
CHARGE DE MIGUEL PAIVA
Retificação da matéria original, que atribuia os problemas do metanol ao fim do Sico
A correria do dia-a-dia, por vezes, nos induz a erros.
Foi o caso do artigo “O desmonte silencioso que envenenou o mercado de bebidas no Brasil”.
Nele, atribuo os problemas de metanol à interrupção do sistema Siscobe (Sistema de Controle da Produção de Bebidas), que era uma tecnologia que obrigava cada fabricante a instalar equipamentos homologados, que registravam digitalmente cada garrafa ou lata produzida. As informações eram remetidas automaticamente para a Receita.Play Video
No artigo, considerei que o fim do sistema prejudicou especialmente as pequenas e médias indústrias de bebida formalizada.
Recebi várias informações sobre o sistema. Poderia me valer de um expediente comum, de ignorar os alertas e manter os erros. Mas a responsabilidade do jornalista é com a notícia e com os leitores.
Por isso, no mesmo link do artigo anterior, publico a retificação.
- O Sicobe não atuava sobre bebidas destiladas, mas sobre cerveja e refrigerante. No caso dos destilados, não seria possível saber que tipo de produto estaria passando. Por isso, sua desativação nada tem a ver com a tragédia com metanol. Além disso, o Sicobe analisava a quantidade de bebida, não sua qualidade.
- O Sicobe teria sido introduzido por pressão das grandes cervejarias para inviabilizar as menores, em função do custo de implantação.
Técnicos da Receita contestam a informação de que o Sicob combateria a fraude. As grandes cervejarias reduzem a tributação com planejamento tributário. Quem sonega a produção são pequenos e médios, que tem outras maneiras de burlar o Sicobe, escondendo linhas de produção, repassando a produção para terceiros.
Segundo matéria da Folha de São Paulo de 2009, mostra que Evereardo Maciel foi alvo de uma investigação da Procuradoria Geral da República, por supostamente ter beneficiado a Ambev em decisões administrativas. Cinco meses depois de deixar o cargo, ele se tornou consultor da Ambev, com salário polpudo. A PGR solicitou à Ambev a íntegra do contrato, mas não foi atendido.
Everardo foi acusado de ter inspirado duas instruções normativas que beneficiavam amplamente a Ambev. A questão é que as instruções foram assinadas em 2004, quando o Secretário da Receita era Jorge Rachid.
LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)