
Durante anos, o juiz Moro, usou grampos clandestinos e quebras de sigilo fiscal indiscriminados como instrumentos de coerção.
A sombra da Lava Jato volta a pairar sobre o cenário político às vésperas da eleição, mas agora com um rosto e uma história que conheço bem: o meu. Sou ex-deputado estadual e ex-colaborador da força-tarefa de Curitiba, e estou aqui para expor o modus operandi cruel de um sistema de pressão judicial que testemunhei em primeira mão. Durante anos, vi Sergio Moro, quando vestia a toga, usar grampos clandestinos e quebras de sigilo fiscal indiscriminadas não como ferramentas de investigação, mas como instrumentos de coerção. E posso afirmar: o alvo nunca era apenas o investigado, mas todos ao seu redor.PauseUnmute
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O roteiro era sempre o mesmo. Primeiro, vinha o ataque feroz aos dados bancários e fiscais de parentes e amigos dos presos. Depois, os advogados eram chamados para negociar delações premiadas sob a ameaça implícita de que aqueles laços mais preciosos seriam expostos e destruídos. Eu vivi isso na pele. Minha própria família e meu círculo mais próximo foram atingidos por bloqueios arbitrários de bens e contas. Documentos que hoje tramitam no gabinete do ministro Dias Toffoli, no STF, comprovam cada palavra que digo.
O timing não poderia ser mais revelador. Hoje, Moro enfrenta não uma, mas três frentes judiciais no Supremo. A ação penal por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes, onde a Primeira Turma já formou maioria para torná-lo réu, é só o começo. Há também a denúncia sobre o desvio de milhões para uma fundação criada às escondidas por ele e seus auxiliares, que está parada na PGR há dois anos. E ainda temos as investigações dos grampos ilegais e dos episódios que a imprensa chamou de “festas da cueca”. A Polícia Federal apreendeu vídeos e áudios em dezembro, e posso garantir: o material é muito pior do que tudo que vazou na Vaza-Jato.
A estratégia de defesa do senador, na minha visão, é clara e desesperada: para se salvar, ele precisa enfraquecer a própria corte que pode julgá-lo. A quebra de sigilo fiscal da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, e de um filho de outro ministro do STF não é coincidência. É o prenúncio de uma ofensiva calculada. O objetivo? Criar um caos reputacional para desviar o foco de seus próprios julgamentos e, ao mesmo tempo, pressionar os ministros com a ameaça de verem suas famílias expostas publicamente.
Nesse tabuleiro perigoso, a CPI do Crime Organizado surge como a peça que falta para completar o quebra-cabeça. Comandada por Alessandro Vieira, a CPI instalada em novembro de 2025 será o palco ideal para ressuscitar velhas narrativas. O roteiro é o mesmo de 2016: começar com Lulinha, filho do presidente, como primeiro alvo simbólico, para então lançar uma ofensiva sistemática contra a integridade do STF, especialmente contra Moraes e Toffoli.
A lógica é perversa, mas simples. Se condenado na ação penal, Moro se torna inelegível e perde o mandato. Sem foro privilegiado, a prisão preventiva pelos crimes cometidos em seus vinte anos de magistratura será inevitável. Daí a pressa em desmoralizar seus julgadores antes que o martelo seja batido.
A história, como já dizia Marx, repete-se: primeiro como tragédia, depois como farsa. Desta vez, porém, os papéis se invertem e os métodos sombrios vêm à tona. Usar a máquina estatal para vigiar familiares de autoridades, instrumentalizar a Receita Federal e construir narrativas midiáticas antecipadas é a tentativa desesperada de um homem acuado que apostou todas as suas fichas. A diferença crucial é que as provas não estão mais apenas na memória dos que foram atingidos. Estão em cartórios, em áudios periciados e em relatórios de inteligência que a Polícia Federal finalmente trouxe à luz.
Agora, a resposta institucional decidirá o futuro. Se o silêncio prevalecer, o filme recomeçará. E eu, que já vi esse filme de dentro, sei exatamente como ele termina.
TONY GARCIA ” JORNAL GGN” ( BRASIL)