HOMO ARGENTUM: UM ATOR, 16 PERSONAGENS

O novo filme de Mariano Cohn e Gastón Duprat recebeu críticas desfavoráveis nos principais sites. 

Esta semana estreou “Homo Argentum” , estrelado por Guillermo Francella , no qual, como proeza de atuação, ele teve que interpretar mais de quinze personagens diferentes. Um desafio artístico que a dupla de diretores Mariano Cohn e Gastón Duprat propôs ao protagonista de “Minha Obra-Prima”. 

Mas, ao contrário do filme estrelado por Luis Brandoni, a atuação do ator na tela foi percebida como mais irregular. “Homo Argentum” se destaca por sua estrutura inovadora, composta por 16 episódios independentes, variando de 1 a 12 minutos, nos quais o carismático comediante assume uma ampla variedade de papéis.

Este filme explora as particularidades da cultura argentina com humor e uma autocrítica aguçada. Com um tom satírico marcante, o longa-metragem reflete costumes, comportamentos e atitudes inerentes à identidade nacional. Este é um traço narrativo característico que Cohn e Duprat têm utilizado desde a sua criação, com filmes aclamados como “O Vizinho” e “O Cidadão Ilustre”.

Guilherme Francella


Nesse sentido, os críticos especializados em cinema foram implacáveis com a narrativa irregular ou a abordagem falha do novo filme. Alguns dos textos de colunistas locais apontaram para as falhas e a falta de precisão no resultado geral do filme.
“Guillermo Francella encarna uma totalidade um tanto genérica de ‘argentinidade’ e, ao mesmo tempo, figuras específicas — o velho rabugento, o padre, o presidente, a arvorezinha, o diretor de cinema, o narrador, o criptomano — tudo sem que o espectador deixe de perceber que é Francella ali, com sua voz, seus tiques e seu rosto que parece irreconhecível em suas muitas máscaras”, observou Diego Lerer para a Micropsia.

Diego Batlle, do site OtrosCines, disse: “As 16 histórias de Homo Argentum visam abordar implacavelmente as piores misérias da sociedade argentina, mas — exceto por alguns curtas que alcançam parcialmente os atributos desejados de crueza, ironia e escuridão — o resultado é quase sempre decepcionante.”

Para a Página/12, Diego Brodersen destacou: “Cohn e Duprat levam a ideia ao extremo ao construir o filme não a partir de três ou quatro histórias, mas com dezesseis mini-histórias… Há, em termos gerais, uma falta de graça que as histórias mais curtas… deixam ainda mais evidente, como se fossem esquetes de algum antigo programa de comédia que precisassem de um pequeno ajuste na sala dos roteiristas.”

Guilherme Francella


“Com Guillermo Francella como único protagonista principal, o filme deixa a desejar na hora de expor uma série de estereótipos… eles sempre ficam aquém da quantidade de publicidade que aparece continuamente em cada história, muitas vezes sem justificativa”, concluiu Guillermo Courau para o La Nación. 

“O mais questionável é a ideologia que subjaz à sua proposta”, explicou Emiliano Basile, da Escribiendo Cine, representante da Associação Argentina de Críticos de Cinema (ACCA), acrescentando: “Essa ambição não consegue disfarçar o que realmente é: uma sucessão de estereótipos previsíveis”.Milenina

Francella contra o cinema independente

Em conversas com o Noticias esta semana, Guillermo Francella confessou: “Sempre amei ser um artista popular, a vida toda. Antigamente, havia algo contra isso; era o popular versus o prestigioso; hoje, sinto que tudo está mais unido. É uma distinção para mim alcançar os dois. Não sei se era um objetivo que eu tinha em mente, mas eu queria explorar conteúdos diferentes, e foi o que aconteceu.” 

Guilherme Francella

Essas declarações estão relacionadas ao que o vocalista do Homo Argentum disse há alguns dias, quando abordou sua visão do cinema nacional em uma reportagem sobre streaming. Em consonância com a perspectiva cultural do governo Libertário, ele criticou duramente a produção cinematográfica independente. “Há filmes que ganham muitos prêmios, mas viram as costas para o público. Não gosto desse tipo de cinema”, disse Francella no programa “Soñé que volaba”, apresentado por Migue Granados. 

 Na mesma entrevista, o ator ainda brincou: “Há peças que ganham muitos prêmios, e às vezes você pergunta: ‘O que aconteceu?’ Ou você está assistindo e pergunta: ‘Terminou? Como terminou?'” Os números de bilheteria terão a palavra final. 

GUSTAVO WINCKLER ” REVISTA NOTÍCIAS” ( ARGENTINA)

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *