TODA A VELHA DIREITA DEPENDE DO CHEFÃO PRESIDIÁRIO

“Tentaram se livrar do presidiário, para retomar a vida, mas ele ainda determina os rumos do antilulismo”, escreve Moisés Mendes

Damares briga com Malafaia, que briga com Flávio, que briga com Tarcísio, que briga com Eduardo, que briga com todo mundo. É preciso mais do que um ringue para todas as desavenças da extrema direita.Play Video

Mas mesmo assim o bolsonarismo é o que ainda sustenta a perspectiva eleitoral de toda a direita. As figuras em conflito do bolsonarismo conseguem brigar entre si, sem que isso desestruture a direita toda.

Os conflitos são incapazes de tirar do bolsonarismo o protagonismo eleitoral dentro da direita. Porque não há, fora dessa turma, alternativas eleitorais viáveis, considerando-se a velha direita que se move em torno dos interesses de Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira e Gilberto Kassab.

Nenhum deles, donos da direita pré-Bolsonaro, sobreviveria uma semana sem o bolsonarismo. Mesmo que o bolsonarismo esteja em guerra. São deles, dos herdeiros de Bolsonaro, as melhores opções da direita para a eleição.

Flávio, Tarcísio e Michelle têm o que Zema, Caiado, Ratinho, Leite e outros menos votados não têm. A direita antiga não tem eleitores suficientes para se habilitar a enfrentar Lula. Quem tem é o bolsonarismo.

O bombardeio contra Flávio, liderado por Malafaia e Michelle, e os vacilos de Tarcísio são insuficientes para enfraquecer a direita. O direitista antigo, que passou suas convicções aos filhos e netos, da velha Arena ao PSDB, espera agora por Flávio ou por Tarcísio e, se for preciso, por Michelle.

Em outras épocas, quando a velha direita era recatada, esse centro-direitista se esforçaria para fortalecer Simone Tebet, Romeu Zema, Ratinho e até Eduardo Leite. Mas não agora. Agora, não dá mais para brincar. Para vencer Lula, que seja qualquer um que possa enfrentá-lo.

A velha direita tapa o nariz e vai de Flávio ou Tarcísio, como mostram as pesquisas. Flávio é o que arranca melhor, no primeiro turno das amostragens de Genial/Quaest e Atlas.

O filho sai na frente, bem melhor do que Tarcísio, porque ele é o ungido pelo pai e o mais conectado com o bolsonarismo. Mas o governador consegue alcançá-lo no segundo turno, nos cenários em que Lula enfrenta cada um deles.

Na pesquisa Atlas, Flávio e Tarcísio conseguem 45% contra 49% de Lula. Na Genial/Quaest de 14 de janeiro, Lula ficou com 45% contra Flávio, que obtém 38%, e com 44% contra Tarcísio, com 39%.

Zema, Caiado e Ratinho inexistem no momento como nomes capazes de fazer frente a Lula. Consagrou-se, mesmo que a eleição esteja longe, que só alguém da copa e da cozinha do bolsonarismo pode se meter com Lula.

Tarcísio é o CEO vacilão e Flávio tem uma das maiores fichas corridas da direita, por todo tipo de crime. Mas são eles, Michelle e mais ninguém. Nada abala a extrema direita como alicerce da direita. Não há antilulismo sem o suporte do bolsonarismo.

Tentaram mas não conseguiram se livrar de Bolsonaro para seguir em frente sem o fardo. O preso exerce mais influência para a montagem do cenário de enfrentamento de Lula do que todos os líderes da direita juntos. 

Toda a velha direita depende hoje da unção de um presidiário adoentado, sem condições mentais para desmontar uma tornozeleira e que tropeça no tapete ao sair da cama para tomar um copo d’água.

MOISÉS MENDES ” BLOG BRASIL 247″ ( BRASIL)

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