LULA FOI CENSURADO NA LAVA JATO; BOLSONARO COM TORNOZEIRA PODE DAR ENTREVISTAS

CHARGE DE THIAGO

Diferente do que dizem Moro e bolsonaristas, quem foi alvo de censura política foi Lula, por ordem do Supremo, em plena campanha presidencial

Em publicações feitas no X (antigo Twitter) nesta sexta-feira (18), o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol voltaram a distorcer fatos relacionados à prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Operação Lava Jato. Os dois tentam, agora, reescrever a história e negar que o petista tenha sido alvo de censura enquanto esteve preso em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019.

“Durante a Lava Jato, Lula foi preso, mas podia dar entrevistas da prisão. Agora, Bolsonaro é investigado, mas a Polícia Federal proíbe entrevistas”, escreveu Moro no X (antigo Twitter), sugerindo um suposto contraste entre os tratamentos dados aos ex-presidentes. Na mesma linha, Deltan afirmou que “Lula deu entrevistas mesmo preso. Bolsonaro está solto e proibido de falar. Isso não é Justiça, é perseguição política”. 

Ambas as publicações referem-se à decisão que determinou o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição do uso de redes sociais por Jair Bolsonaro, medida imposta pelo ministro Alexandre de Moraes na sexta-feira (18), no contexto da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado e diante do risco de fuga do ex-presidente, à medida que avança o julgamento no Supremo Tribunal Federal.

No entanto, Bolsonaro não foi proibido de conceder entrevistas, como demonstrado pela coletiva realizada por ele na própria sexta-feira. Ambas as alegações, portanto, distorcem a realidade, e o GGN recupera os fatos que desmentem a narrativa da dupla no contexto prisão de Lula.

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Censura formalizada pelo STF em 2018

Durante o período em que Lula esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, ele foi, sim, proibido de dar entrevistas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em setembro de 2018, o ministro Luiz Fux, então vice-presidente da Corte, cassou uma autorização judicial anterior que havia sido concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski e suspendeu uma entrevista que seria concedida à Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Na decisão, Fux ainda determinou que a entrevista não poderia ser publicada, caso já houvesse sido realizada.

“Determino que o requerido Luiz Inácio Lula da Silva se abstenha de realizar entrevista ou declaração a qualquer meio de comunicação, seja a imprensa ou outro veículo destinado à transmissão de informação para o público em geral. Determino, ainda, caso qualquer entrevista ou declaração já tenha sido realizada por parte do aludido requerido, a proibição da divulgação do seu conteúdo por qualquer forma, sob pena da configuração de crime de desobediência”, determinou Fux à época.

O ministro acatou um pedido feito pelo partido Novo. A censura se manteve por semanas, até que Lewandowski reassumiu a relatoria do caso e revogou a decisão de Fux, em outubro de 2018. Só então Lula pôde conceder entrevistas na prisão, dias antes do 1º turno das eleições de 2018 que deram vitória a Bolsonaro. 

Mas, àquela altura, o dano já estava feito. Lula permaneceu silenciado durante todo o período decisivo da campanha. Sua primeira entrevista na prisão só veio meses depois, em abril de 2019, quando os jornalistas Mônica Bergamo e Florestan Fernandes finalmente conseguiram ouvi-lo.

Vale lembrar de quando o ministro Dias Toffoli precisou intervir para que Lula pudesse comparecer ao velório do irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, em janeiro de 2019. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, autorizou a saída às vésperas do enterro, o que inviabilizou a ida de Lula. 

Lava Jato desmascarada

As falas de Moro e Deltan surgem no momento em que o STF avança sobre os abusos cometidos pela operação que ambos comandaram. Nesta semana, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou a nulidade de todos os atos praticados contra o doleiro Alberto Youssef pela 13ª Vara Federal de Curitiba no âmbito da Operação Lava Jato.

A anulação deve impactar outros processos que surgiram a partir da delação do doleiro e que serviram de base para outras condenações de políticos, empresários e agentes públicos. Além de Youssef, Toffoli anulou ainda atos e sentenças contra Nelson Luiz de Freitas, ex-vice-presidente dos Correios, Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento, o empresário Marcelo Odebrecht, e o ex-ministro Antonio Palocci.

Confira abaixo a entrevista recente com o advogado do doleiro, Antônio Figueiredo Basto:

https://youtube.com/watch?v=b6Rsxmw7DqA%3Ffeature%3Doembed

LUIS NASSIF ” JORNAL GGN”( BRASIL)

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