FALTA ALGUÉM NO JULGAMENTO DO MASTER

Em outubro de 2025, antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Master “pontual e não sistêmico”

Roberto de Oliveira Campos Neto foi presidente do Banco Central do Brasil de 28 de fevereiro de 2019 até 1º de janeiro de 2025, indicado pelo governo de Jair Bolsonaro.  Jamais escondeu sua militância partidária, desde a campanha de Bolsonaro até sua saída do Banco Central.

É sabido que o Banco Master tinha estreitas ligações com grandes lideranças do Centrão, como Arthur Lira, Antonio Rueda e Ciro Nogueira.

É importante entender o que significou a iniciativa inicial do Tribunal de Contas da União, através do respeitado procurador Lucas Furtado, e a malícia do ministro do Centrão, Jhonatan de Jesus.Play Video

A intenção de Furtado era analisar os procedimentos do Banco Central para entender a demora em atuar em relação ao Master. Jhonatan aproveitou a brecha para falar em reverter a liquidação.

Vamos retomar, então, as preocupações de Lucas Furtado: qual a razão da demora do BC em agir?

Segundo a Bloomberg, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito)  enviou cartas formais de advertência ao Banco Central. Executivos que financiam o FGC também teriam buscado o BC para alertar sobre o banco. Alguns desses alertas teriam chegado diretamente a Roberto Campos Neto. 

Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que Campos Neto teria prometido agir frente a esses alertas, mas sem implementar ações regulatórias mais incisivas ou mudanças supervisionais imediatas no ritmo que o banco se expandia. 

Essa percepção — de que o BC não agiu com a rapidez desejada dadas as preocupações levantadas — alimentou críticas no mercado e entre observadores: pela velocidade de crescimento do Master, que continuou a emitir títulos e expandir carteiras; pela falta de medidas prudenciais mais duras antecipadamente. 

Durante a própria gestão de Campos Neto ainda ocorreram alguns episódios importantes:

Em outubro de 2025, ainda antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Banco Master “pontual e não sistêmico”, sinalizando que a instituição não representava um risco amplo ao sistema financeiro — embora ressaltasse a necessidade de análise cuidadosa. 

Membros da Associação Brasileira de Bancos reconheceram que o sucessor de Campos Neto, Gabriel Galípolo, tem agido com base em evidências técnicas mais claras, enquanto a anterior gestão foi considerada menos proativa diante de riscos emergentes. 

Uma cronologia do desastre anunciado mostra a inoperância do BC, sob Campos Neto:

2019

  • Assinatura do acordo de cooperação BC–FGC
  • Abre canal formal para troca de alertas
    Infraestrutura de aviso criada — mas pouco usada de forma decisiva

2020–2022

  • FGC envia cartas ao BC alertando:
    • crescimento acelerado do Master
    • ativos de difícil avaliação
  • Grandes bancos também alertam informalmente
    Nada muda na supervisão prática

BC ouve, arquiva e segue o jogo.

2023

  • Master acelera captação:
    • CDBs com taxas agressivas
    • expansão fora do padrão prudencial
  • Novos alertas chegam ao BC
    Nenhuma medida restritiva concreta

2024

  • Crise de liquidez começa a aparecer
  • FGC passa do alerta à ação: socorro financeiro
  • BC intensifica monitoramento tardiamente

Aqui já era incêndio, não fumaça.

Set/2025

  • BC barra venda ao BRB
  • Primeira ação regulatória dura
    Tardia: banco já em colapso

Out/2025

Campos Neto declara:

“Caso pontual, sem risco sistêmico”

Tradução histórica: subestimou o problema.

Custo da omissão: R$ 41 bilhões do FGC, e uma quantia ainda não calculada de correntistas e investidores.

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

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