VIRGEM DE GUADALUPE MÃE DAS AMÉRICAS

 Fui vaticanista por 12 anos, em Roma, e digo, com convicção, que o mais popular dos Papas foi o polonês Karol Woytila (1920 – 2005), eleito no Conclave de 16 de outubro de 1978, escolhendo o nome de João Paulo II. Ele celebraria, durante seu extraordinário Pontificado, as cinco missas de maior plateia nestes dois mil anos de Cristianismo, todas contando com a presença de cerca de um milhão de fiéis. Duas aconteceram na sua Polônia natal – ambas no santuário de Jasna Góra, a Madonna Nera, ou seja, Nossa Senhora Negra, em Czestochowa, localidade a 220 quilômetros ao Sul de Varsóvia.

A primeira foi em cinco de junho de 1979 e a segunda, em 1983, quando o Leste europeu, sobretudo a Polônia, já se levantavam contra o regime comunista. Acompanhei esta Missa, junto ao altar central, enviado pela revista semanal “Istoé”, como correspondente. Estava ao meu lado o querido amigo Dirceu Brisola – jornalista da concorrente “Veja”. Havia bandeiras de vários países ainda sob o “socialismo real”. Principalmente da Hungria e Checoslováquia (que, todavia, englobava a República Checa e a Eslováquia).

A terceira, à qual também estive presente, transcorreria no imenso Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, em primeiro de julho de 1980, sob um coral de milhares de vozes cantando “A bênção, João de Deus”, um hino adotado pela torcida do Fluminense, que até hoje o entoa nos momentos difíceis do time. Também estive presente. A quarta, igualmente comovente, ocorreria no Líbano, na região portuária de Beirute, denominada La Quarantaine, no dia 11 de maio de 1997 – após uma emocionante peregrinação à Basílica de Notre Dame du Liban (Nossa Senhora do Líbano), em Harissa, ao Norte da capital, seguida por uma multidão de fervorosos cristãos do Oriente Médio. O Líbano é o único país de língua árabe que conseguiu resistir ao expansionismo do Islã e manteve-se, predominantemente, Cristão.

E a quinta, que, a rigor, foi a primeira, teve celebração na Cidade do México, no dia 26 de janeiro de 1979, na monumental Catedral de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do México e de toda a América de habla española. A cerimônia foi realizada na fabulosa Plaza de la Constituición, conhecida por El Zócolo, com seus 47.800 metros quadrados totalmente tomados pelo público, que tive a oportunidade de cobrir, como enviado de “O Globo”. Mas, curiosamente, o primeiro Santo Padre a visitar o Novo Mundo foi o italiano Paulo VI (1897 – 1978), ao inaugurar, em Bogotá, capital da Colômbia, em 22 de agosto de 1968, o Congresso Eucarístico Internacional.

Foi nessa ocasião, que a Igreja, comandada por um Sumo Pontífice peninsular, nascido na Província de Brescia, quase na fronteira suíça, se deparou com o movimento dos sacerdotes latino-americanos adeptos da Teologia da Libertação. Foi uma histórica e polêmica passagem de Paulo VI pelo continente. Só onze anos depois se daria a segunda viagem Pontíficia às Américas – com a triunfal chegada ao México de João Paulo II. A Virgem de Guadalupe é um título Católico de Maria, Mãe de Jesus, relacionado a uma série de quatro aparições marianas a um camponês mexicano chamado Juan Diego e uma ao seu tio, Juan Bernardino, que se acredita terem ocorrido em dezembro de 1531.

Uma imagem venerada, em um manto, está entronizada na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. O Papa Leão XIII (1810 – 1903), italiano da Região do Lácio, concedeu à representação um decreto de coroação canônica em 8 de fevereiro de 1887, e ela foi coroada em 12 de outubro de 1895. Sua Basílica é o santuário católico mais visitado do mundo, à frente das basílicas de São Pedro, em Roma, e de Nossa Senhora de Aparecida, em São Paulo.  

Que o manto amoroso da Virgem de Guadalupe nos cubra neste Natal de 2025, abençoando-nos com sabedoria e tolerância.

ALBINO CASTRO “PORTUGAL EM FOCO” ( BRASIL / PORTUGAL)

Albino Castro é jornalista e historiador


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