BRASIL DEVE SE PREPARAR PARA O PIOR, A VISÃO DO DIPLOMATA CELSO AMORIM

Assessor de Lula critica morte de líder iraniano e vê risco de alastramento do conflito antes de viagem presidencial a Washington.

O embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Brasil precisa estar em alerta máximo diante da escalada bélica entre Irã, Israel e Estados Unidos. Em entrevista à GloboNews, Amorim classificou o cenário atual como de “aumento vertiginoso” das tensões e condenou a ofensiva que resultou na morte da cúpula do governo iraniano.

Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior“, declarou o diplomata. A análise ocorre após a ofensiva aérea de sábado (28), liderada por Washington e Tel Aviv, que culminou na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e de altos comandantes militares, sob a justificativa de neutralizar o programa nuclear de Teerã.

Risco de transbordamento regional

Para o ex-chanceler, o conceito de “pior” refere-se à possibilidade real de o conflito romper as fronteiras iranianas e atingir outras nações do Golfo. Amorim destacou que o Irã possui canais históricos de fornecimento de armamentos para grupos xiitas e organizações radicais em diversos países, o que pode desencadear uma reação em cadeia na região.Play Video

Após os ataques de sábado, o Irã retaliou com drones e mísseis contra bases norte-americanas e alvos em Israel, afetando estruturas em países como Catar, Kuwait e Iraque. O fechamento do Estreito de Ormuz, via vital para o comércio de petróleo, já é um reflexo direto da crise que mobiliza as chancelarias globais.

Impacto na agenda com Donald Trump

A crise no Oriente Médio impõe um desafio imediato à estratégia externa do Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem viagem prevista a Washington entre os dias 15 e 17 de março para um encontro com o presidente Donald Trump, que recentemente sinalizou entusiasmo com a visita.

Amorim, que deve se reunir com Lula ainda nesta segunda para alinhar a posição brasileira, admitiu a complexidade de manter o equilíbrio diplomático neste momento. “Estamos a poucos dias do encontro do presidente com Trump, em Washington. É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza“, afirmou à GloboNews.

Mudança de tom no Itamaraty

A postura do governo brasileiro sofreu ajustes finos ao longo do fim de semana. No sábado, o Ministério das Relações Exteriores emitiu nota condenando diretamente os ataques de Israel e dos EUA. No entanto, em comunicado mais recente, o Itamaraty adotou um tom de cautela, prestando solidariedade aos países afetados pelas retaliações iranianas e apelando pela interrupção das hostilidades, sem citar nominalmente as potências envolvidas.

Enquanto a diplomacia busca uma saída negociada baseada no Direito Internacional, a oposição ao governo utilizou as críticas de Lula a Israel para impulsionar manifestações, como a ocorrida neste domingo (1º) na Avenida Paulista, evidenciando que os reflexos da guerra no Golfo já ecoam na política interna brasileira.

ANA GABIELLA SALES ” JORNAL GGN” ( BRASIL)

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