VAIADO NA ONU, NETANYAHOU PROMETE ” TERMINAR O TRABALHO” EM GAZA

CHARGE DE AROIERA

Em meio a protestos, Netanyahu sustenta ofensiva em Gaza como questão de segurança nacional

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subiu ao púlpito da Assembleia Geral da ONU nesta sexta-feira (26) para reafirmar que seguirá atacando a Faixa de Gaza até que “termine o trabalho” no território palestino.

A chegada do premiê ao plenário foi marcada por vaias, e várias comitivas deixaram o local antes mesmo de ele começar a falar. A delegação brasileira, composta por sete diplomatas, foi uma delas. Alguns desses diplomatas trajavam keffiyeh, o lenço típico palestino, numa demonstração de alinhamento simbólico com a causa palestina.

Retórica

Netanyahu recorreu a mapas, slogans e ameaças para reforçar sua narrativa. Assim como no ano passado, exibiu um mapa que classificou como “Eixo do mal”, destacou regiões que teria neutralizado militarmente e afirmou: “Lembram dos pagers … Eles entenderam a mensagem. Destruímos bases na Síria, no Iêmen. Nós devastamos as armas atômicas do Irã.”Play Video

Em seguida, acrescentou: “Mas devemos permanecer vigilantes. Ainda não terminamos. O Irã está preparando mísseis balísticos com o objetivo não só de destruir Israel, mas também os Estados Unidos e vários lugares.”

Durante o discurso, também disse que suas tropas haviam instalado megafones na Cidade de Gaza transmitindo a sessão da ONU e dirigiu-se diretamente aos reféns: “Nossos heróis, aqui é Netanyahu, falando com vocês ao vivo direto da ONU. Nós não esquecemos vocês. Nós traremos vocês de volta para casa”, declarou em hebraico.

O peso dos números

As afirmações do premiê contrastam com os dados alarmantes divulgados por autoridades locais e organismos internacionais. Desde o início da guerra, mais de 65 mil palestinos morreram em Gaza, segundo fontes locais. Estima-se ainda que 90% da população esteja deslocada, em meio à destruição de casas, da infraestrutura básica e à insegurança generalizada.

Diversas entidades e especialistas em direito internacional têm denunciado a fome e o sofrimento da população civil como violações graves do direito humanitário.

Mas Netanyahu negou qualquer responsabilidade sobre a crise: “Se a população de Gaza está passando fome, é por culpa do Hamas, que está roubando os alimentos.

Reações internacionais

Apesar das pressões, Netanyahu manteve a posição de rejeitar qualquer negociação política que envolva a criação de um Estado Palestino. A resposta internacional, contudo, segue em escalada: países como Reino Unido, França, Canadá e Austrália anunciaram recentemente o reconhecimento formal da Palestina, gesto que o líder israelense condenou como “vergonhoso”.

A decisão vergonhosa de vocês irá encorajar o terrorismo contra os judeus, contra pessoas inocentes em todo lugar (…) Como já fizemos antes, Israel tem que lutar uma luta contra a barbárie por vocês, com muitos de vocês se opondo a nós“, disse.

Netanyahu foi ainda mais incisivo ao comparar a proposta de criação de um Estado Palestino ao lado de Israel com o 11 de setembro: “Dar um Estado à Palestina ao lado de Israel é como dar um Estado à Al-Qaeda ao lado de Nova York depois do 11 de setembro. É pura insanidade, e não vamos fazer isso.

ANA GABRIELA SALES ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

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