
Mestres da crônica esportiva marcaram profundamente minha formação como jornalista. Começando por Luís Eugênio Tarquinio (1925 – 2014) e José Amílcar, hoje, com 86 anos, no semanário baiano “Esporte Jornal”. Muito me influenciaria, ainda, Vital Battaglia, 83 anos, do “Jornal da Tarde”, do Grupo Estadão, meu padrinho ao chegar em São Paulo, apresentando-me à “Folha da Tarde”, um dos diários do Grupo Folhas, onde tive como chefe o saudoso Celso Brandão (1940 – 2012). Foi um grande mestre, também, Rui Falcão, 81 anos, um caríssimo amigo, ex-Presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) e atual Deputado Federal por SP pela sigla do Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva. Ele foi o meu editor de Esportes no então vespertino paulistano “A Gazeta”.
Três outros mestres do Rio de Janeiro me inspiraram no amor pela História do Futebol. Um deles foi Mário Filho (1908 – 1966), fundador do cotidiano carioca “Jornal dos Sports”. Li todos os seus livros. Nenhum superou, para mim, o celebrado e esgotadíssimo “A Copa Rio Branco 1932”, que descreve, com estilo fascinante, a primeira conquista da Seleção Brasileira no exterior – precisamente contra o vizinho Uruguai, em Montevidéu, no mítico Estádio Centenário, graças à genialidade de dois craques suburbanos cariocas, o zagueiro-central Domingos da Guia (1912 – 2000), à época, no Bangu, e o centroavante Leônidas da Silva (1913 – 2004), do Bonsucesso.
O segundo foi o dramaturgo Nelson Rodrigues (1912 – 1980), maior cronista nacional de futebol, criador do inesquecível “Sobrenatural de Almeida”. Tive o privilégio de me tornar, eu mesmo, na década 1970, um de seus personagens nas crônicas em “O Globo”. E o terceiro é o meu querido padrinho de casamento, João Máximo, 90 anos, autor de “Os Gigantes do Futebol Brasileiro”, em parceria com Marcos de Castro (1934 – 2018).
Nascido em Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, dentista de formação, tendo sido um dos integrantes do Departamento Médico do Vasco da Gama, em 1958, quando o Gigante da Colina ganhou o título no legendário Super Campeonato Carioca, João Máximo, cujo nome completo é João Máximo Ferreira Chaves, brilharia, a partir de 1962, como um dos melhores textos da nossa imprensa – tendo sido editor de Esportes no Jornal do Brasil e Correio da Manhã.
A obra escrita com Marcos de Castro, reeditada e ampliada recentemente, conta a odisseia dos primeiros ídolos do futebol no País, entre eles, estão, naturalmente, Domingos da Guia e Leônidas da Silva, exaltados por Mário Filho, bem como Arthur Friedenreich (1892 – 1969), Heleno de Freitas (1920 – 1959) e Zizinho (1921 – 2002).
Trabalhei ao lado de João Máximo na redação da Rio Gráfica Editora (atual Editora Globo), em 1972, no bairro do Rio Comprido, e na Bloch Editores, em 1973 e 1974, na Praia do Russell, ambos no Rio de Janeiro, na revista “Fatos & Fotos”. Juntos, em 1975, fizemos uma longa entrevista, de seis páginas, para o semanário “O Pasquim” com Flávio Costa, treinador do selecionado brasileiro, que foi derrotado, pelo Uruguai, na final da Copa do Mundo de 1950. João Máximo era um dos 200 mil torcedores que foram àquela decisão – eu tinha apenas um ano de idade. Conseguimos reconstituir, em três horas de gravação, os bastidores da tragédia que é conhecida, em todo o planeta, como “Maracanazo”.
João Máximo produziria, depois, uma importante obra sobre o Maracanã e uma ótima biografia do técnico João Saldanha (1917- 1990). Destacou-se, ainda, como erudito estudioso da música. É autor da principal e mais abrangente biografia do compositor Noel Rosa (1910 – 1937). Mora hoje em Teresópolis, com sua amada esposa Elca, após viverem, por décadas, na carioquíssima Vila Isabel. João Máximo é um mestre e amigo. E nunca um nome foi tão adequado a uma pessoa.
ALBINO CASTRO ” PORTUGAL EM FOCO” ( BRASIL / PORTUGAL)
Albino Castro é jornalista e historiador
A