
O governo não sabe o que fazer com seu principal candidato após as revelações do Narcogate. A ideia de acolhê-lo foi descartada e o evento foi adiado.
O escândalo envolvendo José Luis Espert sobre o financiamento de drogas para sua campanha de 2019 teve um impacto profundo no governo. Agora que se sabe que o líder da chapa libertária na província recebeu US$ 200.000 de “Fred” Machado e que também usou o avião do empresário suspeito, tudo está ficando difícil. Desde que essa revelação veio à tona horas atrás, o candidato quase não foi visto em público, exceto por um vago desmentido no canal TN, no qual se referiu a uma “operação kirchnerista”. Mas, além dessa contribuição para a confusão geral e algumas outras intervenções mínimas, ele se tornou um desaparecido em combate, a ponto de o Diego Santilli amarelo estar se posicionando como o novo rosto da campanha oficial.
A verdade é que Javier Milei e sua equipe não sabem o que fazer com o candidato fantasma. Eles vão e voltam. Primeiro, pareceu, por um momento, que a decisão era que Milei abraçasse Espert no evento de sábado, dia 4, como fez com sua irmã Karina após o escândalo do Coimagate. Depois, por precaução, recuaram da ideia. E o evento estava originalmente programado para ser transferido para terça-feira, dia 7, mas sem Milei. Alguns até falam em uma possível retirada da candidatura para evitar maiores danos às vésperas das eleições de 26 de outubro, embora para isso — com as cédulas impressas — já pareça tarde demais. É tudo especulação.
Espert sempre gerou ressentimento entre as fileiras de Milei. A Irmã Karina insistiu até o fim que Javier não fosse o primeiro candidato. A deputada Lilia Lemoine, amiga próxima do presidente, já havia falado sobre os traficantes de drogas que supostamente intervieram em suas campanhas. O braço direito de Santiago Caputo, Agustín Romo, chamou o economista careca de “caixa” em suas redes sociais. E até o próprio Milei contou histórias horríveis sobre ele quando se desentenderam por questões políticas. Ele revelou, por exemplo, que Espert certa vez lhe trouxe uma mala cheia de US$ 300.000 para convencê-lo a desistir de sua candidatura de 2021 na Cidade de Buenos Aires, oferta que ele rejeitou. Alejandro Fantino testemunhou a anedota em uma entrevista com o libertário, que só precisou mencionar o nome do acusado. O próprio Espert, quando questionado sobre a história, afirma que essa não foi a quantia que ofereceu a Milei, mas sim uma quantia muito menor, e que fazia parte do “salário mensal” que ele deveria pagar a ela desde que ela se juntou a ele na política. Em quem podemos acreditar?
Semanas atrás, quando a corrida eleitoral começou e o escândalo de suborno de 3% de Andis estourou ao mesmo tempo, Espert foi creditado com um comentário contundente: “Eles estragaram minha campanha”, disseram pessoas próximas a ele.
Agora, ele é o centro das atenções. E eles não sabem mais como esconder isso.
FRANCO LIND