
Votação municipal na França era considerada como teste para eleição presidencial de 2027
Candidatos socialistas venceram algumas das principais cidades francesas em eleições municipais consideradas como um termômetro do que poderá ser a disputa pela presidência do país em 2027.
Se os resultados ainda mostraram que os ultraconservadores não conseguiram atingir seus objetivos de chegar ao poder em grandes cidades, eles mantiveram sua presença em cidades médias e no interior do país. Nas pesquisas de opinião para a eleição presidencial, o partido xenófobo de Marine Le Pen ainda lidera as pesquisas. Mas a política não poderá concorrer, já que foi condenada por desvios de fundos, e será Jordan Bardella quem se apresenta como candidato.

Neste fim de semana, porém, foi a esquerda que comemorou. O socialista Emmanuel Grégoire foi eleito prefeito de Paris, numa aliança com os ecologistas. Para marcar sua vitória, ele percorreu a cidade numa bicicleta, num sinal de que as políticas ambientais iriam continuar.
Durante a campanha, o socialista havia alertado sobre o risco de a capital francesa se transformar num “laboratório trumpista da aliança entre a direita e a extrema direita”.
“Paris será o coração da resistência contra essa aliança da direita, que busca nos tirar o que consideramos mais precioso e frágil: a simples alegria de vivermos juntos”, disse. A socialista Anne Hidalgo, a prefeita que deixa o poder, comemorou: “Paris escolheu o futuro com a democracia e a esquerda verde”.
Na segunda maior cidade da França, Marselha, uma coalizão de esquerda venceu e barrou o avanço do partido de Marine Le Pen. Mesmo assim, a extrema direita somou 40% dos votos. Para os socialistas, foi uma vitória para os “humanistas que rejeitam as vozes que fomentam a divisão”.
O partido de Le Pen foi ainda derrotado em Toulon, para a surpresa de muitos. A esquerda ainda derrotou a extrema direita em Nîmes e venceu em Lyon, Grenoble e Nantes.
“Diante da desintegração do campo macronista e da fusão ideológica entre a direita e a extrema direita, só a esquerda pode impedir que a França sofra uma regressão reacionária e ultraliberal. E podemos ver que isso é possível”, comemorou o Partido Socialista após a divulgação dos resultados.
Extrema direita sem vitórias simbólicas
Os ultraconservadores tinham anunciado que a eleição municipal seria um teste para 2027. Mas nenhuma vitória simbólica foi obtida. Os avanços, ainda assim, foram registrados em cidades pequenas, com a vitória em 55 prefeituras.
A extrema direita ainda venceu em Nice, a quinta maior cidade da França, além de Carcassonne, Menton e Castres.
O líder do partido, Jordan Bardella, destacou o número inédito de vereadores eleitos da extrema direita. “Nunca tivemos tantos representantes eleitos em toda a França”, disse. Para ele, o avanço de seu partido é “calmo”.
Extrema esquerda com poucos avanços
A vitória da aliança entre socialistas e ecologistas em diferentes cidades também sinalizou para a esquerda um caminho para a eleição presidencial, sem ter de contar com a liderança de A França Insubmissa e Jean Luc Melenchon.
Ainda assim, o tradicional líder viu sua base se fortalecer nas periferias das grandes cidades francesas, principalmente entre descendentes de imigrantes.
Já o partido de Emmanuel Macron, o atual presidente, obteve vitórias importantes em Bordeaux e Le Havre, com Edouard Philippe. Ele é tido como uma das apostas da direita para a corrida presidencial em 2027.
JAMIL CHADE ” BLOG ICI NOTCIAS ´” ( BRASIL)