
CHARGE DE MIGUEL PAIVA ” BLOG BRASIL 247″
As políticas de Donald Trump beneficiam as elites ricas às custas do resto da população
31 de março de 2025, 08:21 h
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Quando Donald Trump fez campanha para presidente dos EUA em 2024, ele prometeu que ajudaria a classe trabalhadora estadunidense. Ele até posou para fotos em um McDonald’s, fingindo ser um funcionário de fast food.
No entanto, quando retornou à Casa Branca, Trump deixou claro que as suas políticas serviriam a um pequeno grupo de oligarcas bilionários, não à maioria do país.
Trump nomeou 13 bilionários como altos funcionários do seu governo. Como relatado por Public Citizen, isso significa que o governo Trump representa não apenas o 1% mais rico dos americanos, mas o 0,0001%.
Os bilionários no governo Trump — incluindo Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo — tinham uma riqueza pessoal combinada de mais de US$ 460 bilhões em janeiro de 2025.
Trump convidou os oligarcas mais poderosos do mundo para a sua posse. Os CEOs bilionários das grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício sentaram-se simbolicamente ao lado dos seus ministros.
Então, apenas algumas horas após assumir o cargo, Trump convidou mais três oligarcas bilionários à Casa Branca, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman, para uma coletiva sobre inteligência artificial.
Como presidente, Trump realizou reuniões e telefonemas regulares com os seus apoiadores bilionários, incluindo Larry Fink, CEO da BlackRock – a maior gestora de ativos do mundo. Fink ligou pessoalmente para Trump para pedir que a Casa Branca ajudasse a BlackRock a comprar os portos de ambos os lados do Canal do Panamá.
Corrupção: facilitando lavagem de dinheiro, suborno e golpes com criptomoedas
Como presidente dos EUA, Donald Trump aprovou uma série de ordens executivas que essencialmente promoveram a corrupção, em benefício das elites ricas. Ele enfraqueceu uma lei antilavagem de dinheiro e acabou com a aplicação de uma lei que proibia suborno.
Em uma ordem executiva, Trump afirmou que permitir subornos ajudaria a “os EUA e as suas empresas a ganharem vantagens comerciais estratégicas ao redor do mundo”. Ele também disse a repórteres que, ao permitir a corrupção, “Isso vai significar muito mais negócios para os Estados Unidos”.
Poucos dias antes de Trump retornar à Casa Branca, ele lançou uma meme-moeda com o seu nome. A Reuters informou que as pessoas por trás da moeda $TRUMP a lucrarem cerca de US$ 100 milhões em taxas de negociação em apenas duas semanas.
Trump lançou a meme-moeda em 17 de janeiro, apenas três dias antes da sua posse. O valor subiu rapidamente antes de cair dois terços, em um esquema que lembrava muito uma operação de “pump-and-dump” [inflar-e-desvalorizar].
O mais cínico nesse escândalo foi que Trump explorou os seus próprios apoiadores. 810.000 pessoas que investiram no esquema de criptomoedas de Trump perderam dinheiro, totalizando US$ 2 bilhões.
Cortando impostos para os ricos e aumentando para todos os outros
Essas políticas pró-ricos e antipobres seguem o mesmo manual que Donald Trump usou no seu primeiro mandato.
Em 2017, Trump cortou impostos para ricos e corporações. Em 2018, as 400 famílias bilionárias mais ricas dos EUA pagaram uma alíquota efetiva de imposto menor do que a metade mais pobre da população americana.
Durante sua campanha em 2024, Trump prometeu continuar reduzindo impostos para as elites ricas.
Economistas do Institute on Taxation and Economic Policy [Instituto sobre Taxação e Política Ecpnômica] estimaram que os estadunidenses que verão o maior aumento de impostos no segundo mandato de Trump serão os pobres e a classe trabalhadora, enquanto os ricos terão reduções.
Eles calcularam que os 5% mais ricos da população dos EUA terão os seus impostos reduzidos em cerca de 1,2%, enquanto os 20% mais pobres verão os seus impostos aumentarem em 4,8% em média.

Isso ocorre porque Trump está expandindo maciçamente as tarifas, que impactarão desproporcionalmente os pobres e a classe trabalhadora.
Tarifas são impostos sobre produtos importados, o que essencialmente é um imposto sobre o consumo, já que os EUA importam muitos bens de consumo da China, México, Canadá e outros países.
Pobres e trabalhadores gastam uma porcentagem muito maior da sua renda em bens de consumo, alimentos e necessidades básicas do que os ricos.
Se uma pessoa rica tem milhões em riqueza e ganha mais um milhão, ela não vai gastar muito mais em comida e bens de consumo. Sua propensão marginal de consumir é baixa.
Se um trabalhador que mal consegue pagar as contas recebe um aumento, ele provavelmente gastará mais em comida e bens essenciais. Sua propensão marginal a consumir é alta.
Isso significa que o ônus das tarifas será sentido muito mais pelos pobres e trabalhadores.
Em outras palavras, Trump está aumentando impostos para a classe trabalhadora e cortando-os para os ricos. Seu governo está supervisionando uma transferência de riqueza da maioria trabalhadora para a minoria rica.

O Institute on Taxation and Economic Policy estimou que o 1% mais rico dos estadunidenses terá os seus impostos reduzidos em US$ 36.320 por pessoa, enquanto os 95% mais pobres terão aumentos. A classe média arcará com o maior fardo.
Esse estudo projetou o impacto futuro da política tributária de Trump. Análises de suas políticas no primeiro mandato (2017-2021) chegaram a conclusões semelhantes.
Um relatório do Center on Budget and Policy Priorities [Centro sobre as Prioridades e Políticas Orçamentárias] analisou o impacto da lei tributária de Trump em 2017. Eles descobriram que o 1% mais rico teve redução de US$ 61.090 por indivíduo, enquanto os 20% mais pobres verão os seus impostos aumentados em 4,8% em média.

Trump afirmou que, em seu primeiro mandato, cortou impostos para todos os estadunidenses, incluindo pobres e trabalhadores. Essa afirmação não é tecnicamente falsa, mas é enganosa. As elites ricas tiveram benefícios fiscais muito maiores do que a maioria da população.
Isso vale não apenas em valores absolutos, mas também em porcentagens.
A renda após-impostos dos 5% mais ricos aumentou 3% graças à lei de 2017, enquanto os 20% mais pobres tiveram um aumento de apenas 0,4%. A classe média viu a sua renda líquida crescer em 1,4%.
Resumindo: as políticas de Trump beneficiaram principalmente as elites ricas.

A organização de combate à pobreza Oxfam relatou em 2025:
“Bilionários nos EUA pagam uma alíquota menor do que a maioria dos professores e trabalhadores do varejo. Graças a um sistema tributário que favorece a renda do capital sobre a renda do trabalho — e a várias estratégias de evasão fiscal — os mais ricos acabam pagando uma porcentagem menor da sua renda para o governo federal do que a maioria das famílias trabalhadoras.”
Eis alguns dados:
- Em 2024, a riqueza dos bilionários aumentou US$ 1,4 trilhão (ou U$ 3,9 bilhões por dia). Surgiram 74 novos bilionários.
- Segundo um estudo da Casa Branca em 2021, as 400 famílias mais ricas dos EUA pagaram uma alíquota média de imposto federal de apenas 8,2%. Em comparação, o contribuinte médio pagou 13%.
- De acordo com vazamentos de declarações de renda destacados em uma investigação da ProPublica, os 25 estadunidenses mais ricos pagaram US$ 13,6 bilhões em impostos entre 2014 e 2018 – uma taxa “real” de apenas 3,4% sobre um total de US$ 401 bilhões de renda.
Histórico de impostos sobre ricos e corporações nos EUA
Trump e seus aliados bilionários reclamam que os impostos são “muito altos”, mas historicamente isso não é verdade.
A alíquota marginal máxima de imposto de renda na maior parte da história dos EUA foi muito mais alta.
- Em 1944 e 1945 (Segunda Guerra Mundial), a alíquota máxima foi de 94%.
- Nos anos 1950 e início dos 1960 (a “era de ouro” do capitalismo estadunidense), os mais ricos pagavam 91%.
- Nos anos 1970, a alíquota ainda era de 70%.
Foi Ronald Reagan, nos anos 1980, quem cortou drasticamente os impostos dos ricos – de 70% para 28%.
Trump continuou as políticas pró-elite de Reagan e reduziu a alíquota máxima para 37% em 2018.
(Obs.: Esses impostos não consideram que grande parte da riqueza dos ricos vem de ganhos de capital, não de renda comum.)

Não apenas os impostos sobre indivíduos ricos foram reduzidos, mas também os impostos sobre as corporações.
- Nos anos 1950, 1960 e 1970, a alíquota do imposto corporativo variava de 48% a 53% (a “era de ouro”).
- Reagan reduziu para 34%, e Trump cortou para 21% em seu primeiro mandato.
Agora, em seu segundo mandato, Trump quer reduzi-la ainda mais.

Em termos de receita tributária, os impostos corporativos caíram como porcentagem do PIB:
- Anos 1950: ~5% do PIB.
- Anos 1960: ~3,5%.
- Anos 1970: ~2,7%.
- Governo Reagan: mínimo de 1%.
Hoje: 1,6% do PIB.
BEN NORTON ” GEOPOLITICAL ECONOMY REPORT” ( REINO UNIDO) / ” BLOG BRASIL 247″ ( BRASIL)