JAVIER VERSUS KARINA: SINAIS DE TENSÃO ENTRE OS IRMÃOS MILEI

O escândalo Coimagate complicou a relação do presidente com o secretário-geral, que estava implicado no caso. O encontro com Fátima Florez, rival do funcionário, foi abortado.

Karina Milei tem um método infalível quando seu irmão Javier, supostamente seu superior na estrutura de poder, não segue suas instruções. “Faça o que eu digo ou vou para o inferno” é o ultimato severo que o Secretário-Geral da Presidência usa nessas ocasiões para fazê-lo reconsiderar. E Milei, cedo ou tarde, sempre acaba cedendo, tanto que a chama publicamente de “A Chefe”. Há momentos em que ela tenta resistir, embora sejam exceções. Por exemplo, quando sua irmã expulsou da presidência um amigo do presidente, o deputado portenho Ramiro Marra, e ele o resgatou, nomeando-o um de seus assessores econômicos. Até que Karina lhe cortou a cabeça pela segunda vez, pouco depois, e Milei não pôde mais ajudar o exilado.

Nestes dias acalorados de Coimagate, algo assim está acontecendo: a tentativa de rebelião de Javier acaba impiedosamente esmagada por ela. É a mesma velha história, explicada pela dependência psicológica da irmã.

Eis o acordo. Os Menems de Karina, Martín e, sobretudo, “Lule”, também apelidado de “El Cuñadísimo” nos corredores da Casa Rosada, a expuseram mais uma vez ao escândalo quando Diego Spagnuolo revelou em suas gravações de áudio que ambos faziam parte do esquema usado pelo secretário-geral para ficar com os supostos 3% contribuídos pelas empresas farmacêuticas que trabalhavam com a Agência Nacional para a Deficiência (Andis). E esse novo caso, envolvendo os familiares do falecido Carlos Saúl de Anillaco, acabou incomodando Javier, que sempre olhava de soslaio para “Lule”. O que ele fez então? Algo tão simples quanto exigir explicações e fazer rolar algumas cabeças. Mas, ao contrário da rapidez com que Karina lida com funcionários de baixa patente, com os Menems a guilhotina demora. É compreensível em um ponto: como entregar alguém que, se Spagnuolo está falando a verdade, estava arrecadando dinheiro para a coroa? O que aconteceria se a irmã expulsasse aqueles que supostamente estavam passando a responsabilidade para ela?

A raiva de Milei também se reflete em uma anedota inusitada dessas horas. Quando sua viagem-relâmpago aos Estados Unidos foi anunciada, onde ele só tem reuniões sem importância em sua agenda, quem revelou que o presidente passaria por seu show em Las Vegas foi sua ex-companheira, Fátima Florez. Mas, poucas horas depois, depois que a notícia sensacionalista chegou à mídia, essa parada na viagem foi cancelada sem nenhuma explicação oficial: no fim das contas, ele só irá para Los Angeles. O que aconteceu nesse meio tempo? Dizem que o libertário foi informado de que essa oportunidade de foto com celebridades não era uma boa ideia, já que a opinião pública ainda está tão focada nos subornos e nas gravações de áudio censuradas por um juiz.

Faltam dois detalhes importantes para a compreensão completa da história. Primeiro: Milei viaja sem Karina, algo que nunca aconteceu até agora. Segundo: Karina nunca aprovou o relacionamento com Fátima, nem aceitaria um reencontro agora. Pessoas próximas à comediante afirmam que as duas se detestavam e que, naquela disputa silenciosa, a irmã presidencial chegou a usar seus poderes esotéricos. Florez também acredita nessas coisas e tem sua própria bruxa, que não o ajudou muito.

Concluindo: Milei ia viajar sem a irmã para visitar um ex que ela detesta. Adivinha quem a fez mudar de ideia de novo?

“Faça o que eu digo ou irei para o inferno.”

FRANCO LINDNER ” REVISTA NOTÍCIAS”( ARGENTINA)

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