sobre essa colaboração, Mariano Cohn destacou a química entre os dois intérpretes e a natureza excepcional do encontro cênico, que combinou a tradição teatral italiana com o estilo introspectivo do “Método” nova-iorquino.

Nas palavras do próprio diretor: “Havia um vínculo muito especial entre Brandoni e De Niro”, ressaltando a naturalidade e a profundidade que alcançaram em suas cenas conjuntas, resultado tanto da experiência quanto do respeito mútuo entre os atores.

GUSTAVO WINKLER ” NOTÍCIAS” ( ARGENTINA)

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