
O empresário acusado de tráfico de drogas tentou evitar a extradição e agora promete ligar o ventilador. O pagamento mensal que Espert pagava ao libertário.
5 de novembro, uma quarta-feira, é a data-chave na mente dos principais estrategistas do governo, com exceção, é claro, de 26 de outubro. Essa quarta-feira finalmente verá a extradição de “Fred” Machado para os Estados Unidos, onde a justiça americana ordenou sua prisão por suposto tráfico de drogas e fraude. Machado, sabe-se, é o empresário argentino que financiou José Luis Espert com US$ 200.000 em sua campanha de 2019, prometeu-lhe pelo menos US$ 800.000 a mais e emprestou-lhe seu avião particular para suas viagens de campanha. Ele também é quem, um dia antes de a Suprema Corte aprovar sua extradição, concedeu uma entrevista à jornalista de Río Negro, Carolina Fernández, que só recentemente se tornou conhecida. Nela, ele diz coisas terríveis como as seguintes: “Mando um recado a Santiago Caputo: ‘Não quero ir para os Estados Unidos. Se isso explodir, vou levar tudo à falência. Eu falo e o país cairá amanhã.'” A resposta foi: “Mensagem recebida”. Ele confessou à imprensa que havia mantido contatos com os mais altos escalões do governo Javier Milei para impedir sua entrega à justiça americana. E que, se isso não acontecesse, ele cantaria e “o país cairia”.
O que “Fred” Machado sabe para lançar tal esquema de extorsão e pedir ajuda aos libertários? Na entrevista, ele também falou sobre o suposto apoio financeiro à campanha presidencial de Patricia Bullrich em 2023 e seus supostos vínculos com o governador de Río Negro, Alberto Weretilneck. Ele também reclamou: “Espert não deveria ter me negado. Por que ele me negou?” Mas ele não mencionou o presidente por enquanto. O pesadelo que assombra o governo é que, uma vez deportado para os Estados Unidos, o empresário decida se tornar um colaborador da justiça americana para melhorar sua posição legal e se infiltrar em membros da administração de Milei. Nos tribunais de Nova York, lembre-se, Milei e sua irmã Karina já estão sendo investigadas pelo golpe da criptomoeda Libra. Resta saber se o escudo protetor do presidente Donald Trump conseguirá manter seus amigos argentinos longe dessas investigações.
Mas como Machado poderia comprometer Milei se ele se mostrasse arrependido? A especulação em alguns círculos de poder — que têm conhecimento em primeira mão dos laços do presidente com Espert — é a seguinte: o economista careca foi quem introduziu Milei na política durante a campanha de 2021, em troca, como ele próprio admite em particular, de uma bolsa mensal. “Porque Javier precisava do dinheiro, foi por isso que ele concordou em entrar na política”, Espert foi ouvido explicando. E a pergunta, então, inevitavelmente surge: Milei sabia a origem da generosa quantia mensal que seu parceiro lhe pagava? Seria uma planta doada por “Fred” Machado? E mais uma pergunta gigantesca: por que há essa maldita coincidência de Espert, Milei e Machado compartilharem o mesmo advogado, Francisco Oneto? Toda essa história não é óbvia e obscena demais?
Uma consideração final. No relatório em que lançou seu esquema de extorsão, Machado menciona o assessor Santiago Caputo como o destinatário de suas alegações, embora claramente, por meio de Oneto, ele tivesse uma linha direta com o presidente. Ele provavelmente fez isso por dois motivos. O primeiro: proteger Milei e não jogar essa carta prematuramente, porque ela serve como uma ameaça latente. O segundo motivo: Caputo é quem supostamente recebeu a denúncia do governo dos EUA sobre a inclusão de um político com supostos vínculos com drogas na principal chapa eleitoral do Partido Libertário, uma questão muito sensível para Washington. A pessoa que supostamente levantou a questão com o assessor é Leonardo Scatturice, o lobista que ele contratou do SIDE (Serviço Nacional de Inteligência) para amenizar as relações com Trump. O parceiro de Scatturice é Barry Bennett, amigo e ex-assessor do presidente dos EUA, e o arquiteto do resgate dos Libertários pelos republicanos.
Segundo essa lógica, Espert caiu em desgraça não apenas por causa da pressão das pesquisas, mas também por causa de um pedido específico que o Norte supostamente transmitiu a Caputo.
“Fred” Machado percebeu isso. E prometeu vingança.
FRANCO LINDNER ” REVISTA NOTÍCIAS” ( ARGENTINA)