MITOS E VERDADES DA NARRATIVA DO PORTA-VOZ DO GOVERNO MILEI

Sinceramente, tive dificuldade em falar sobre aposentadorias, porque senti que uma narrativa havia vencido: a do rabo do cachorro, que dizia que pessoas com deficiência estavam roubando dinheiro dos argentinos. Percebi que as pessoas tinham acreditado nessa narrativa: pessoas com deficiência estavam fazendo festa com as aposentadorias e que incontáveis ​​quantias de aposentadoria haviam sido concedidas por pura agitação. Essa narrativa pegou. O raio-x do rabo do cachorro e tudo o que veio depois, aquela frase de que ‘não houve guerra para haver tantas pessoas com deficiência’ realmente repercutiu. Agora, com as gravações de áudio [de Diego Spagnuolo], sinto que pelo menos a verdade está começando a aparecer. Pessoas com deficiência não estavam fazendo festa com as aposentadorias.” Quem fala aqui é Valentina Bassi, atriz e mãe de Lisandro, um jovem autista de 17 anos. Ela foi um dos rostos visíveis do apelo pela declaração de estado de emergência para pessoas com deficiência. Assim como Bassi, muitos atores do ecossistema da deficiência sentem que, com a divulgação das gravações de áudio clandestinas do diretor da Agência Nacional de Deficiência, Diego Spagnuolo, o discurso promovido por vários funcionários do governo sobre a deficiência entrou em crise, e outras possíveis explicações para a decisão de cancelar cerca de 270.000 pensões por invalidez foram expostas. O argumento sobre o raio-X do filhote foi questionado, inclusive devido a uma das gravações de áudio clandestinas atribuídas a Spagnuolo, divulgada na segunda-feira. Nessa gravação, ele afirma ter explicado ao porta-voz Manuel Adorni que, durante o governo anterior, a pessoa que usou aquele raio-X não havia recebido pensão. Nas novas gravações de áudio, que agora estão em poder da Justiça, Spagnuolo fala ter recebido instruções de um suposto representante do Ministro Federico Sturzenegger para cancelar compulsoriamente todas as pensões. Segundo seu relato, a pessoa explicou que, no ritmo em que as auditorias estavam sendo realizadas, elas não estavam atingindo um número significativo e que, diante da recusa, o próprio Spagnuolo propôs o envio de cartas formais e a convocação das pessoas para entrevistas em locais distantes de suas casas, algo que tem sido denunciado por organizações que defendem os direitos das pessoas com deficiência. Por não comparecerem às auditorias, cerca de 70.000 pensões foram canceladas.

Adorni relatou que uma pensão havia sido concedida usando um raio X de um cachorro, mas era falsa.
Adorni relatou que uma pensão havia sido concedida usando um raio X de um cachorro, mas era falsa.

“A meta seria 270 mil aposentadorias a menos, já que é um dos itens que constavam na proposta orçamentária apresentada no ano passado, que acabou nunca sendo abordada no Congresso”, explica Pablo Molero, presidente do Fórum para a Promoção e Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Tudo isso também questionou o discurso oficial que as autoridades repetidamente utilizavam: como a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que destacou que na Argentina não houve guerra para ter o número de pessoas com deficiência indicado pelos números e afirmou que para cada duas pessoas com certificado de deficiência, uma não se qualifica. Há uma semana, o ministro da Economia, Luis Caputo, também acompanhou um comentário de um streamer conhecido como Gordo Pablo, que trabalha para o canal ultragovernamental Carajo, e fez uma piada ao falar sobre pessoas com deficiência. Ele disse que, segundo seus cálculos, deveria haver cerca de 97 mil pessoas com deficiência, mas havia 125 mil. “Sem contar os kukas?”, perguntou o comentarista. “Sim, sem contar os Kukas”, concluiu Caputo. Além da zombaria: os números do governo são reais? A deficiência gera déficit fiscal? Todas as pessoas com atestado de deficiência recebem pensão? De onde vem o dinheiro para o tratamento? O Estado realmente paga por isso ou são financiados pelas contribuições dos trabalhadores? Qual o motivo dos aumentos das pensões durante o governo Kirchner? Aqui estão algumas das respostas.

AUMENTAR

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Quantas pessoas têm deficiência?

O governo nacional frequentemente afirma que há 1.250.000 pessoas com deficiência. Isso foi afirmado recentemente pelo Ministro da Economia, Luis Caputo. Ele também afirmou que em 2001 havia 75.000 pessoas com deficiência e que, com base em projeções, o número deveria estar em torno de 97.000 hoje. Este número não é exato, dizem os especialistas. Na realidade, este é o número de pessoas que recebem uma pensão por invalidez. Não é o mesmo que pessoas com deficiência, ou o mais próximo: aquelas com um Certificado Único de Deficiência (CUD) emitido pela Agência Nacional de Deficiência (ANDIS). A pensão é um procedimento concluído através da ANSES (Administração Nacional da Previdência Social) e dá acesso a uma pensão de aproximadamente 290.000 pesos, incluindo o bônus alocado pelo governo. Obter uma pensão não é um processo simples e a experiência mostra que, em média, pode levar pelo menos um ano, durante o qual passa por várias auditorias. Pessoas com deficiência não recebem automaticamente um benefício do estado. Pais de crianças empregadas com diagnóstico recebem 60.000 pesos adicionais em seu subsídio familiar após concluir um procedimento específico.

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Se não houve guerra, por que há tantas?

O último Censo Nacional da População não incluiu essa pergunta, então não se sabe quantas pessoas com deficiência existem. No entanto, o censo de 2010 perguntou e descobriu que 12,9% da população tinha algum tipo de deficiência. O governo frequentemente argumenta como pode haver tantas pessoas com deficiência se não houvesse uma guerra ou catástrofe. A verdade é que, em 2010, o número era inferior à estatística global, que indica que 15% da população tem algum tipo de deficiência. “Sendo cautelosos, podemos dizer que pelo menos 10% da população tem algum tipo de deficiência. Isso daria cerca de 4.600.000 habitantes. No Chile, foi relatado recentemente que é mais de 11%”, explica Molero. “Se considerarmos os 12,9% do censo anterior e assumirmos que a incidência não aumentou, hoje temos quase 6 milhões de pessoas com deficiência. E apenas uma em cada quatro tem pensão por invalidez”, explica Celeste Fernández, codiretora da Associação Civil pela Igualdade e Justiça, que publicou um relatório sobre por que, de 2003 até hoje, o número de pessoas com pensão por invalidez aumentou de cerca de 100.000 para 1.250.000.

“Diz-se que não houve catástrofe ou guerra em nosso país que justifique o número de pessoas com deficiência. Quem afirma isso esquece uma realidade terrível e silenciosa que está presente em nossa sociedade há décadas e tem se intensificado: a pobreza com suas consequências destrutivas (fome, desnutrição, ambientes não estimulantes ou prejudiciais à saúde, falta de acesso a cuidados na infância, educação e assistência médica). A pobreza não é um dia nublado que simplesmente passa pela vida das pessoas e no dia seguinte tudo está bem. Entre os muitos efeitos negativos que gera, deixa marcas na vida das crianças desde o momento da gestação e seu desenvolvimento subsequente, impedindo-as de acessar condições básicas de vida que estimulem o crescimento e os bens essenciais”, afirma um relatório do Fórum para a Promoção e Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

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Há mais pessoas com deficiência?

Diversos atores que trabalham com deficiência afirmam que a incidência não aumentou, mas sim o número de pessoas diagnosticadas. Isso é corroborado nas escolas, por exemplo, onde indivíduos neurodivergentes estão presentes em quase todas as salas de aula, com vários casos por ano. Enquanto condições como autismo aumentaram em incidência nos últimos anos, outras, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), permaneceram estáveis. Além disso, o aumento da expectativa de vida contribui para o aumento do total de casos. No entanto, há mais pessoas que conseguiram se candidatar a uma pensão por invalidez, mesmo menores de idade. O governo aponta esses dados para indicar que o aumento está ligado a procedimentos irregulares. No entanto, a explicação para o aumento desse número reside na modificação de uma norma governamental, que em 2003 eliminou a cota estabelecida durante a presidência de Carlos Menem e que estabeleceu uma restrição orçamentária para as pensões. Segundo o Disability Forum, apenas 18.000 pessoas tinham acesso a elas. O restante permaneceu em uma lista de espera. Eles só poderiam ser admitidos se alguém desistisse, ou seja, morresse. É difícil saber exatamente quantos eram. A ACIJ (Associação Espanhola de Pessoas com Deficiência) afirma que foram cerca de 80.000. “O número de pensões concedidas aumentou de 80.000 para 1.200.000 entre 2003 e 2023. O abandono do sistema de “registro para baixa” e a prevalência de interpretações mais flexíveis dos requisitos podem explicar pelo menos parte desse aumento”, afirma um relatório da ACIJ. “Hoje, na Argentina, apenas 20% de todas as pessoas com deficiência recebem uma pensão não contributiva”, acrescenta.

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Todas as pessoas com deficiência recebem uma pensão?

“Durante as presidências de Carlos Menem e Fernando De La Rua, havia uma cota de 18.000 pensões, e para que houvesse um aumento, era preciso que houvesse uma redução. Organizações da sociedade civil que trabalham com pessoas com deficiência solicitaram naquela época e em diversas ocasiões que essa cota fosse aumentada porque aqueles sem cobertura e vivendo em situação de pobreza não tinham como acessar os cuidados de que necessitavam. Com a crise de 2001, que tornou visível a situação de muitos argentinos que viviam as consequências da pobreza, o presidente Néstor Kirchner decidiu usar essa pensão (invalidez laboral) como uma ferramenta, concedendo assim essas pensões com um critério mais amplo, para dar alguma resposta a essa população que vive em situações de vulnerabilidade”, afirma um relatório do Disability Forum.

A remoção da cota, somada ao fato de que o fator de vulnerabilidade social foi incluído na deficiência, e não apenas a incapacidade laboral como condição suficiente para se qualificar para uma pensão, explica parte do aumento dos números nas últimas décadas. “Se em 2001 havia 36 milhões de habitantes, e 12,9% tinham alguma deficiência, e se esse número for comparado com a vulnerabilidade social, que há duas décadas mostra que há pelo menos 20% de pobreza, não é muito difícil entender como esses números foram alcançados”, explica Pablo Molero, presidente do Fórum. “Em números redondos, se em 1992 a população argentina era de 33 milhões de pessoas, com um percentual 10% menor de pessoas com deficiência e uma taxa de pobreza de 30%, temos 990 mil pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. Isso mostra que, durante 10 anos, houve um número de pessoas que poderiam atender aos requisitos para uma aposentadoria com base em um critério mais amplo do que a incapacidade para o trabalho. Quando a porta para acessá-la foi aberta, o enorme crescimento foi compreendido. Portanto, um desastre natural ou uma guerra não foram necessários para que a população elegível para uma aposentadoria crescesse”, observa o relatório do Fórum.

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É verdade que a deficiência aumenta o déficit fiscal?

Nem todas as pessoas com deficiência possuem um certificado de incapacidade, nem todas recebem uma pensão, nem todas recebem benefícios vinculados à sua condição, explica Pablo Molero, presidente do Fórum da Deficiência, que destaca que, atualmente, cerca de 250.000 pessoas são cobertas pelo Sistema Único de Benefícios Básicos, sejam elas frequentadoras de casas de repouso, centros de dia, que fazem terapia, frequentam escolas com apoio para inclusão, transporte, reabilitação, entre outros. Um argumento frequentemente usado pelo governo é que o desequilíbrio fiscal não pode ser aumentado para aumentar as verbas para deficiência. Este é um argumento que irrita muitos familiares de pessoas com diagnóstico, e também profissionais, por denunciá-lo como falso. A atriz Valentina Bassi, mãe de Lisandro, de 17 anos, portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA), explica da seguinte forma: “Não é verdade sobre o equilíbrio fiscal, porque as entidades financiadoras são o PAMI, o Incluir Saúde e a Superintendência de Serviços de Saúde. Esta última cobre todos os planos pré-pagos e todos os planos nacionais de seguridade social. Não é dinheiro que vem do estado. Isso não é verdade. O pagamento vem do Fundo de Redistribuição Solidária, ou seja, é pago por todas as pessoas que trabalham legalmente e contribuem para esse fundo. O estado o organiza, mas não vem do estado, nem esse dinheiro pertence ao estado. O PAMI faz sua própria contribuição, assim como os planos de seguridade social e os planos pré-pagos. Somente o Incluir Saúde, que é a cobertura disponível para aqueles sem seguridade social, é o que o estado contribuiria. Então, é muito pouco”, ressalta Bassi. Molero explica que apenas 32.000 pessoas recebem cobertura para suas terapias e se beneficiam diretamente do estado.

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Como os benefícios por incapacidade são financiados?

“Não se pode argumentar que o dinheiro para pagar os tratamentos de invalidez vem do Estado. Para isso, foi criado por lei um fundo de redistribuição solidária, que é financiado pelas contribuições dos trabalhadores. É corretamente chamado de fundo solidário porque é uma forma de toda a sociedade contribuir um pouco para cobrir tratamentos e benefícios que os necessitados não poderiam pagar sozinhos. Esse é o ponto”, explica Eugenia Di Tullio, diretora de um centro integrado em San Isidro, onde, devido à emergência da invalidez, 30% dos acompanhantes terapêuticos pediram demissão após o veto do presidente.

Fontes do governo nacional explicaram que os pagamentos de benefícios por invalidez representam atualmente 62% desse fundo, que também é usado para financiar o funcionamento do SSS (Serviço de Previdência Social), e que os benefícios de oncologia, diabetes e outros, que também devem vir desse fundo, recebem menos recursos do que os benefícios por invalidez. Elas apontam que, em 2018, 32% do fundo por invalidez foi utilizado e que, desde então, o número de pessoas que usam esse mecanismo para acessar os benefícios por invalidez dobrou. Eles argumentam que o Fundo de Solidariedade está próximo da falência e que aumentar o valor da nomenclatura seria inviável sem aumentar as dotações, ou sem que o Governo destinasse um montante adicional a esse fundo.

O Fundo de Redistribuição Solidária (FSR) é um mecanismo de financiamento coletivo criado pela Lei 23.661, com o objetivo de garantir a equidade no acesso aos serviços de saúde. É financiado com contribuições obrigatórias de trabalhadores e empregadores registrados em fundos de seguridade social e, recentemente, por decisão do governo Javier Milei, também com contribuições de empresas médicas pré-pagas. Esses fundos são usados ​​para cobrir tratamentos de alto custo e garantir a cobertura de benefícios complexos, como os relacionados a deficiências. Como funciona? Trabalhadores e empregadores registrados fazem contribuições obrigatórias. A partir de 2024, a lei foi alterada para incluir empresas médicas pré-pagas. Das contribuições recebidas, 85% dos fundos arrecadados vão para a entidade escolhida pelo beneficiário (previdência social ou seguro pré-pago), enquanto os 15% restantes vão para o FSR (Fundo de Vigilância de Frequência). Este fundo é estabelecido pela Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA) e administrado pela Superintendência de Serviços de Saúde. Os prestadores, sejam profissionais de saúde, acompanhantes, creches ou transportadores, entre outros, cobram seus serviços à previdência social ou ao seguro pré-pago da pessoa que possui o Certificado de Invalidez Única (CUD). No prazo de 60 dias, o seguro pré-pago ou a empresa de previdência social devem pagar esta fatura. No entanto, para isso, ela deve ser enviada ao SSS (Setor de Previdência Social), que, se tudo estiver em ordem, libera o valor daquele fundo (FSR).

De acordo com a lei, o fundo é administrado para garantir que todas as entidades do sistema de saúde possam fornecer serviços, independentemente da capacidade de pagamento de seus membros.

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Qual é o plano do governo para a deficiência?

“Na apresentação do primeiro orçamento do governo ao Congresso, que posteriormente não foi abordado, o objetivo era reduzir o número de pensões por invalidez em 270.000”, explica Molero. Em setembro de 2024, por meio do Decreto 843/24, o Poder Executivo alterou novamente o Decreto 432/97, modificando os requisitos de elegibilidade, as obrigações dos beneficiários e os motivos de suspensão e caducidade das pensões. Assim, foi iniciada uma auditoria, e entre as condições estabelecidas para o cancelamento da inscrição estava o não comparecimento às auditorias. Em fevereiro deste ano, a Andis publicou essa resolução, abordando as novas condições de acesso às pensões e mencionando os termos “idiota”, “imbecil” e “retardado”, para estabelecer categorias de incapacidade para o trabalho, que deveriam ser superiores a 66% para se qualificar para uma pensão. A resolução, assinada por Spagnuolo, desencadeou uma onda de condenação e foi finalmente alterada. No relatório apresentado pelo Chefe de Gabinete, Guillermo Francos, em 27 de agosto, à Câmara dos Deputados, ele informou que 997.654 cartas registradas foram enviadas em todo o país. Desse total, 504.802 não puderam ser entregues (50,6%). Em algumas províncias, esse percentual é bem maior (79% em Chaco; 74% em Formosa; 73,6% em Misiones; 70,4% em Corrientes). Das 492.852 pessoas que receberam a carta, 451.579 compareceram à reunião (91,6%), 7.211 pessoas se identificaram como falecidas e 9.027 pediram demissão. A auditoria está em andamento em 418.374 casos. A ACIJ relata que está recebendo todo tipo de reclamações sobre o assunto: “Pessoas que nunca receberam a notificação formal para comparecer à auditoria, mas receberam uma informando-as da suspensão, alegando que não puderam ser notificadas; pessoas que não receberam a intimação ou qualquer notificação, mas pararam de receber o dinheiro. Algumas até tentaram descobrir com antecedência se haviam sido intimadas, mas não obtiveram resposta. Além disso, pessoas que compareceram à auditoria e também receberam uma notificação de suspensão por não cumprirem um dos requisitos devido à mudança na regulamentação”, relata Celeste Fernández, codiretora da ACIJ.

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Quem são as pessoas com deficiência, segundo o Governo?

Vários funcionários do atual governo usaram a palavra deficiência como insulto ou para fazer piadas, como foi o caso do Ministro da Economia, Luis Caputo, que usou o termo para se referir aos kirchneristas. Até o próprio Spagnuolo, quando chefiava a Andis, conversou com a mãe de uma criança com autismo, Ian Moche, e lhe garantiu que “se seu filho tem deficiência, a responsabilidade não é do Estado, mas da família”. Além disso, na mesma conversa, ele teria dito, segundo Marlene Spesso, mãe de Ian: “Por que eu tenho que pagar pelo estacionamento e você não?”, entre outras coisas. Embora Spagnuolo tenha afirmado na época que nunca havia dito isso, outros atores da sociedade civil confirmam ter ouvido declarações semelhantes dele: “Eu o ouvi em várias reuniões levantar a questão de por que o Estado deveria abordar a questão da deficiência? Esse é o conceito. É claro que ninguém diz que auditorias não devem ser realizadas, e se alguém se beneficia de uma deficiência, isso deve ser denunciado.” “O que não se pode fazer é deixar de investigar e cancelar tudo, ou deixar essa pessoa sem seus benefícios. Quando você cancela os benefícios de uma pessoa com deficiência, você a está marginalizando de tudo, deixando-a abandonada à própria sorte. Isso é inaceitável”, ressalta Molero.

HEVANGELINA HIMITIAN ” LA NACION” (ARGENTINA)

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