
Um manual de transição da democracia liberal para um regime autoritário constitucionalizado sob aparência legal
Para analisar o governo Trump, é importante entender qual o objetivo final que ambiciona. E, para tanto, o documento básico é o Project 25, o documento base para a estratégia de implantação da centralização do poder no Executivo. Vali-me de pesquisas através de Inteligência Artificial.
O Project 25
O Project 2025 é um plano coordenado por grupos conservadores nos Estados Unidos — principalmente pela Heritage Foundation — com o objetivo de reestruturar o governo federal sob um segundo mandato de Donald Trump (ou outro presidente republicano afim). Trata-se de um projeto ambicioso de captura total do Estado administrativo, com profundas implicações autoritárias, econômicas, sociais e jurídicas.
1. O QUE É O PROJECT 2025?
Tudo que você precisa saber. Todos os dias, no seu e-mail.
Assine nossa newsletter para não perder os principais fatos e análises do dia.
- Nome completo: Project 2025 – Presidential Transition Project
- Iniciativa da Heritage Foundation, um dos mais antigos think tanks conservadores dos EUA.
- Envolve mais de 100 organizações conservadoras, como:
- Alliance Defending Freedom (ultraconservadora, anti-LGBTQ+)
- Center for Renewing America (fundado por ex-funcionários de Trump)
- America First Legal, de Stephen Miller (ideólogo trumpista)
- Abrange:
- Plano de governo detalhado (Mandate for Leadership 2025) – com mais de 900 páginas.
- Banco de currículos com milhares de candidatos leais ao trumpismo para ocupar cargos federais.
- Estratégia legal e comunicacional para impor a doutrina do “executivo unitário”.
2. OBJETIVOS E ESTRATÉGIAS PRINCIPAIS
Aparelhamento total da máquina pública
- Reclassificar cerca de 50 mil servidores de carreira como “Schedule F” — ou seja, demissíveis por razões políticas.
- Substituir servidores técnicos por quadros ideológicos.
- Abolição de autonomia técnica em órgãos como:
- CDC, FDA (ciência e saúde)
- EPA (meio ambiente)
- FCC (comunicações)
- Departamento de Educação, Justiça, Segurança Interna
Fortalecimento extremo do poder presidencial
- Imposição da doutrina do Executivo Unitário, que sustenta que o presidente tem autoridade total sobre o Executivo federal.
- Redução do papel de conselheiros, secretários e órgãos colegiados.
- Ampliação das ordens executivas como instrumento legislativo de fato.
Desmonte da regulação e do “Estado administrativo”
- Cortes e fusões de agências reguladoras.
- Redução de regulações ambientais, trabalhistas e de proteção ao consumidor.
- Interrupção de ações afirmativas e políticas pró-diversidade.
Controle ideológico da educação e da cultura
- Corte de verbas federais para universidades que promovam “doutrinação esquerdista”.
- Incentivo ao ensino religioso cristão nas escolas públicas.
- Proibição de programas sobre raça, gênero e diversidade sexual.
Agenda moral e religiosa ultraconservadora
- Criminalização do aborto em nível federal (ou revogação do direito de estados de proteger o aborto).
- Restrições severas a direitos LGBTQ+.
- Benefícios legais e fiscais a escolas e organizações religiosas conservadoras.
Censura e controle da mídia e das redes
- Reformulação da FCC para atacar veículos considerados “liberais”.
- Possível perseguição a redes sociais por suposta “censura à direita”.
- Incentivo à expansão de mídias pró-Trump.
3. IMPLICAÇÕES POLÍTICAS E INSTITUCIONAIS
| Setor | Ameaças do Project 2025 |
| Democracia | Centralização autoritária, perseguição de opositores, uso do Estado como arma |
| Serviço público | Fim da neutralidade técnica, lealdade política como critério de nomeação |
| Direitos civis | Risco de retrocessos em aborto, igualdade de gênero, direitos LGBTQ+ |
| Justiça e FBI | Interferência direta, perseguições, anulação de investigações sobre Trump |
| Ciência e clima | Negacionismo climático, cortes em pesquisa, censura científica |
| Educação | Ataques à autonomia universitária, ideologização do currículo escolar |
| Política externa | Retirada de alianças multilaterais (OTAN, ONU), alinhamento a autocracias |
4. ORIGEM IDEOLÓGICA
- Inspirado na experiência autoritária de Viktor Orbán (Hungria) e no modelo de Estado iliberal.
- Adota a retórica do “Estado profundo” como inimigo interno a ser destruído.
- Defende uma guerra cultural permanente, com o Estado como agente da moral conservadora.
- Muita influência de Stephen Miller, Steve Bannon e a corrente nacional-populista da direita americana.
5. RISCO REAL: CAPTURA TOTAL DO ESTADO
Se implementado, o Project 2025 representa:
“Um manual de transição da democracia liberal para um regime autoritário constitucionalizado sob aparência legal”.
Não se trata apenas de reversão de políticas democratas, mas de mudança estrutural do modelo de governo, com:
- Ataque à separação de Poderes
- Eliminação da meritocracia estatal
- Restauração de um presidencialismo autocrático personalista
Os trechos mais preocupantes do Project 25
Aqui estão alguns dos trechos mais preocupantes do Mandate for Leadership 2025 (o documento central do Project 2025), com destaque para as implicações com maior impacto institucional e democrático:
1. Schedule F: caça aos funcionários de carreira
- O plano propõe reclassificar até 50.000 funcionários federais como “Schedule F”, removendo suas proteções do serviço público e permitindo demissões por “lealdade política”, sem necessidade de justificativa formal ou processo administrativo sério (Kettering Foundation).
- Especialistas alertam que isso destruiria a neutralidade técnica da burocracia e criaria uma máquina estatal submissa ao presidente (The Guardian).
- Resultaria em um “Estado profundo leal ao Executivo”, substituindo competência por obediência ideológica (The Guardian, Kettering Foundation).
2. Agência federal como instrumento de perseguição
- A proposta inclui o uso do Departamento de Justiça (Civil Rights Division) para criminalizar “discursos anti-brancos” e perseguir adversários políticos — invertendo seu propósito original de proteger minorias (Vox).
- Acusações de “abusos e violações da lei” contra entidades ou indivíduos que se opõem à agenda conservadora poderiam decorrer de ordens políticas diretas.
3. Erosão do sistema de freios e contrapesos
- O projeto se baseia na teoria do Executivo Unitário, reivindicando controle total do presidente sobre todas as agências federais, independentemente de leis ou regulamentos vigentes (Wikipedia).
- Objetiva desmontar agências como EPA, FDA, FCC, DOJ e até o Departamento de Educação, reduzindo sua autonomia técnica e institucional (The Guardian).
- Ambições autoritárias incluem transferir funções investigativas e financeiras para o DOJ e privatizar vastas áreas do governo.
4. Derrubada de direitos sociais, educacionais e ambientais
- Objetiva encerrar programas essenciais como Head Start, Title I, financiamentos de alimentação escolar e apoio a pessoas com deficiência — afetando milhões (Brookings).
- Propõe cortes profundos em políticas climáticas e científicas, eliminando órgãos como NOAA e EPA e limpando regulamentos ambientais (Brookings, UC Berkeley Law, Wikipedia).
5. Projeto de Estado cristão nacionalista
- Defende o renome do Departamento de Saúde e Serviços Humanos para “Department of Life”, com enfoque em políticas antiaborto absolutas desde a concepção (Wikipedia, Wikipédia, Center for American Progress).
- Propõe recriminalizar pornografia (incluindo conteúdo LGBTQ+) como se fosse equivalente a drogas, negando proteção da Primeira Emenda (people.com).
6. Força militar para uso interno e repressão
- Estimula o uso ampliado da Insurrection Act de 1807 para colocar tropas em ação contra protestos internos e movimentos sociais (bostonreview.net).
- Prepara diretrizes para autorizar o uso de militares em temas de ordem pública e emergência interna — potencialmente minando a distinção civil-militar tradicional.
7. Combate ideológico contra mídia, eleições e ciência
- Planeja enfraquecer poderes de fiscalização do FCC e da FEC, impedindo ações contra desinformação eleitoral e censura seletiva (Wikipedia, Center for American Progress).
- Incentiva perseguição a meios de comunicação críticos ou não alinhados — controle de acesso à Casa Branca, criação de listas negras e pressão sobre jornalistas e acadêmicos (Wikipedia, people.com).
- Há ambições explícitas de desregular ciência climática, cortes de pesquisa e promoção de negacionismo.
Resumo — O que torna esses trechos especialmente alarmantes
| Elemento | Por que é preocupante |
| Punição por lealdade | Erosão da meritocracia pública, incentivo à obediência cega |
| Centralização extrema | Executivo acima da lei, enfraquecendo legislativo e Judiciário |
| Retirada de direitos sociais | Centenas de milhões afetados por cortes em programas básicos |
| Imposição religiosa | Separação entre Estado e religião ameaçada |
| Militarização interna | Risco de repressão institucional em protestos ou oposição |
| Controle sobre mídia e eleições | Ferro vialigada ao ciclo político e jurídico presidencial |
Abaixo está uma análise temática estruturada do Project 2025 com base nos trechos e propostas mais alarmantes do documento central, o Mandate for Leadership 2025. Cada seção resume os pontos principais, destaca implicações institucionais e traz citações ou interpretações diretas do conteúdo.
1. Justiça e Estado de Direito
Objetivos declarados:
- Reestruturar o Departamento de Justiça (DOJ) para se alinhar aos interesses do presidente.
- Priorizar “combate ao crime” com enfoque em “anarquistas, antifas, e ativistas de esquerda”.
- Desmobilizar investigações sobre aliados do presidente.
Trecho representativo:
“The president should exercise complete control over the Department of Justice and all prosecutorial decisions.”
Implicações:
- Fim da autonomia do DOJ e do FBI.
- Transformação do sistema de justiça em instrumento de perseguição política.
- Interrupção de investigações como as do 6 de janeiro e Trump Org.
2. Burocracia federal e poder executivo
Objetivos:
- Implementar a doutrina do Executivo Unitário, concentrando o poder do Executivo em uma figura única: o presidente.
- Recrutar quadros ideológicos e leais via programa de nomeações do “Presidential Personnel Database”.
- Reinstaurar a ordem executiva Schedule F, permitindo demissão de milhares de servidores públicos de carreira.
Trecho representativo:
“Personnel is policy. A second Trump term must be staffed by men and women fully committed to the president’s agenda.”
Implicações:
- Fim da neutralidade técnica da máquina pública.
- Aparelhamento do Estado.
- Obstrução da fiscalização e da transparência governamental.
3. Educação e cultura
Objetivos:
- Proibir educação sobre “identidade de gênero”, “raça crítica” e diversidade.
- Retirar verba de universidades que promovam políticas “antiamericanas”.
- Substituir o Departamento de Educação por estruturas estaduais descentralizadas e doutrinárias.
Trecho representativo:
“End funding for any education program that advances woke ideology or DEI principles.”
Implicações:
- Imposição de um currículo nacional cristão-conservador.
- Repressão ao livre pensamento acadêmico.
- Eliminação de políticas de inclusão.
4. Religião, aborto e moralidade pública
Objetivos:
- Criar o “Department of Life” para substituir o HHS (Health and Human Services), focado em proteger “a vida desde a concepção”.
- Criminalizar o aborto em nível federal.
- Revisar leis de liberdade religiosa para favorecer igrejas cristãs.
Trecho representativo:
“All federal policy must begin from the assumption that life begins at conception and must be protected as such.”
Implicações:
- Abolição do direito ao aborto, mesmo nos estados que o protegem.
- Privação de acesso a métodos contraceptivos e planejamento familiar.
- Supressão de direitos reprodutivos, especialmente para mulheres pobres e minorias.
5. Clima, ciência e meio ambiente
Objetivos:
- Desmantelar a EPA (Environmental Protection Agency).
- Eliminar regulações climáticas federais e ampliar subsídios à indústria fóssil.
- Enfraquecer o NOAA e impedir o financiamento de estudos sobre mudança climática.
Trecho representativo:
“The climate change agenda is a Trojan horse for socialism. The EPA should be stripped of its regulatory powers.”
Implicações:
- Desmonte da política ambiental dos EUA.
- Negacionismo científico institucionalizado.
- Aumento das emissões e impactos ambientais globais.
6. Mídia, comunicação e censura
Objetivos:
- Reestruturar a FCC (Federal Communications Commission) para combater “viés liberal”.
- Interferir em plataformas digitais acusadas de “censurar conservadores”.
- Incentivar meios de comunicação alinhados ideologicamente.
Trecho representativo:
“Reform the FCC to ensure ideological balance and prevent viewpoint discrimination against conservatives.”
Implicações:
- Risco de censura estatal e perseguição à imprensa independente.
- Pressão sobre big techs para favorecer narrativas governistas.
- Supressão do pluralismo informacional.
7. Militares e segurança interna
Objetivos:
- Ampliar o uso da Insurrection Act para reprimir manifestações públicas.
- Reestruturar as Forças Armadas com foco em “valores patrióticos e cristãos”.
- Substituir generais considerados “progressistas” por oficiais leais ao presidente.
Trecho representativo:
“The president must not hesitate to deploy federal troops to restore law and order when states fail to do so.”
Implicações:
- Militarização da política interna.
- Supressão do direito à manifestação.
- Risco de conflito institucional entre o Executivo e os estados.
Conclusão Geral
O Project 2025 é um plano coerente e sistemático de transformação autoritária do Estado norte-americano, com inspiração clara em modelos como Viktor Orbán (Hungria) e Vladimir Putin. Ele prevê:
- Concentração extrema de poder na presidência
- Aparelhamento ideológico das instituições
- Ruptura com pilares do constitucionalismo liberal
Como afirmou o historiador Ruth Ben-Ghiat:
“O Project 2025 não é apenas uma plataforma de governo — é um projeto de regime.”
As comparações com Erdoğan e Bolsonaro
Quadro Comparativo: Project 2025 × Erdoğan × Bolsonaro
| Tema/Ideia Central | Project 2025 (EUA) | Erdoğan (Turquia) | Bolsonaro (Brasil) |
| Desmonte institucional | Propõe a remoção de funcionários públicos de carreira; lealdade ao presidente | Expurgou judiciário, Exército e universidades após tentativa de golpe (2016) | Tentou interferir na PF, Receita e Forças Armadas; hostilizou o STF |
| Militarização do governo | Promove militarismo simbólico e uso da força para controle interno | Promoveu forte presença militar no governo e repressão policial | Nomeou militares a cargos civis e defendeu intervenção militar |
| Controle do Judiciário | Defende “domesticar” Judiciário e DOJ para submeter à presidência | Subjugou o Judiciário e o transformou em braço do Executivo | Conflitou com STF e tentou descredibilizar ministros |
| Religião como base de governo | Evangélicos radicais dominam agenda moral do projeto | Usa o Islã político como pilar de legitimidade | Alinhado a evangélicos; defendeu pautas morais conservadoras |
| Supressão de direitos civis | Propõe endurecimento contra LGBTQIA+, aborto, liberdade acadêmica | Reprimiu minorias, jornalistas, e oposição política | Perseguiu imprensa, ativistas, artistas e opositores ideológicos |
| Populismo autoritário | Centraliza poder no Executivo; rejeita pluralismo institucional | Culto à personalidade e poder concentrado | Discurso de “salvador da pátria”, deslegitima Congresso e STF |
| Desinformação e mídia | Apoia canais e redes de fake news; ataque à imprensa crítica | Censura e compra da mídia; prisão de jornalistas | Ataques sistemáticos à imprensa e uso de fake news |
| Negacionismo científico | Rejeita políticas climáticas e saúde pública com base científica | Rejeitou parte das medidas científicas contra Covid-19 | Negou eficácia das vacinas e estimulou tratamento ineficaz |
| Guerra cultural permanente | Propõe “limpeza ideológica” do Estado e das universidades | Expurgos em escolas e universidades contra opositores | Tentativas de interferência no Enem, universidades e escolas |
Análise Crítica
1.
Base ideológica comum: autoritarismo reacionário
Os três projetos compartilham uma matriz ideológica iliberal e autoritária: rejeição ao Estado laico, apego à tradição, à autoridade e à hierarquia, com forte mobilização de valores religiosos para justificar repressões e censuras.
2.
Instrumentalização do Estado
O Project 2025 pretende eliminar a autonomia técnica do Estado, transformando-o num instrumento da presidência. Essa mesma lógica é vista com Erdoğan (com purgas no funcionalismo e controle total do Judiciário) e Bolsonaro (com tentativas de aparelhamento e perseguição a órgãos técnicos).
3.
Militarização e culto à força
A centralidade dos militares como símbolo de ordem e pureza institucional está presente nos três. Erdoğan reprimiu brutalmente opositores após tentativa de golpe em 2016. Bolsonaro flertou com a ideia de golpe militar preventivo. Trump, cuja ala promove o Project 2025, incentivou a invasão do Capitólio em 2021.
4.
Guerra contra o “inimigo interno”
Todos operam com base em uma narrativa de guerra cultural: esquerda, comunismo, minorias, imprensa, universidades e ONGs são tratadas como “inimigos da nação”. Essa lógica justifica a supressão de direitos e a concentração de poder.
Trechos mais preocupantes do Project 2025 (semelhanças diretas)
- “Lealdade ao presidente deve superar a autonomia funcional.” → ecoa o desejo de Erdoğan e Bolsonaro de controlar PF, Receita e Judiciário.
- “Remover progressistas da máquina pública.” → equivalente às “faxinas ideológicas” de Bolsonaro.
- “Reestruturar o DOJ e o FBI para servir ao chefe do Executivo.” → comparável à tentativa de Bolsonaro de interferir na PF para proteger aliados.
- “Eliminar restrições ao uso da força em protestos.” → medida autoritária comum em todos os casos.
Conclusão
O Project 2025, Erdoğan e Bolsonaro fazem parte de um mesmo movimento internacional de extrema-direita autoritária, que visa:
- substituir a democracia liberal por um modelo plebiscitário ou populista;
- instrumentalizar o Estado em favor de um líder messiânico;
- mobilizar religião, medo e guerra cultural como base de coesão política.
Diferença principal: Erdoğan já consolidou esse modelo; Bolsonaro tentou e fracassou. Trump, se vencer em 2025 com apoio do Project 2025, tentará concluir o que começou em 2016.
1. ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO
| Project 2025 (EUA) | Erdoğan (Turquia) | Bolsonaro (Brasil) |
| Quer eliminar a estabilidade de servidores públicos e substituí-los por leais ao presidente. | Após tentativa de golpe (2016), removeu milhares de funcionários públicos. Criou um Estado vertical e personalista. | Tentou interferir em órgãos técnicos (PF, Receita, Ibama). Nomeações por lealdade ideológica. |
| Visa transformar o Executivo em um “governo do presidente”, com concentração total de poder. | Enfraqueceu o sistema parlamentar e passou a governar por decretos e referendos. | Tentou governar por decretos e com retórica anti-Congresso. |
2. SISTEMA DE JUSTIÇA
| Project 2025 | Erdoğan | Bolsonaro |
| Propõe controle do DOJ (Departamento de Justiça) e do FBI para que sirvam ao presidente. | Subjugou o Judiciário com nomeações políticas. Prisões de juízes e promotores dissidentes. | Tentou interferir na PF para proteger aliados; confrontos diretos com o STF. |
| Deseja nomear juízes com base em critérios ideológicos cristãos e anti-“woke”. | Reformulou o Judiciário e removeu opositores após 2016. | Indicou juízes ideologicamente alinhados (Kassio Nunes, André Mendonça). |
3. EDUCAÇÃO E UNIVERSIDADES
| Project 2025 | Erdoğan | Bolsonaro |
| Promete eliminar “doutrinação progressista” em escolas e universidades. | Submeteu universidades ao controle do Executivo. Nomeações ideológicas de reitores. | Atacou o Enem, universidades públicas e tentou interferir na escolha de reitores. |
| Defende ensino baseado em “valores cristãos tradicionais”. | Promove ensino religioso islâmico e reprime professores críticos. | Alinhado à bancada evangélica, defendeu ensino com “valores da família cristã”. |
4. CULTURA E MÍDIA
| Project 2025 | Erdoğan | Bolsonaro |
| Quer abolir o financiamento federal de artes que promovam “valores progressistas”. | Censura direta à arte crítica e imprensa. Usa mídia estatal como propaganda. | Cortou verbas da cultura, atacou artistas e tentou censurar peças e filmes. |
| Ataques sistemáticos à imprensa tradicional, favorecendo canais aliados. | Prendeu jornalistas, perseguiu opositores na mídia. | Atacou constantemente Globo, Folha, Estadão; favoreceu blogs e mídias aliadas. |
5. SEGURANÇA INTERNA E MILITARIZAÇÃO
| Project 2025 | Erdoğan | Bolsonaro |
| Quer usar forças de segurança para reprimir protestos e movimentos sociais. | Militarização da polícia e repressão violenta a manifestações. | Tentou usar GSI e PF contra opositores; elogiou violência policial. |
| Apoia uso do Exército como suporte à ordem interna. | Usou forças armadas para garantir controle político. | Encheu o governo de militares e flertou com golpe militar. |
6. RELAÇÕES INTERNACIONAIS
| Project 2025 | Erdoğan | Bolsonaro |
| Defende isolacionismo, fim de tratados climáticos, ONU, OMS etc. | Relação tensa com UE e EUA; aproximação com China e Rússia conforme interesse. | Isolou o Brasil internacionalmente; hostil à ONU, OMS e acordos climáticos. |
| Política externa agressiva contra “globalistas” e “marxismo cultural internacional”. | Cultiva discurso nacionalista contra o Ocidente, embora coopere conforme a conveniência. | Promoveu retórica anti-globalista e anticomunista. |
7. MEIO AMBIENTE
| Project 2025 | Erdoğan | Bolsonaro |
| Quer desmontar a EPA (agência ambiental) e acabar com regulações ecológicas. | Projetos de infraestrutura devastadores; repressão a ativistas ambientais. | Enfraqueceu o Ibama e ICMBio; aumento recorde no desmatamento. |
| Propõe facilitar mineração, petróleo e desregulação ambiental. | Prioriza crescimento econômico sobre proteção ambiental. | Incentivou garimpo em terras indígenas e negou crise climática. |
8. CONTROLE DA NARRATIVA / DESINFORMAÇÃO
| Project 2025 | Erdoğan | Bolsonaro |
| Estrutura uma máquina de comunicação baseada em fake news e canais próprios. | Repressão a redes sociais críticas e vigilância digital. | Uso intensivo de WhatsApp, Telegram e influenciadores aliados. |
| Pretende controlar plataformas digitais em nome da “segurança nacional”. | Fortes restrições à internet e prisão de críticos online. | Tentativas de controlar redes; PL das fake news usado com interesses políticos. |
Considerações Finais
Os três projetos:
- Rejeitam a democracia liberal como construída no pós-guerra;
- Apostam em lideranças personalistas, nacionalismo e culto ao líder;
- Usam religião, forças armadas e “tradição” como pilares de legitimidade;
- Empregam guerra cultural permanente para manter a base mobilizada e justificar repressão.
A grande diferença é o grau de sucesso:
- Erdoğan consolidou uma autocracia funcional.
- Bolsonaro tentou e fracassou, mas deixou herança ideológica viva.
- Trump (via Project 2025) pode completar a transição iliberal dos EUA, com risco global.
+.
LUIS NASSIF ” JORNAL GGN” ( BRASIL)