EDUARDO MOREIRA: O GOVERNO PRECISA ENTENDER A PERCEPÇÃO DAS PESSOAS SOBRE A ECONOMIA

CHARGE DE ZÉ DASSILVA

Economista e fundador do ICL analisa pesquisa Genial/Quaest e os impactos da economia sobre a popularidade do presidente Lula

Para o economista e fundador do ICL (Instituto Conhecimento Liberta), Eduardo Moreira, a queda na popularidade do presidente Lula (PT), apontada na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (2), já era bola cantada. “Quando eu fiz o Mapa da Mina [formação para investidores] no começo do ano, em janeiro, um dos slides que mostrei na minha apresentação foi o seguinte: no campo político o governo irá enfrentar desafios de popularidade com pressão no fiscal e provável aumento dos preços”, disse durante participação no ICL Notícias 1ª edição de hoje.

A pesquisa divulgada hoje mostra um aumento da reprovação do presidente devido, principalmente, à economia.

Na avaliação de Edu, os preços nos supermercados continuaram subindo “como eu imaginava”. “Quando o dólar fica muito alto durante muito tempo, ele começa a cair, mas os preços continuam subindo depois, porque as pessoas [empresários] que compraram matéria-prima fizeram estoque”, explicou.

Ou seja, o povo brasileiro está sentindo no bolso o peso do dólar alto, uma vez que esses insumos, comprados quando a moeda norte-americana estava em alta, continuam sendo utilizados na produção.

“As pessoas estão vivendo os custos de dois meses, seis meses – até um ano. Então, esse aumento de preços era esperado seguir acontecendo”, pontuou.

O economista é categórico em dizer que, não fosse a queda do dólar para patamar abaixo dos R$ 5,70 (ontem a divisa norte-americana recuou 0,40%, cotada a R$ 5,6824), a situação estaria pior. “Esses números que a gente está vendo, não fosse o dólar ter voltado para baixo de R$ 5,70, seriam muito piores”, destacou.

Por outro lado, na contramão do catastrofismo da maioria, ele acredita que há uma tendência de melhora. “Eu acho que, agora, a gente vai viver uma estancada nessa piora porque vamos ver os efeitos contrários, até porque não dá para piorar muito em relação ao que as pessoas estão achando dos preços nos supermercados e dos postos de gasolina”, afirmou.

O economista ressaltou, no entanto, que o governo lidou de modo pouco cuidadoso com os problemas das altas dos preços de energia e, principalmente, dos alimentos, que são os mais sensíveis ao bolso da maioria da população.

“A gente tem que ficar ligado como o governo tratou essas questões [alimentos e combustíveis], vindo com um discurso de que ‘não, calma, ano que vem é safra recorde, no Bolsonaro foi pior’. Não é assim [que se resolve]. Não adianta falar que o PIB [Produto Interno Bruto] cresceu, que o desemprego está baixo. Tem que entender a percepção das pessoas”, apontou.

Pesquisa Quaest: inflação dos alimentos é nó que o governo precisa desatar

Desde o início do ano, o governo Lula elegeu o combate à inflação dos alimentos como o foco central das ações. Entre as medidas tomadas, está o reforço de R$ 300 milhões no orçamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) este ano para a formação de estoques públicos.

Integrantes do governo receberam com preocupação o aumento da desaprovação da gestão petista. A percepção é de que a inflação persistente dos alimentos ainda causa um forte mau humor na população, com reflexo direto na avaliação do presidente e da gestão.

A pesquisa Quaest revela que a crise é ainda mais profunda, com desaprovação em alta no Nordeste, entre mulheres e entre os mais pobres.

O governo avalia que, mesmo tentando emplacar uma pauta positiva ao longo dos últimos meses, os esforços ainda não chegaram à população. Além disso, vê a alta da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25%, como fator que pesa, uma vez que encarece o crédito e os investimentos, desacelerando a economia.

Entre as medidas anunciadas pelo governo para tentar estancar a baixa na popularidade estão o aumento da isenção do Imposto de Renda; crédito consignado para trabalhadores formais; e a liberação do FGTS para quem foi demitido e tinha optado pelo saque-aniversário.

EDUARDO MOREIRA ” BLOG ICL NOTÍCIAS” ( BRASIL)

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