” O CARNAVAL É O MAIOR ATO POLÍTICO DO BRASIL” NA VISÃO DE TIARAJU PABLO

Acima de tudo, as escolas de samba são instituições que pensam o Brasil e suas raízes”, define o sociólogo Tiaraju Pablo, coordenador do Centro de Estudos Periféricos (CEP-Unifesp) e pesquisador do mundo do Carnaval. Para ele, os enredos que as escolas levaram para o sambódromo na última década, tanto no Rio quanto em São Paulo, foram marcados por causas populares, críticas sociais e temas afro. A Portela, por exemplo, irá homenagear Custódio Joaquim de Almeida, babalorixá que viveu entre os séculos XIX e XX em Porto Alegre. “O enredo recoloca o verdadeiro lugar da africanidade gaúcha”, afirma. Em São Paulo, a Acadêmicos do Tatuapé traz para a avenida as lutas sociais pela terra e uma homenagem ao MST. Já na Gaviões da Fiel, o enredo trata das nações indígenas e a importância de defendê-las. Este ano, entretanto, o sociólogo vê um outro movimento importante nas agremiações: as homenagens a personalidades. Em 2026, o grupo especial do Rio de Janeiro, sete das doze escolas de samba homenageiam nomes de dentro e de fora do Carnaval. O Salgueiro homenageia a carnavalesca Rosa Magalhães, que faleceu em 2024. Já o enredo da Unidos da Tijuca é sobre a escritora Carolina Maria de Jesus, autora de “Quarto de Despejo”. Imperatriz Leopoldinense e Mocidade Independente tratam de Ney Matogrosso e Rita Lee. “São pessoas transgressoras, disruptivas, ousadas”, avalia Tiaraju. “Ney Matogrosso merecia a homenagem. Ele tem a estética do Carnaval”. Com relação à Acadêmicos de Niterói cujo enredo é sobre o presidente Lula, o sociólogo afirma que a escolha mostra um posicionamento importante da escola. Para ele, a trajetória de Lula é uma síntese do que foi o Brasil nos séculos XX e XXI. Confira a entrevista completa ao colunista Augusto Diniz.

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