
Economista compara Master a esquema Ponzi de Madoff e alerta que desindustrialização ameaça o emprego no acordo com Mercosul
Em entrevista ao jornalista Luís Nassif, na noite de segunda (19), o economista Luiz Gonzaga Beluzzo analisou a proposta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de atribuir ao Banco Central o papel de agende de regulamentação e fiscalização de fundos de investimento, especialmente após o escândalo do Banco Master. Na visão de Beluzzo, “a regulação tem que ser muito bem concebida” para prevenir crises por episódios especulativos.

“A questão da regulamentação é fundamental. Na história, foram inúmeros os episódios de quebra financeira. O caso Bernie Madoff cometeu impropriedades da mesma natura que o Master”, lembrou Beluzzo. Bernard “Bernie” Madoff (1938-2021) foi um financiador norte-americano e ex-presidente da bolsa NASDAQ, conhecido por ter arquitetado o maior esquema Ponzi (pirâmide financeira) da história, estimado em cerca de US$ 65 bilhões.
Beluzzo ressaltou a importância da regulação, citando exemplos históricos como o esquema Ponzi e o caso Bernie Madoff, para evitar a repetição de crises financeiras. Ele argumentou que a desregulamentação financeira, impulsionada por concepções neoliberais desde os anos 80, contrasta com o período pós-guerra, quando a repressão financeira e a vigilância sobre as taxas de juros, inspiradas em Keynes, garantiram um bom funcionamento das economias.Play Video
Acordo Mercosul x União Europeia
O economista também manifestou preocupação com a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Beluzzo defendeu a necessidade de um debate aprofundado sobre as formas de governar essas relações, incluindo a determinação de acordos de investimento. Ele alertou que, se o acordo se limitar à esfera comercial, a indústria brasileira, que já sofreu um processo de desindustrialização significativo (passando de 28% do PIB nos anos 80 para 9% atualmente), poderá ser ainda mais prejudicada, agravando o problema do emprego.
Além desses pontos, Beluzzo abordou a natureza especulativa de todas as decisões de mercado, sejam elas para comprar uma fábrica ou um ativo financeiro, pois envolvem projeções sobre o futuro. Ele mencionou a distinção de Keynes entre jogo e especulação, concluindo que os mercados financeiros são inerentemente especulativos e, por isso, exigem uma regulação bem concebida.
O economista também destacou o poder político do capital financeiro, que, segundo ele, tem conseguido sucessivas desregulações e a criação de novos mecanismos de especulação, culminando em crises que são socorridas pelos bancos centrais. Ele criticou a visão predominante de economistas que focam apenas no risco fiscal, ignorando a história de calotes em dívidas externas e a situação de países como o Japão, com alta dívida pública em moeda própria.
Beluzzo ainda questionou a distinção entre ativos reais e financeiros, argumentando que a predominância do mercado financeiro sobre as decisões econômicas prejudica o investimento real. Ele citou o economista Charles Kindleberger e seu livro “Manias, Crises e Pânicos” como uma obra fundamental para entender a sucessão de crises.
Por fim, Beluzzo fez uma crítica à ultradireita, que ele descreve como autoritária politicamente e liberal na economia, comparando a postura de Hitler com a de empresários da época, que se tornaram “Führer de suas indústrias”, e traçando um paralelo com a retórica de Donald Trump. Ele lamentou a perda do espírito de colaboração entre o Estado e o empresariado que marcou a industrialização brasileira em períodos como os governos de Getúlio e Juscelino.
LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)
A entrevista foi transmitida ao vivo no Youtube durante o programa TV GGN 20 Horas, do canal TV GGN. Assista abaixo:
Nota da Redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de inteligência artificial para transcrever e editar conteúdo original gerado pelo canal TV GGN. O uso de I.A. não dispensa, em hipótese alguma, a revisão, edição e apuração por parte do time de jornalistas do GGN antes da publicação.
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