
O Brasil teve o privilégio de ser o único país de todas as Américas a sediar a capital de um monumental Império europeu, o grandioso Império Português, quando da vinda da Corte de Lisboa, em 1808, para o Rio de Janeiro. Em troca, o Brasil deu a Portugal o privilégio de ter seu idioma falado por mais de 200 milhões de pessoas no Novo Mundo. Superando outros países, como os 132 milhões de hispanohablantes do México, os 53 milhões da Colômbia e os 45 milhões da Argentina.
O Brasil foi também, ao contrário dos demais vizinhos continentais, o único a conquistar a independência sem a necessidade de uma sangrenta insurreição armada desferida das casernas coloniais – lembrando que o Canadá ainda hoje tem como chefe de Estado a Coroa Inglesa. A Sereníssima Casa de Bragança, em 1822, no reinado de Dom João VI (1767 – 1826), “O Clemente”, dividiu-se em dois ramos, a rigor, com um só herdeiro, Dom Pedro (1798 – 1834), que, cá, é Primeiro, sob o título de “O Libertador”, e, na Metrópole, Quarto, como o “Rei Soldado” – líder da Monarquia liberal. Sua filha, Dona Maria II (1819 – 1853), “A Educadora”, se tornaria Rainha de Portugal e o filho, Dom Pedro II (1825 – 1891), com o epíteto de “O Magnânimo”, Imperador do Brasil. Ambos eram cariocas da gema, nascidos, portanto, na região central do Rio de Janeiro, nos aposentos do Palácio Real, dentro dos limites da Quinta da Boa Vista, próxima ao então Cais do Caju, em São Cristóvão, que, por isso, passou a ser chamado de Bairro Imperial.
Comemora-se neste dois de dezembro de 2025 os 200 anos de nascimento de Dom Pedro II, considerado o mais iluminado dos chefes de Estado do País. O “Magnânimo” seria deposto por um golpe militar, na calada da noite de 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, de inspiração maçônica, como havia acontecido nos Estados Unidos, na guerra pela independência, em 1776, e em quase toda a América espanhola no início do século XIX.
A intentona teve o apoio dos grandes proprietários de terras. Foi uma retaliação à Abolição da Escravatura, em 1888, decretada pela Princesa Isabel (1846 – 1921), A Redentora, filha de Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina (1822 – 1889), A Mãe dos Brasileiros. Ela era casada com o nobre francês Gastón de Orléans (1842 – 1922), o célebre Conde d’Eu – um dos heróis na Guerra do Paraguai (1864 – 1870). O longo e invisível braço da Maçonaria foi decisivo, igualmente, na Revolução Francesa de 1789, afastando do poder os soberanos da Coroa dos Bourbon – substituídos em meados do século XIX pela Dinastia dos Orléans. Dom Pedro II teve como genitora a Princesa austríaca, Dona Leopoldina (1797 – 1826), da linhagem dos Habsburgo, cujos ancestrais, entre os séculos XVI e XVIII, foram soberanos também de Espanha e Portugal.
Ela foi determinante para a emancipação do Brasil, ao incentivar o marido, a desfazer os laços da colônia com Lisboa, conforme já havia recomendado o próprio Dom João VI. Órfão de mãe, com apenas um ano de idade, e, de pai, antes de atingir os 10, Dom Pedro II teve como principal tutor um dos próceres da Independência, o santista José Bonifácio de Andrada (1763 – 1838), membro da aristocracia colonial, com destaque na Metrópole, tendo sido catedrático em mineralogia na Universidade de Coimbra e representante do Rio de Janeiro na Corte de Lisboa.
O atual Chefe da Casa Imperial brasileira é o Príncipe Dom Bertrand de Orléans e Bragança, que completará 85 anos no próximo dia dois de fevereiro de 2026. Ele nasceu no Sul da França, na localidade de Mandelieu-la-Napoule, em 1941, mas reside no Brasil desde os quatro anos de idade. Seu sucessor será o sobrinho Dom Rafael. Tem 40 anos. É carioca da gema – como seu tetravô Dom Pedro II.
ALBINO CASTRO ” PORTUGAL EM FOCO” ( BRASIL / PORTUGAL )
Albino Castro é jornalista e historiador